Agentes da PSP são denunciados por tortura; imigrantes estariam entre os alvos
Órgão denunciou dois policiais que já estão em prisão preventiva mas suspeita que pelo menos outros dez agentes estejam envolvidos
O Ministério Público de Portugal denunciou dois agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) por crimes de tortura e violação, acusando-os de “atuação violenta, desproporcionada e degradante” na delegacia do Rato e no Cais do Sodré, em Lisboa.
Os dois policiais, de 21 e 24 anos, estão em prisão preventiva desde julho e agora foram, de fato, denunciados. A própria PSP teria denunciado os atos. Os principais alvos das agressões seriam moradores de rua, usuários de drogas e imigrantes sem documentação.
A denúncia apresentada pelo MP também afirma que há suspeitas de que vídeos com as agressões filmados pelos próprios policiais foram compartilhados em grupos do Whatsapp com pelo menos 70 pessoas e que, segundo o MP, seriam agentes da PSP.
Apesar de apenas dois policiais estarem presos, a suspeita é que mais de dez agentes teriam participado dos atos. O órgão vai investigar quem pode estar envolvido para oferecer as denúncias necessárias.
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Ainda segundo o MP, os atos de tortura causaram “humilhação extrema” e que causaram “dor aguda, humilhação extrema, medo intenso, angústia e degradação pessoal, tanto mais que riram e escarneceram”.
Ainda segundo o texto, os atos “representam manifesta gravidade e gerador de elevada intranquilidade pública e de forte repulsa social“, e ressalta que ainda foram “praticados no exercício das suas funções de agentes da PSP que têm como missão assegurar a legalidade democrática, garantir a segurança interna e proteger os direitos e liberdades dos cidadãos“.
O Diário de Notícias informou que o Bloco de Esquerda já requereu uma audiência de urgência com a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, sobre os atos praticados pelos policiais e sobre o que será feito pelo governo para punir os envolvidos.
A Inspeção Geral da Administração Interna já abriu inquéritos disciplinares internos para apurar as condutas dos investigados. O Ministério, oficialmente, já lamentou os atos de violência e disse estar acompanhando o caso.
Lisboa
Jornalista com graduação pela PUCPR, MBA em Rádio e TV pela Universidade Tuiuti do Paraná e mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa. Atuou como repórter da Gazeta do Povo nas editorias de economia, negócios e política e no portal TechTudo, além de experiência em veículos esportivos e especializados em tecnologia.
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