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COP30: apelos contra o aquecimento crescem e BNDS mobiliza mais de 21 bilhões de reais para transição sustentável

Acordo entre Brasil e Portugal para investigação do Oceano Atlântico e críticas à ausência dos EUA na Conferência Mundial também marcaram as agendas

COP30 em Belém, no Pará. Crédito: Agência Brasil.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou ontem (12) a captação de R$ 21 bilhões em novos financiamentos internacionais destinados a projetos de energia renovável, biocombustíveis, mobilidade urbana e apoio a micro e pequenas empresas, com foco na sustentabilidade.

A operação foi articulada em parceria com um consórcio de instituições financeiras internacionais do Japão, Alemanha, França e Itália.

“Esses R$ 21 bilhões são mais uma grande entrega do BNDES, a instituição que mais financia a transição energética no planeta. Com o objetivo de colocar o Brasil na liderança global da descarbonização e da promoção da agenda verde, prioridades do governo do presidente Lula”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Sede do BNDS. Crédito: Agência Brasil.   

Acordo entre Brasil e Portugal para investigação do Oceano Atlântico

Os dois países reforçaram a cooperação científica na investigação do mar profundo, “com missões científicas conjuntas no Atlântico” em parceria com a Marinha do Brasil., declarou o Ministério da Agricultura e Mar de Portugal, José Manuel Fernandes.

“O conhecimento do mar profundo é essencial para a afirmação dos direitos de soberania e para a sustentabilidade dos oceanos” concluiu.

Aquecimento global

O presidente da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP30), André Corrêa do Lago, divulgou uma carta aberta na qual se diz confiante de que é possível manter a meta de limitar o aquecimento global a 1,5ºC (graus Celsius).

Correa do Lago adverte que o planeta se aproxima de pontos de inflexão climáticos “irreversíveis”, mas defende que ainda há esperança se forem ativados “pontos de inflexão positivos”. Mas só é possível, “mediante transformações tecnológicas, sociais e económicas orientadas para um desenvolvimento com baixas emissões de carbono”.

O embaixador incentivou os países a intensificarem a cooperação e a ação climática para tentar alcançar este objetivo. “O mundo está numa encruzilhada: permitir que a inércia nos leve ao colapso ou unir-nos com coragem e cooperação para avançar”.

Segundo um relatório divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) apesar da moderação das temperaturas até agora, em 2025, “mantém-se a tendência para o aquecimento extremo” e este ano será o segundo ou terceiro mais quente já registrado.

Já a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, mostrou uma perspectiva menos otimista “esta onda invulgar de altas temperaturas, combinada com o aumento recorde das concentrações de gases com efeito de estufa em 2024, tornará quase impossível limitar o aquecimento global a 1,5 °C nos próximos anos, sem que as temperaturas ultrapassem temporariamente esse limiar”.

LEIA TAMBÉM: Primeiro dia da COP30 tem discurso de Lula e 111 metas entregues

Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica

“A temperatura global, na floresta amazónica também está próxima de um ponto de colapso sem retorno”, afirmou a deputada federal do Brasil, Célia Xakriabá. Ela pediu que os financiamentos climáticos não se concentrem apenas na Amazónia, mas também noutros biomas brasileiros.

“É preciso reconhecer o cerrado brasileiro, o bioma de sacrifício, mas também os biomas da Mata Atlântica e o Pantanal” disse em declarações à Agência Lusa e à France-Press (AFP).

Os países em desenvolvimento insistem em negociar em Belém como alcançar 1,3 bilhões de dólares para atingir as suas metas climáticas.

Novas metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa estão também na agenda da conferência. E ONU alerta que as alterações do clima podem levar quase 6 milhões de crianças e jovens à pobreza somente na América Latina.

Criticas à ausência do governo Trump

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, criticou a ausência dos Estados Unidos na COP30 e defende que o país retorne ao Acordo de Paris.

O democrata participou nessa terça-feira (11) de uma coletiva onde acentuou as críticas ao governo Trump: “Estou muito consciente de que o governo abandonou qualquer senso de dever, responsabilidade ou liderança em relação às questões que nos reúnem aqui hoje. É uma abominação, é uma vergonha” e garantiu que a Califórnia é “um parceiro estável e confiável no crescimento verde e de baixo carbono. Quero que saibam que reconhecemos nossa responsabilidade e também reconhecemos nossa oportunidade”.

 A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém do Pará, iniciou na segunda-feira, 10 de novembro. O evento reúne mais de 50 mil participantes e líderes do mundo todo para debater soluções contra o aquecimento global e fortalecer políticas de adaptação à crise climática.

*Com Agência Brasil e Agência Lusa

Lisboa

Licenciou-se em Relações Internacionais na Universidade Técnica de Lisboa e fez mestrado em Jornalismo Internacional na Puc – São Paulo, entre outras formações.
Iniciou a sua carreira na TV SIC Notícias e foi correspondente Internacional da TVI no Brasil e outros países da América Latina.
Trabalhou na TV Globo Portugal no magazine cultural “Cá Estamos” e desenvolveu projectos dedicados ao canal em Portugal. É ainda autora de três livros.

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