Caretos de Podence: como é vivenciar um dos carnavais mais genuínos de Portugal
Ao longo de quatro dias, cerca de 40 mil pessoas ocupam as ruas da aldeia transmontana para acompanhar desfiles, mergulhar na cultura local e a assistir a queima do entrudo
Podence tem cerca de 200 habitantes, mas, durante o Carnaval, a pequena aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros, no norte de Portugal, vê a população se multiplicar. Ao longo de quatro dias de festa, cerca de 40 mil pessoas ocupam as ruas para acompanhar de perto uma das celebrações mais singulares do país.
A vila ganha decoração colorida e muitas casas abrem as portas e transformam adegas e garagens em tabernas improvisadas, onde não faltam sabores típicos da região, como o butelo, os enchidos e os grelos. Entre um desfile e outro, vinho e aguardente ajudam a espantar o frio, com temperaturas que costumam rondar os 8 graus.

Mas o que torna esse Carnaval um dos mais genuínos de Portugal são os Caretos de Podence. Reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2019, eles são o coração da festa e representam o fim do inverno, o renascimento da natureza e a fertilidade.
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Vestidos com trajes coloridos, máscaras de metal ou couro e chocalhos presos à cintura, os caretos tomam as ruas em correrias, brincadeiras e provocações bem-humoradas. Invadem praças, surpreendem moradores e visitantes e mantêm viva uma celebração ancestral que atravessa gerações e segue marcando a identidade cultural da aldeia.

Murais com personalidades
Quem caminha pelas ruas de Podence encontra a aldeia transformada em uma verdadeira galeria a céu aberto. As paredes das casas servem de tela para mais de 20 murais dedicados ao Entrudo Chocalheiro — um retrato vivo do orgulho que os moradores têm desse ritual ancestral.
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Entre as pinturas, surgem também figuras conhecidas mundialmente, como o Papa Francisco, o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, Cristiano Ronaldo e até Madonna, mural inaugurado justamente neste Carnaval.

Todas as obras são assinadas pelo artista Ricardo Dobrões, mais conhecido como Odra Trip, que resume o sentimento da comunidade: “É um grande orgulho ser o pintor da aldeia mais colorida de Portugal”.
Queima das energias negativas
Todos os dias há uma programação especial. O público é convidado a mergulhar na cultura local por meio de oficinas de pintura das tradicionais máscaras, visitas ao Museu do Careto — onde é possível conhecer a origem e o significado do Entrudo — e lojas com lembranças temáticas.
A agenda inclui ainda caminhadas e passeios de barco, que ampliam a experiência e aproximam os visitantes da paisagem, da história e dos costumes da região.

Na terça-feira de Carnaval acontece o momento mais esperado: a queima do entrudo. Em um ritual coletivo, moradores e visitantes se reúnem para simbolicamente queimar as energias negativas, marcando o início de um novo ciclo.
renata@revistaentrerios.sapo.pt
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