Brasil avança, mas fica atrás de Portugal em ranking de competitividade digital
Apesar da distância de 20 posições, ambos os países foram melhores em relação ao ano passado e melhoraram as suas colocações
Portugal está vinte posições acima do Brasil no World Digital Competitiveness Ranking 2025, divulgado pelo IMD World Competitiveness Center (WCC) e que mede a capacidade de 69 economias de todo o mundo de implementar tecnologias digitais no dia a dia e transformá-las em inovação, ciência e desenvolvimento.
Enquanto Portugal ficou em 33º com um score de 71.29, subindo duas posições em relação a 2024, o Brasil está em 53º lugar, com 51.63, subindo quatro posições em relação ao ano passado.
Suíça, Estados Unidos e Singapura ocupam as três primeiras posições do ranking global, refletindo políticas de longo prazo voltadas à inovação, educação e desenvolvimento de competências digitais.
O país sul-americano também ficou em 21º lugar entre as economias com mais de 20 milhões de pessoas, enquanto os portugueses figuraram em 21º entre as economias com populações menores que 20 milhões.
Critérios do ranking
O ranking apresentou três fatores principais: tecnologia, conhecimento e prontidão para o futuro. A metodologia do IMD combina dados estatísticos de fontes internacionais e percepções de executivos sobre 61 indicadores, cobrindo aspectos de conhecimento, infraestrutura tecnológica e capacidade de adaptação. A edição de 2025 incorporou três novas economias: Quênia, Omã e Namíbia.
“O estudo concluiu que barreiras ao comércio e ao investimento, características significativas da fragmentação geopolítica, estão a ter implicações na capacidade digital das economias, com repercussões para as empresas que operam nessas regiões”, apresenta o comunicado que acompanha o estudo, acrescentando que as economias menos afetadas pela fragmentação comercial “estão avançando rapidamente”, como é o caso do Qatar (20.º lugar, subida de seis posições).
O Brasil apresentou melhora nos três fatores analisados: tecnologia (58º), conhecimento (56º) e prontidão para o futuro (50º), este último com o maior progresso, subindo três posições em relação ao ano anterior. O resultado sinaliza uma recuperação gradual da competitividade digital brasileira, impulsionada por avanços em inovação, digitalização e adaptação às transformações tecnológicas globais.
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O destaque brasileiro também vem em produtividade de publicações por pesquisas (9º lugar), investimentos privados em inteligência artificial (16º), número de robôs em educação e P&D (17º), uso de serviços públicos online (19º) e uso de smartphones (19º). Em todos esses quesitos, o país supera Portugal.
Por outro lado, os menores índices estão em experiência internacional (64º), gerenciamento de cidades (64º), profissionais estrangeiros altamente qualificados (63º), venture capital (64º) e transferência de tecnologia (65º).
“A jornada brasileira rumo a um futuro digital competitivo depende da preparação da força de trabalho e da consolidação de um ecossistema que fomente ativamente a inovação”, afirma Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, parceira do IMD na divulgação do estudo no Brasil.
Ele destaca ainda que a modernização regulatória e o fortalecimento da educação digital são pilares essenciais para que o país avance de forma sustentável.
Portugal, por outro lado, apresentou crescimento no quesito tecnologia (36º), conhecimento (28º) e prontidão para o futuro (38º). Os números têm se mostrado estáveis desde 2021, com um avanço de posição mais significativa em tecnologia.
Os principais destaques do país europeu estão em leis de imigração (5º), tecnologia de comunicações (8º), flexibilidade e adaptabilidade (11º), relação aluno-professor no ensino superior (10º) e existência de proteção de leis de privacidade (2º). Em todos esses, supera os números do Brasil.
Porém, o país tem seus piores desempenhos nos quesitos treinamento de funcionários (61º), agilidade de empresas (58º), banda larga sem fio (56º), uso de big data e analytics (55º), exportações de alta tecnologia (52º).
Confira o relatório completo aqui.
Lisboa
Jornalista com graduação pela PUCPR, MBA em Rádio e TV pela Universidade Tuiuti do Paraná e mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa. Atuou como repórter da Gazeta do Povo nas editorias de economia, negócios e política e no portal TechTudo, além de experiência em veículos esportivos e especializados em tecnologia.
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