Cultura

Cinema: Dira Paes destaca urgência do filme “Manas” sobre abusos no Marajó

Com direção sensível e atuação poderosa, o filme expõe uma realidade brutal vivida por crianças e mulheres na região amazônica do Marajó

Dira Paes destaca o talento e sensibilidade no olhar feminino da direção de "Manas". Crédito: Renan Oliveira

O premiado longa-metragem “Manas”, dirigido por Marianna Brennand, estreou em Portugal nos últimos dias depois de ter conquistado o público e a crítica em festivais internacionais, incluindo o prestigiado Festival de Veneza. O filme traz à tona uma realidade dolorosa e urgente: os abusos sexuais contra mulheres e crianças na região amazônica, especialmente no arquipélago do Marajó, no norte do Brasil.

Quem também se emociona com a força da obra é a atriz Dira Paes, que integra o elenco e destaca a relevância social e humana do filme: 

“É um filme que, sem dúvida nenhuma, dialoga com o mundo. A gente tem percebido isso nas sessões tanto no Brasil quanto internacionais como o filme atravessa a alma de todo mundo com uma questão urgente, que é a proteção das nossas crianças e adolescentes”, afirma Dira. 

A atriz ainda reforça que o tema não se restringe a uma realidade local: “Infelizmente, isso se dá em todas as camadas sociais, em todos os perfis. E isso prova que é uma mazela social. O filme se torna urgente exatamente por falar sobre isso”

Dira Paes e Jamilli Correa em “Manas”. Crédito: Divulgação.

Dira Paes também faz questão de enaltecer o trabalho da diretora Marianna Brennand, que estreia na ficção com um olhar potente e sensível, e da jovem atriz Jamilli Correa, revelação do longa: 

“A Marianna alcançou uma maturidade no seu primeiro longa de ficção que é rara”, elogia. “A gente percebe o envolvimento, o mergulho nas questões que o filme aborda. E também nessa seleção de elenco que faz ela descobrir Jamilly, essa menina com uma cinegenia tão forte que faz com que a gente não desgrude os olhos dela na tela. E a Marianna conduz todos os atores de uma maneira brilhante, admirável e corajosa por abordar um tema que não é fácil traduzir numa obra cinematográfica”. 

“Manas” retrata um Brasil profundo, vulnerável e esquecido. Crédito: Divulgação

Retratando o Marajó, uma das regiões mais isoladas da Amazônia, Manas também lança luz sobre o abandono histórico de áreas remotas do Brasil: “É importante destacar que a mazela abordada no filme não diz respeito só à região amazônica. Mas ter esse recorte de uma região geograficamente isolada ajuda a lançar luz sobre a necessidade da presença do Estado nesses lugares recônditos”, pontua Dira.

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Na obra Dira Paes vive Aretha. Uma delegada de polícia que auxilia a população ribeirinha e  é fundamental para o desfecho da trama. Para a atriz sua personagem evidencia a importância do cuidado coletivo:

“A minha personagem se torna fundamental justamente para demonstrar que, quando você tem alguém que olha por você, você está mais seguro”

A diretora Marianna Brennad e a produtora Carolina Benevides na pré-estreia do filme em Lisboa. Crédito: Jordan Alves

Com uma narrativa sensível e poderosa, Manas não apenas emociona, mas provoca reflexão e indignação. Ao estrear em solo europeu, o filme reafirma seu papel de denúncia — e de resistência.

“Lançar o olhar sobre problemas sociais e humanos é sempre necessário. “E Manas cumpre esse papel com coragem e beleza”, conclui Dira Paes. O filme segue em cartaz nos cinemas de Portugal. 

Jornalista com pós graduação em Marketing Digital. Atuou na TV Globo, Band, SBT, Record, TV Brasil e nas rádios Globo e CBN. Em Portugal apresentou telejornal para países lusófonos, na Banda TV. Foi repórter e colunista de cultura da Revista Brasil JÁ e atualmente assina a editoria de cultura da EntreRios.

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