Ilha da Berlenga: o paraíso azul a 120 km de Lisboa
Arquipélago situado a 120 km de Lisboa, conhecido pelas suas grutas impressionantes, vegetação rara e recifes que abrigam uma rica vida marinha
O barco avança sobre a água azul-turquesa até que a silhueta rochosa da Ilha da Berlenga desponta no horizonte. Um bloco de beleza bruta resiste à braveza do Atlântico para guardar um santuário natural e histórico a 120 quilômetros de Lisboa, a oeste do Cabo Carvoeiro, em Peniche, na costa de Portugal.
A reserva natural é composta pela ilha Berlenga Grande e por dois grupos de ilhotas: as Estelas e os Farilhões-Forcados. Entre os destaques estão a Gruta do Furado Grande, uma cavidade feita pelo mar, e o Arco da Tromba do Elefante, estrutura em pedra que os guias turísticos juram ser o animal esculpido.
Esse é um refúgio de biodiversidade rara. O arquipélago abriga as únicas colônias de aves marinhas pelágicas ao largo do continente português, entre elas a cagarra, o roque-de-castro, a galheta e duas espécies de gaivotas. No chão, três plantas endêmicas (que só crescem ali) decoram a paisagem: a arméria, a pulicária e a herniária berlengiana. Debaixo d’água, a vida pulsa em recifes povoados por peixes e invertebrados, tornando a ilha um ponto de mergulho dos sonhos.
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“A água azul parece cena de filme. Foi incrível, um verdadeiro paraíso”, disse Quezia Santos. A descrição explica as distinções do arquipélago: Reserva Natural desde 1981, integrante da Rede Natura 2000, Zona de Proteção Especial para Aves Selvagens e Reserva Mundial da Biosfera pela Unesco.

A riqueza exige restrições. Apenas a Berlenga Grande é acessível ao público, com limite diário de 550 visitantes e exigência de cadastro prévio na plataforma Berlengapass, com o pagamento de uma taxa de 3 euros por dia. Em 2023, mais de 77 mil pessoas visitaram a ilha, gerando recursos para sua manutenção.
O turismo ali conjuga experiência com responsabilidade. Lina Ferreira, gerente da empresa Berlenga Tur, explica: “A visita às grutas é o que mais vendemos porque é um passeio muito bonito. Há também as travessias em catamarã, trilhas e snorkel“. De abril a outubro, a empresa estima receber cerca de 22 mil turistas, sendo muitos brasileiros e
espanhóis.
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A empresa Feeling Berlenga aposta em atividades como pesca esportiva, batismo de mergulho e até pranchas elétricas. “Cada vez mais, quem visita a ilha tem essa consciência ecológica, embora ainda haja turistas menos atentos, que vêm só pela beleza”, diz David Completo, gestor da agência.

O Forte de São João Baptista, cravado nas pedras desde o século XVII, resistiu a ataques espanhóis, serviu de abrigo militar e virou uma pousada. Após a Revolução dos Cravos (1974), a gestão foi confiada à Associação Amigos da Berlenga, criada com a finalidade de preservar esse patrimônio cultural e natural.
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É difícil escolher o ponto mais bonito. A confeiteira Izabelle Sabino tenta resumir, mas acaba englobando tudo: “O que mais me encanta é… a ilha em si”. Como diz ela, “o conjunto de beleza, a cor da água, o Forte e o passeio às grutas”. Mas alerta: o balanço do barco pode ser um desafio para quem tende a ficar mareado.
O camping, fechado na pandemia, foi reaberto no ano passado com novas regras, equilibrando a presença humana com a preservação. São cuidados necessários para que o arquipélago continue a ser o que é: um espaço raro onde a natureza manda em tudo.
Essa reportagem foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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