ELEIÇÕES

As incertezas das eleições presidenciais portuguesas

A pouco mais de um mês das eleições para o próximo presidente da República Portuguesa, o resultado continua imprevisível com número recorde de candidatos

Palácio Nacional de Belém, sede da Presidência da República. Crédito: Divulgação.

Marcadas para 18 de janeiro de 2026, as eleições presidenciais já são as mais concorridas e imprevisíveis de sempre.

Há um número recorde de candidatos apoiados por partidos, sete, e um candidato independente, que já estão a dividir e até confundir o eleitorado.

Sete dos candidatos contam com o apoio de partidos com assento parlamentar — algo nunca visto na democracia portuguesa. O máximo até agora tinha sido em 2021, com cinco candidatos apoiados por partidos.

Outro elemento novo é a força de um candidato independente: Henrique Gouveia e Melo, Almirante e antigo responsável pelo processo de vacinação contra a covid-19, mas sem experiência política anterior.

Crédito: Tiago Petinga/Lusa.

Entre os nomes melhor posicionados destacam-se Luís Marques Mendes, ex-presidente do PSD, que lidera várias sondagens e ganhou ainda maior notoriedade como comentador da atualidade na televisão nos últimos anos, e André Ventura, líder do Chega, que também aparece no topo das intenções de voto.

O candidato às eleições presidenciais, Luís Marques Mendes. Crédito: Carlos Barroso/Lusa.

 

O candidato à Presidência da República, André Ventura. Crédito: Nuno Veiga/Lusa.

António José Seguro, ex-secretário-geral do PS, surge em quarto lugar na maioria das sondagens, seguido de perto por João Cotrim Figueiredo, ex-líder da Iniciativa Liberal.

Candidato às eleições presidenciais, António José Seguro. Crédito: Carlos Barroso/Lusa.
O candidato à Presidência da República, João Cotrim de Figueiredo. Crédito: Eduardo Costa/Lusa.

Catarina Martins (BE), António Filipe (PCP) e Jorge Pires (Livre) aparecem nas sondagens com menor intenção de voto.

Depois de uma década com Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência, sempre eleito à primeira volta, estas eleições são vistas como altamente imprevisíveis e com grande probabilidade de irem a uma segunda volta — algo que só aconteceu em 1986.

O número de candidaturas apoiadas por partidos reflete a forte fragmentação política atual. Desde 2019 que não existiam tantas forças representadas na Assembleia da República, atualmente dez. Com exceção de CDS-PP, PAN e JPP, quase todas declararam apoio a um candidato, incluindo o PS, que não o fazia desde 2011.

Num contexto em que o Chega já se tornou a segunda força parlamentar, quebrando o tradicional domínio PS/PSD, a diversidade de candidatos e o envolvimento quase total dos partidos tornam esta corrida ainda mais disputada.

Quarenta anos depois da única segunda volta presidencial em Portugal, em 1986, esse cenário volta agora a parecer muito provável, refletindo também a crescente polarização da vida política nacional, uma tendência no mundo ocidental dos últimos anos.

*Com informações da Agência Lusa

Lisboa

Licenciou-se em Relações Internacionais na Universidade Técnica de Lisboa e fez mestrado em Jornalismo Internacional na Puc – São Paulo, entre outras formações.
Iniciou a sua carreira na TV SIC Notícias e foi correspondente Internacional da TVI no Brasil e outros países da América Latina.
Trabalhou na TV Globo Portugal no magazine cultural “Cá Estamos” e desenvolveu projectos dedicados ao canal em Portugal. É ainda autora de três livros.

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