Benfica sem brasileiros depois de 40 anos consecutivos
Foi com os desconhecidos Jorge Gomes, atacante formado no Vasco da Gama do Acre, e César, meia-atacante do Grêmio e América do Rio de Janeiro, que o Benfica começou, em 1979, uma histórica e forte ligação com jogadores brasileiros
A partir da temporada de 1984/85, o clube português cumpriu uma longa sequência de quase 41 anos contando com pelo menos um jogador de origem brasileira no elenco principal, algo que foi quebrado para a próxima temporada de 2025/26.
Pela primeira vez, depois de quatro décadas, os encarnados vão iniciar um novo ciclo sem sequer um único brasileiro à disposição, sobretudo porque o foco atual dos dirigentes deixou de ser a América do Sul.
Na temporada passada (2024/25), o Benfica chegou a ter três brasileiros: Morato (zagueiro), Marcos Leonardo (atacante) e Arthur Cabral (centroavante). No entanto, logo nos primeiros meses, vendeu os dois primeiros para a Inglaterra e Arábia Saudita, respectivamente.
Cabral permaneceu, mas sem muito espaço na equipe. Passou a ser apenas a terceira opção no ataque e, com isso, entrou prontamente na lista de dispensáveis. Acabou transferido em julho passado para o Botafogo.
Olhar hoje para o Benfica sem um rosto brasileiro é, de fato, surpreendente. É bastante estranho. Foram várias as referências que passaram com sucesso pelo Estádio da Luz.
O primeiro grande nome do país irmão a representar o mais titulado clube português foi Mozer. O ex-zagueiro do Flamengo e da Seleção liderou o eixo defensivo encarnado entre 1987 e 1989 e, posteriormente, entre 1992 e 1995.
Depois, ainda na década de 1990 e no começo dos anos 2000, vieram outros pesos pesados do outro lado do Oceano Atlântico: os zagueiros Ricardo Gomes e Aldair, o meia Valdo e o atacante Giovanni.
Em agosto de 2003, desembarcou em Lisboa aquele que viria a ser o brasileiro com mais jogos e títulos na história do Benfica. O zagueiro Luisão deixou o Cruzeiro para reforçar os encarnados, onde fez 538 jogos, ergueu 20 troféus e pendurou as chuteiras em 2018.
A temporada com mais brasileiros no plantel aconteceu em 2009/10, curiosamente sob o comando do velho conhecido Jorge Jesus: Júlio César, Marcelo Moretto, Luisão, Patric, David Luiz, Sidnei, Felipe Bastos, Airton, Felipe Menezes, Ramires, Weldon, Keirrison, Éder Luís e Alan Kardec. No total, 14.
Ainda brilharam no Benfica o lateral-esquerdo Léo (ex-Santos), os goleiros Júlio César (ex-Flamengo, Inter de Milão e Seleção) e Ederson (hoje no Manchester City), o zagueiro David Luiz (ex-Chelsea, Flamengo e, atualmente, no Fortaleza), o volante Ramires (ex-Chelsea) e o atacante Jonas (ex-Santos e Grêmio).
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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