Após mais de 50 dias de espera, cão de assistência chega a Lisboa para reencontro com menina autista
Família brasileira vivia drama após negativas da TAP ao transporte do animal, essencial para a saúde emocional da criança
Foi com emoção e alívio que a família da pequena Alice, uma criança de 12 anos com autismo, reencontrou o cão de assistência Teddy na manhã do último sábado (31), no aeroporto de Lisboa.
A notícia foi primeiramente repercutida pelo Público Brasil e marca o fim de uma espera angustiante que se arrastava por mais de 50 dias, em razão das recusas da companhia aérea TAP em autorizar o embarque do animal, mesmo com decisão judicial brasileira favorável.
Longa espera
A família, que se mudou para Portugal no início de abril após uma oportunidade profissional do pai de Alice, o médico Renato Sá, enfrentava dificuldades emocionais desde a separação entre a menina e seu cão de apoio.
A situação só foi destravada após a intervenção do governo brasileiro, por meio do ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que intercedeu junto à TAP e formalizou um acordo com Renato Sá.
Foi esse entendimento que permitiu que o treinador Ricardo Cazarotte, responsável pelo adestramento do animal, acompanhasse Teddy na cabine do avião.
O reencontro no aeroporto foi marcado por lágrimas e abraços. A mãe de Alice, Cíntia Porto, emocionou-se ao ver a filha mais velha, Hayanne Porto — que ficou no Brasil para cuidar de Teddy durante o impasse — e o próprio cão, segundo o Público Brasil.
Durante o período de separação, Alice enfrentou desequilíbrio sensorial e emocional. De acordo com o relato de Cíntia ao veículo, o suporte familiar e a terapia foram fundamentais para manter algum nível de estabilidade. Hayanne, que acompanhou toda a jornada com o cão desde o Brasil, também expressou alívio e esperança de que a rotina familiar possa, enfim, voltar ao normal.
O treinador Ricardo Cazarotte, cabo reformado da Polícia Militar de São Paulo e fundador da Doutores de Patas, projeto voltado ao treinamento de cães para auxiliar pessoas com deficiência ou condições específicas, acompanhou Teddy durante todo o voo.
Cazarotte relatou que Teddy viajou debaixo de suas pernas durante toda a viagem e não fugiu do padrão em momento algum.
Com experiência em treinar cães para múltiplas finalidades — desde assistência a crianças com autismo até detecção de explosivos e câncer —, Cazarotte afirmou que aproveitará a estadia em Portugal para orientar a família sobre a continuidade do treinamento.
Em Portugal, o caso chegou a repercutir no Parlamento. O partido PAN questionou o Ministério das Infraestruturas sobre a recusa da TAP em transportar o cão, apesar da decisão judicial brasileira que autorizava o embarque.
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