Black Friday: dicas para aproveitar os melhores descontos e não cair em golpes
É importante redobrar o cuidado com alguns fatores especialmente em lojas virtuais para não comprar em sites fraudulentos
A Black Friday está chegando, no dia 28 de novembro, e Portugal oferecerá diversos descontos em lojas por todo o país, sendo elas físicas, em shoppings, pelas ruas, ou virtuais.
Muitos descontos são tentadores e as ofertas são variadas, mas é importante ficar de olho em alguns cuidados e dicas para gastar de maneira responsável, aproveitar descontos que sejam verdadeiros e para evitar cair em golpes e fraudes, especialmente online, por parte de sites falsos que buscam enganar o consumidor de diversas maneiras.
Nos últimos anos, houve aumento na quantidade de golpes e fraudes nos ambientes virtuais, e, por isso, é preciso redobrar a atenção.
Para aproveitar o melhor dessa data, a EntreRios entrevistou Graça Cabral, coordenadora de comunicação da Deco, a maior associação de consumidores do país, que ofereceu dicas valiosas. Confira abaixo:
O que é preciso verificar antes de comprar?
É importante verificar se o produto oferecido de fato oferece um desconto verdadeiro. Para isso, é necessário verificar e acompanhar o preço do produto ao longo dos últimos 30 dias.
“Segundo a lei portuguesa, o desconto deve ser feito a partir do preço mais baixo dos últimos 30 dias. O preço não pode ser aumentado para depois receber o desconto”, alerta Graça.
Além disso, deve estar fixado, tanto em lojas físicas quanto virtuais, em forma de valores ou em percentual o preço original e o desconto oferecido.
Usar plataformas de comparações de preços do mesmo produto em diferentes lojas pode colaborar para uma tomada de decisão mais assertiva.
Fique de olho nas características do produto. Verificar se o produto que está comprando corresponde às especificidades do que você deseja. Isso vale para peças de vestuário e livros, mas merece especial atenção para equipamentos eletrônicos, especialmente celulares e notebooks. Itens como a validade e a garantia também merecem atenção.
A troca só é obrigatória se um produto tiver defeito e a garantia é de três anos. Caso o produto esteja em perfeitas condições, mas seja necessário fazer a troca (no caso de uma roupa que não serviu ou não foi da preferência da pessoa), é preciso ter atenção.
“Nesse caso, a troca é uma cortesia do comerciante. É importante verificar antes da compra se a loja faz trocas e devoluções, qual o prazo e as condições necessárias para isso. Vale negociar previamente com a loja”, detalha.
No caso de lojas online, verifique o valor do frete para entrega. Há lojas que oferecem descontos, mas aumentam o valor dos fretes, o que praticamente equivale os preços originais. Vale ficar de olho.
Vale ficar de olho no total gasto com todas as compras para evitar gastos excessivos e que estourem o orçamento.
Como evitar fraudes?
Em época de publicidades fartas e excessos de anúncios, é muito importante verificar a veracidade da loja virtual em que a compra será feita para não cair em golpes ou fraudes.
“No caso de lojas comerciais, é importante verificar alguns itens no site como endereço, email, telefone, canais de apoio ao cliente e a existência de lojas para acionar a garantia”, destaca a especialista.
Uma dica importante é verificar se o site começa por “htpps”: o “s” significa que o site possui mecanismos de segurança e é de fato confiável. Vale ainda fazer uma pesquisa sobre o site na internet para verificar se há queixas de outros consumidores. Tomar cuidado com preços muito abaixo do mercado também é importante.
Caso a compra seja feita por meio de um vendedor particular e não por meio de uma loja ou entidade comercial também é preciso ficar atento, afinal pode não haver garantias para os produtos. Além disso, associações não podem atuar em favor dos consumidores quando a compra acontece entre entes particulares.
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“A relação de consumo para a atuação dessas associações acontece apenas entre um consumidor e uma loja”, detalha.
Compras realizadas por meio de marketplaces, como os oferecidos pela Fnac ou pela Worten, oferecem a possibilidade de venda de produtos por parte de um vendedor particular.
Nesses casos, a lei ainda não é clara sobre a responsabilidade das lojas e pode haver dificuldades para a atuação de associações como a Deco. A revenda de automóveis, realizada por intermediários, também pode se enquadrar nesse caso.
O que fazer caso haja uma reclamação ou fraude?
No caso de reclamações sobre os produtos adquiridos, o consumidor pode entrar em contato com os canais de apoio da loja ou ir até uma loja física para verificar a possibilidade de uma troca ou devolução, por exemplo.
Caso não obtenha sucesso, ele pode acionar associações de consumidores, como a Deco, fazer o seu relato e reunir toda a documentação necessária. As associações fazem a mediação em nome do consumidor e buscam realizar um acordo extrajudicial com a marca para que haja a troca ou devolução do artigo ou produto.
“Temos uma taxa de sucesso de 85% dos casos que conseguimos resolver de maneira pacífica. Tentamos solucionar o caso até as últimas tentativas antes de ir a uma via judicial”, afirma.
Caso haja resistência por parte da entidade comercial, o consumidor pode acionar o centro de arbitragem de conflitos de consumo, que funcionam como tribunais sem custos aos reclamantes.
Se for vítima de fraude ou golpe, como a não entrega de um produto após uma compra em um site falso, é importante acionar as autoridades como a Polícia e a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) que poderão tomar as medidas cabíveis, como fiscalizações, multas, denúncias e até mesmo prisões. A ASAE possui um portal para o recebimento de denúncias. Outra possibilidade é por meio do portal do Governo, o EPortugal, nesse link.
Lisboa
Jornalista com graduação pela PUCPR, MBA em Rádio e TV pela Universidade Tuiuti do Paraná e mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa. Atuou como repórter da Gazeta do Povo nas editorias de economia, negócios e política e no portal TechTudo, além de experiência em veículos esportivos e especializados em tecnologia.
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