Agenda migratória do novo presidente do Chile pode atingir brasileiros no país
Vitória do candidato de extrema-direita reflete avanço do discurso de endurecimento migratório e de segurança pública no país
O Chile escolheu, neste domingo (14), o político de extrema-direita José Antonio Kast como presidente a partir de 2026. Ele obteve 59% dos votos, superando a candidata comunista Jeanette Jara. O resultado consolida a ascensão de uma agenda que coloca a imigração no centro do debate político.
Jeanette Jara reconheceu a derrota por meio das redes sociais. “A democracia falou forte e claro. Acabo de fala com o presidente eleito José Antonio Kast para desejar-lhe êxito pelo bem do Chile”, escreveu.
Kast é apontado como o candidato de direita mais radical desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet e já liderava as pesquisas antes do segundo turno. O crescimento da criminalidade nos últimos anos impulsionou o apoio a propostas mais duras, sobretudo aquelas voltadas à deportação de imigrantes em situação irregular.
Durante a campanha, o então candidato afirmou que a eleição funcionaria como um plebiscito e reiterou a promessa de expulsar todos os estrangeiros sem documentos.
Embora Jeanette Jara tenha ficado à frente no primeiro turno, realizado em 16 de novembro, a soma dos votos dos candidatos de direita ultrapassou 50%, unificada por um discurso comum: combater o crime e responsabilizar a imigração irregular pelo aumento da violência e do crime organizado, temas centrais do processo eleitoral.
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Apesar de o Chile ainda figurar entre os países mais seguros da América Latina, a criminalidade tornou-se a principal preocupação da população. Segundo pesquisa do instituto Ipsos divulgada em outubro, 63% dos chilenos apontam a violência e as atividades criminosas como o maior problema do país.
Brasileiros no Chile
Todos os anos, o Ministério das Relações Exteriores divulga o relatório “Comunidades Brasileiras no Exterior”, que reúne dados atualizados sobre o número de brasileiros que vivem fora do país e a sua distribuição global, com base em informações encaminhadas pelos postos do Itamaraty no exterior. Em 2023, a estimativa apontava cerca de 4,9 milhões de brasileiras e brasileiros residentes fora do Brasil, um crescimento aproximado de 400 mil pessoas em relação ao ano anterior. Considerando os dados do Censo 2022, esse contingente equivaleria, em termos populacionais, ao 13º estado mais populoso da Federação. No Chile, segundo levantamento divulgado em 2024 com ano-base em 2023, viviam cerca de 19.500 brasileiros.
*Com informações de CBN
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