De professor universitário a presidente: quem é António José Seguro?
Apesar de ter ficado longe dos holofotes da política na última década, Seguro acumula uma longa trajetória no Partido Socialista; saiba mais
António José Seguro, de 63 anos, foi eleito neste domingo (8) o novo presidente de Portugal. O líder socialista assumirá o cargo pelos próximos cinco anos.
Nos últimos quase dez anos, a Presidência esteve sob comando de Marcelo Rebelo de Sousa, político social-democrata, reconhecido como o presidente dos afetos e pela sua forte intervenção em meio a diferentes crises políticas.
Quem é António José Seguro
Seguro é natural de Penamacor, no interior do país, distrito de Castelo Branco. É casado, tem dois filhos e mora nas Caldas da Rainha, pequena cidade, perto de Lisboa, onde todos os conhecem e foram entusiastas, desde o inicio da sua candidatura.
Apesar de ter ficado longe dos holofotes da política na última década, António José Seguro acumula uma longa trajetória no Partido Socialista (PS), marcada pelo equilíbrio, pelo diálogo e por uma postura europeísta. É reconhecido como alguém conciliador, embora em algumas ocasiões tenha sido criticado dentro do próprio partido, mantendo-se afastado durante sua candidatura.

Formado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política, ele também atua como professor na Universidade Autónoma de Lisboa e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa.
Ao longo dos anos, construiu uma reputação acadêmica e cívica sólida, associada à defesa da cidadania, do Estado de direito e da integração europeia
LEIA MAIS: António José Seguro é o novo presidente de Portugal, segundo as projeções
Carreira política
A sua ligação à política começou na Juventude Socialista, tendo sido uma das figuras próximas de António Guterres (atual Secretário Geral da ONU).
Entre 1991 e 1995 foi deputado na Assembleia da República e integrou o núcleo estratégico responsável pela vitória do PS nas eleições legislativas de 1995. No Governo liderado por Guterres exerceu funções como secretário de Estado da Juventude e secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro.
Entre 1999 e 2001, Seguro atuou como deputado no Parlamento Europeu, onde teve destaque em várias frentes. Foi coautor do relatório sobre o Tratado de Nice e o futuro da União Europeia, tornando-se o único português em 38 anos de participação nacional a assumir a responsabilidade pela elaboração de um relatório sobre um tratado europeu.
Durante o mandato, também foi vice-presidente do Grupo Parlamentar Socialista, responsável pelo dossiê da Organização Mundial do Comércio, e presidiu diversas delegações parlamentares.
Em 2001 regressou ao Governo como ministro adjunto do primeiro-ministro, cargo que ocupou até abril de 2002. No ano seguinte voltou à Assembleia da República, onde liderou a bancada parlamentar do PS entre 2004 e 2005 e dirigiu o Gabinete de Estudos do partido.
Após a derrota socialista nas legislativas de 2011, Seguro foi eleito secretário-geral do Partido Socialista.
LEIA MAIS: O que faz um presidente da República em Portugal? Entenda papel do chefe de Estado
Durante seu mandato, destacou-se por apoiar a abstenção do PS no Orçamento do Estado de 2012, como forma de preservar a estabilidade política, mostrando um posicionamento de responsabilidade institucional, mesmo gerando divisões internas.
Em 2014, perdeu as eleições primárias do partido para António Costa, o que levou à sua saída da liderança do PS e à renúncia aos cargos de conselheiro de Estado e deputado.
Nos anos seguintes, afastou-se da política ativa e dedicou-se à academia, à escrita e à reflexão cívica. Nesse período, publicou o livro Reforma do Parlamento Português – O controlo político do Governo (2016) e atuou como colunista do jornal Expresso.
De volta à política
Desde 2023, Seguro voltou gradualmente ao debate público, adotando uma postura crítica sobre os rumos do país e marcando presença como comentador político na CNN Portugal, no programa “Liberdade”.
Em junho de 2025, confirmou sua candidatura à Presidência da República. Nas eleições de 2026, liderou o primeiro turno com 31% dos votos, contando com o apoio do Partido Socialista, mesmo tendo concorrido sem apoios formais. No segundo turno, conquistou uma vitória histórica, deixando claro que os eleitores optaram pelo diálogo e pela moderação.
Seguro se apresenta com um perfil institucional, defendendo o diálogo democrático, a estabilidade política e um papel moderador. Destaca experiência e independência como os pilares da candidatura e afirma que quer unir o país e ser presidente de todos os portugueses pelos próximos cinco anos, mesmo assumindo o cargo em um momento de fortes divergências sobre temas centrais como saúde, educação e imigração.
susana@revistaentrerios.pt
Lisboa
Licenciou-se em Relações Internacionais na Universidade Técnica de Lisboa e fez mestrado em Jornalismo Internacional na Puc – São Paulo, entre outras formações.
Iniciou a sua carreira na TV SIC Notícias e foi correspondente Internacional da TVI no Brasil e outros países da América Latina.
Trabalhou na TV Globo Portugal no magazine cultural “Cá Estamos” e desenvolveu projectos dedicados ao canal em Portugal. É ainda autora de três livros.
- Últimas Notícias