NATUREZA

Ilha da Berlenga: o paraíso azul a 120 km de Lisboa

Arquipélago situado a 120 km de Lisboa, conhecido pelas suas grutas impressionantes, vegetação rara e recifes que abrigam uma rica vida marinha

Praia do Carreiro do Mosteiro, também chamada Praia da Berlenga Grande.
A Praia do Carreiro do Mosteiro, mais conhecida como Praia da Berlenga Grande, é um refúgio natural que encanta pela sua beleza selvagem e águas cristalinas, sendo um dos tesouros mais marcantes do arquipélago. Crédito: Déborah Lima.

O barco avança sobre a água azul-turquesa até que a silhueta rochosa da Ilha da Berlenga desponta no horizonte. Um bloco de beleza bruta resiste à braveza do Atlântico para guardar um santuário natural e histórico a 120 quilômetros de Lisboa, a oeste do Cabo Carvoeiro, em Peniche, na costa de Portugal.

A reserva natural é composta pela ilha Berlenga Grande e por dois grupos de ilhotas: as Estelas e os Farilhões-Forcados. Entre os destaques estão a Gruta do Furado Grande, uma cavidade feita pelo mar, e o Arco da Tromba do Elefante, estrutura em pedra que os guias turísticos juram ser o animal esculpido.

Esse é um refúgio de biodiversidade rara. O arquipélago abriga as únicas colônias de aves marinhas pelágicas ao largo do continente português, entre elas a cagarra, o roque-de-castro, a galheta e duas espécies de gaivotas. No chão, três plantas endêmicas (que só crescem ali) decoram a paisagem: a arméria, a pulicária e a herniária berlengiana. Debaixo d’água, a vida pulsa em recifes povoados por peixes e invertebrados, tornando a ilha um ponto de mergulho dos sonhos.

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“A água azul parece cena de filme. Foi incrível, um verdadeiro paraíso”, disse Quezia Santos. A descrição explica as distinções do arquipélago: Reserva Natural desde 1981, integrante da Rede Natura 2000, Zona de Proteção Especial para Aves Selvagens e Reserva Mundial da Biosfera pela Unesco.

O passeio de barco pelas grutas está entre as atividades mais procuradas.
Entre as experiências mais disputadas pelos visitantes está o passeio de barco pelas grutas, uma aventura imperdível que revela cenários deslumbrantes esculpidos pelo mar. Crédito: Berlenga Tur/Divulgação.

A riqueza exige restrições. Apenas a Berlenga Grande é acessível ao público, com limite diário de 550 visitantes e exigência de cadastro prévio na plataforma Berlengapass, com o pagamento de uma taxa de 3 euros por dia. Em 2023, mais de 77 mil pessoas visitaram a ilha, gerando recursos para sua manutenção.

O turismo ali conjuga experiência com responsabilidade. Lina Ferreira, gerente da empresa Berlenga Tur, explica: “A visita às grutas é o que mais vendemos porque é um passeio muito bonito. Há também as travessias em catamarã, trilhas e snorkel“. De abril a outubro, a empresa estima receber cerca de 22 mil turistas, sendo muitos brasileiros e
espanhóis.

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A empresa Feeling Berlenga aposta em atividades como pesca esportiva, batismo de mergulho e até pranchas elétricas. “Cada vez mais, quem visita a ilha tem essa consciência ecológica, embora ainda haja turistas menos atentos, que vêm só pela beleza”, diz David Completo, gestor da agência.

Forte de São João Baptista, construído no século XVI.
O Forte de São João Baptista, erguido no século XVI, é uma das joias históricas da ilha, guardando séculos de memórias e oferecendo uma vista privilegiada sobre o mar. Crédito: Izabelle Sabino/Arquivo pessoal

O Forte de São João Baptista, cravado nas pedras desde o século XVII, resistiu a ataques espanhóis, serviu de abrigo militar e virou uma pousada. Após a Revolução dos Cravos (1974), a gestão foi confiada à Associação Amigos da Berlenga, criada com a finalidade de preservar esse patrimônio cultural e natural.

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É difícil escolher o ponto mais bonito. A confeiteira Izabelle Sabino tenta resumir, mas acaba englobando tudo: “O que mais me encanta é… a ilha em si”. Como diz ela, “o conjunto de beleza, a cor da água, o Forte e o passeio às grutas”. Mas alerta: o balanço do barco pode ser um desafio para quem tende a ficar mareado.

O camping, fechado na pandemia, foi reaberto no ano passado com novas regras, equilibrando a presença humana com a preservação. São cuidados necessários para que o arquipélago continue a ser o que é: um espaço raro onde a natureza manda em tudo.

Essa reportagem foi publicada originalmente na revista EntreRios.

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Deborah Lima

Porto

Editor do site da EntreRios. Jornalista pela Universidade Federal de Pernambuco e mestrando em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto. Com passagem pela TV Jornal, Jornal do Commercio e BRASIL JÁ.

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