Caos no aeroporto de Lisboa: filas, suspensão do sistema eletrônico e anúncio de novos investimentos
Durante o fim de ano, brasileiros chegaram a esperar por até nove horas nas filas do aeroporto
O Governo português interrompeu a utilização do sistema eletrônico de controle de fronteiras, o Sistema Entradas/Saídas (SES) no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, no final do ano passado, após os registros de que passageiros chegaram a esperar até nove horas para passagem no controle de imigração. A suspensão acontecerá durante três meses.
Para além disso, o Ministério da Administração Interna aprovou que a Polícia de Segurança Pública (PSP) gaste um total de 7,5 milhões de euros na aquisição de harware (e-gates), software e serviços de manutenção corretiva até 2028. Segundo o governo, isso deverá incrementar em 30% a capacidade de equipamentos eletrônicos e físicos.
“A implementação destes sistemas visa reforçar a segurança interna e melhorar a gestão de fluxos no aeroporto, incluindo, o aumento das posições de controlo de fronteira neste Aeroporto”, afirmou a PSP, em nota enviada à EntreRios.
Segundo a PSP, o controle no aeroporto será reforçado por militares da Guarda Nacional Republicana (GNR). Ao todo, o aeroporto deve contar com 24 novos militares no local. A medida, porém, deve resultar em pouco efeito prático, já que o aeroporto já contou com 80 novos policiais no aeroporto durante o passado fim de ano.
O órgão afirmou estar que “praticamente em capacidade máxima no controlo de fronteira, porém em determinados momentos, o tempo de espera, por vários fatores, não é o desejável”.
Atualmente, a PSP/UNEF possui a Divisão de Segurança Aeroportuária e Controlo Fronteiriço, responsável pela infraestrutura e controle de fronteira aérea e afirma que, para além dos e-gates, são disponibilizados pela gestora do aeroporto, a empresa ANA, 16 balcões de atendimento das chegadas e 14 nas partidas, além de outros seis balcões de atendimento no Terminal 2.
O Sistema eletrônico SES começou a ser implantado em Portugal em 12 de outubro do ano passado com a coleta de dados biométricos (impressões digitais e reconhecimento facial) e levaria seis meses até a sua instalação completa.
Porém, com o aumento dos tempos de espera nas filas de imigração e com as falhas nos equipamentos de reconhecimento, o sistema foi suspenso e agora retornará o sistema manual para o controle de fronteiras.
A situação foi agravada pela visita surpresa de uma equipe da Comissão Europeia que, no último dia 15, identificou “deficiências graves” no sistema do aeroporto português e exigiu a adoção de mudanças.
O governo chegou a admitir, no último dia 18, que poderia suspender o sistema durante o final do ano mas o anúncio só foi feito oficialmente no dia 30 de dezembro, após novos relatos de filas ainda maiores que as anteriores. Uma nova fiscalização deverá ser realizada ainda no começo de 2026.
À Lusa, uma porta-voz da Comissão disse que deve contactar o governo português para pedir mais informações sobre as ações a serem tomadas.
Desde que houve a interrupção da utilização do sistema eletrônico, os relatos são de que há pouco tempo de espera nas filas.
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Lisboa
Jornalista com graduação pela PUCPR, MBA em Rádio e TV pela Universidade Tuiuti do Paraná e mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa. Atuou como repórter da Gazeta do Povo nas editorias de economia, negócios e política e no portal TechTudo, além de experiência em veículos esportivos e especializados em tecnologia.
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