MERCADO

Alta na procura por inglês em Portugal abre espaço para empresas brasileiras

Startups, escolas de inglês e profissionais autônomos têm investido em ensinar inglês para a grande comunidade brasileira em Portugal

Sócios da BeConfident, startup que já conta com mais de 70 mil alunos em Portugal. Crédito: Reprodução

Muitos brasileiros, ao imigrar para Portugal, podem acreditar que apenas a língua portuguesa é suficiente para viver no país europeu. Mas a realidade é que o inglês tem se tornado cada vez mais essencial não apenas para a busca de uma melhor posição profissional como também para o próprio dia a dia.

É com base nesse movimento que empresas e profissionais brasileiros têm investido no ensino do idioma em Portugal, seja por meio de aplicativos, escolas online ou do ensino tradicional, e têm como um de seus principais focos o número cada vez mais crescente de brasileiros que vivem no país.

A startup BeConfident criou uma solução de ensino de inglês pelo WhatsApp com o uso de Inteligência Artificial (IA) que atingiu mais de 60 milhões de reais em faturamento. A iniciativa já possui mais de dois milhões de alunos em mais de 100 países diferentes e a meta é chegar em 100 milhões de pessoas em até sete anos.

LEIA TAMBÉM: Emprego formal de brasileiros em Portugal cresce 24% e supera 400 mil

Expansão internacional

Apenas em Portugal a plataforma já conta com 70 mil alunos e quer chegar a 200 mil pessoas nos próximos dois anos. O país foi o primeiro da expansão internacional da empresa há pouco mais de um ano.

“Nossa plataforma já era em português e precisamos fazer pequenas adaptações para o mercado português. Depois disso, começamos a escalar para outros países”, destaca Robson Amorim, sócio da startup.

Hoje, a solução possui versões em diversas línguas e 45% dos usuários vêm de outros países além do Brasil. Embora atue com profissionais na Europa, a empresa quer abrir uma sede física, que poderá ter sede em Lisboa, em breve.

Ele ressalta que o Brasil é um dos países com mais escolas de inglês do planeta mas apenas 3% da população é fluente. Segundo o executivo, o cenário em Portugal é melhor, mas muitas pessoas ainda não se sentem confortáveis para conversar na língua. Ele ressalta que a importância do aprendizado da língua colabora em diversos âmbitos no país europeu.

“O ensino do inglês tem importância na educação formal, já que muitas obras e artigos são nessa língua. Outro ponto é o acesso ao mercado de trabalho global, já que o inglês é praticamente a língua oficial da União Europeia”, avalia.

Segundo Amorim, o cenário é diferente do Brasil, em que as soluções servem primeiramente ao mercado local. “Em Portugal e outros países da Europa, a empresa precisa ser global desde o início. Por mais que seja uma empresa portuguesa, os clientes podem ser estrangeiros e a comunicação acontece em inglês”, analisa.

A fala é corroborada por Micael Jardim, fundador da Lingualize, escola de inglês brasileira e portuguesa focada no ensino de inglês para o mundo corporativo.

Portugal está integrado à Europa, e o inglês é o idioma que realmente sustenta a vida profissional por lá. É o idioma das empresas internacionais, do turismo, da tecnologia, de conferências e de praticamente qualquer carreira que queira crescer”, afirma.

A Lingualize nasceu no Brasil por meio de aulas particulares, treinamentos corporativos e consultoria linguística e depois chegou a Portugal, inicialmente com enfoque no ensino da língua para brasileiros que vivem no país.

LEIA TAMBÉM: Censo de tecnologia já mapeou 75 profissionais de tecnologia em Portugal em um mês

Com um modelo online e personalizado e com a ajuda da plataforma Fill The Song, que permite aprender o idioma com músicas e jogos, a empresa já abarca dezenas de alunos no país incluindo executivos de empresas internacionais.

A maioria é brasileira, mas o número de portugueses cresce a cada mês. A comunidade brasileira pedia suporte prático para entrevistas, reuniões e adaptação ao novo país, enquanto portugueses buscavam algo mais direto e orientado para carreira”, assinala o executivo.

Ele conta que muitos portugueses buscam professores britânicos e têm mais resistência a aprender com não nativos, enquanto os brasileiros, por identificação natural, preferem aprender com outros brasileiros no nível básico.

“Isso é positivo: para o iniciante, nativo não é necessário e nem recomendado. Ele não entende os erros típicos, não compreende as similaridades entre as línguas e não corrige o que realmente importa no início. O nativo é útil para quem já é avançado e quer ajustar sotaque ou detalhes regionais”, aponta.

A empresa quer continuar crescendo em Portugal e avançar para outros países da Europa, com foco na comunidade brasileira. Apesar disso, esse não é o único público.

É um público que reconhece o valor do inglês para acelerar carreira e vida pessoal. Mas também atendemos portugueses e outros europeus que buscam inglês global para negócios, não apenas sotaques específicos”, destaca.

Empreendedorismo com o inglês

O ensino da língua também abre espaço para profissionais autônomos que enxergam uma oportunidade de abrir seu próprio negócio e empreender em Portugal.

Margaret Mendes, conhecida como Teacher Maggie, conta que chegou em Lisboa há cinco anos e ficou impressionada com a fluência de portugueses na língua inglesa e passou a oferecer aulas a brasileiros no país.

“O Brasil é extremamente carente na fluência em inglês. A questão é cultural. Infelizmente, não temos inglês de qualidade na maioria das escolas desde o ensino primário, diferentemente de Portugal”, lamenta.

Hoje ela já possui 40 alunos e uma equipe de professores que a ajuda no país. Seu foco é ajudar brasileiros a se saírem bem em entrevistas em inglês, além de realizar mentorias profissionais, tradução de currículos e outros serviços.

“Tenho uma demanda que cresce mês a mês principalmente por parte dos brasileiros. Muitos brasileiros chegam à Europa sem ao mínimo ter o nível básico de inglês. Em média, 55% dos meus alunos estão no nível básico do idioma”, resume.

A principal necessidade, na sua visão, é se comunicar com outros países da Europa e trabalhar nos grandes centros, como Lisboa e Porto, concorrendo a cargos estratégicos que exigem ao menos o nível intermediário.

Ela destaca que é um mito o pensamento de que, por falar português, não é necessário falar inglês em Portugal.

O inglês já não é mais um diferencial no currículo de um brasileiro que vive na Europa como um todo. É imprescindível para atuar em empresas multinacionais, como também no dia a dia. No centro de Lisboa há lojas e restaurantes que os atendentes já chegam falando inglês com você. Nem parece que é Lisboa”, reforça.

Lisboa

Jornalista com graduação pela PUCPR, MBA em Rádio e TV pela Universidade Tuiuti do Paraná e mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa. Atuou como repórter da Gazeta do Povo nas editorias de economia, negócios e política e no portal TechTudo, além de experiência em veículos esportivos e especializados em tecnologia.

Dia das Mulheres
Entre Brasil e Portugal, chef Mirna Gomes fala sobre cozinha e os desa...
Eventos
Cascais divulga principais eventos e festas de 2026
Dia das Mulheres
De medalhista olímpica a empreendedora: brasileira impulsiona beach te...
Agricultura
Ministério da Agricultura atualiza regras sobre alimentos e produtos p...
Business
Grupo português especializado em varejo escolhe o Brasil para nova fas...
SHOW
Michael Jackson "volta" aos palcos em Portugal e com membros da equipe...
Consulado
Consulado-Geral do Brasil em Lisboa realizou uma média de 14,6 atendim...
SAMBA
Samba para celebrar as mulheres em Lisboa neste sábado (07)

Leia também

Entre Brasil e Portugal, chef Mirna Gomes fala sobre cozinha e os desafios de ser mulher e imigrante na gastronomia

Cascais divulga principais eventos e festas de 2026

De medalhista olímpica a empreendedora: brasileira impulsiona beach tennis em Cascais

Ministério da Agricultura atualiza regras sobre alimentos e produtos permitidos para levar na bagagem para o Brasil

Grupo português especializado em varejo escolhe o Brasil para nova fase de expansão internacional

Michael Jackson “volta” aos palcos em Portugal e com membros da equipe original do astro