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COP30 começa hoje. Entenda o que é o evento, principais desafios e o que está em jogo

Primeira Conferência Climática da ONU no Brasil deve superar dificuldades para avançar em metas concretas para diminuir o impacto das mudanças climáticas

Líderes mundiais presentes na Cúpula dos Líderes, evento pré-COP30. Crédito: Ricardo Stuckert/Agência Brasil

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas 2025, a COP30, começa nessa segunda-feira, em Belém. Essa será a primeira vez que uma cidade brasileira recebe o evento que se estende até 21 de novembro. Ao longo de duas semanas, autoridades de governos de diversos países, diplomatas, especialistas e ativistas se reúnem para estabelecer metas e acordos para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e limitar as emissões de gases do efeito estufa.

A expectativa é que mais de 50 mil pessoas de mais de 200 países estejam presentes na capital paraense. O evento será simbólico por acontecer em meio à Floresta Amazônica, essencial para o controle das mudanças climáticas.

Dez anos do Acordo de Paris e novas metas globais

O encontro marca os dez anos desde que o mundo celebrou o Acordo de Paris, que estabeleceu como meta principal limitar o aumento da temperatura mundial em 2ºC acima da época pré-industrial, mas buscando manter o aumento em até 1,5ºC. O tratado foi assinado por 150 países.

A meta, porém, foi ultrapassada em 2024, chegando a 1,6ºC, e tem gerado preocupações e muito ceticismo em relação ao cumprimento dessas metas, segundo relatório apresentado pela própria ONU. O documento tem apontado para um aumento de cerca de 2,5ºC até 2035.

As emissões de CO2 têm continuado a aumentar por conta da utilização de combustíveis fósseis, energias poluentes e desmatamento por parte de diversos países do mundo.

Em paralelo, os Estados Unidos também deixaram o Acordo de Paris no início do ano (se juntaram a Irã, Líbia e Iêmen aos países fora do acordo) com a posse de Donald Trump, gerando mais preocupações, uma vez que os EUA estão entre os países mais poluidores do mundo. As metas de cada país (as chamadas NDCs) são voluntárias.

A presidência da COP30 ainda mantém a esperança do atingimento das metas. “Manter vivo o objetivo de limitar o aquecimento em 1,5 °C ainda é possível, desde que a cooperação internacional se concentre em catalisar círculos virtuosos de transformação acelerada”, afirmou a presidência em carta oficial.

Cúpula de Líderes: ausências e novos compromissos

É com essa preocupação que a COP30 se inicia. 143 delegações e 57 chefes de estado e de governo já estiveram presentes na Cúpula de Líderes que aconteceu entre os dias 6 e 7 de novembro, evento preparatório para a COP, mas líderes importantes como Donald Trump, o presidente chinês Xi Jinping, e o argentino Javier Milei não comparecerão.

Durante a Cúpula de Líderes, os países assinaram compromissos para quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis e energias renováveis até 2035, a criação de sistemas semelhantes para a implantação de um mercado de carbono, o lançamento do Fundo Florestas Tropicais (para a preservação de florestas) e a busca pelo fim da utilização dos combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão. Financiamento, uso de combustíveis fósseis, energias renováveis e natureza serão os principais temas a serem discutidos.

COLUNA VIA BRASIL: COP do Brasil pode mudar o mundo

Há, porém, grandes dificuldades para que os países enviem (e cumpram) suas novas metas climáticas, com a realização de ações práticas. Até agora, quase 90 países ainda não enviaram seus novos compromissos. Com as metas atuais, só são cobertas 30% das emissões do planeta, quando o necessário seria 60% das emissões atuais buscando o atingimento das metas do Acordo de Paris.

“Mapas do caminho” e compromissos brasileiros

A organização da COP30 e o governo brasileiro falaram sobre o chamado “mapa do caminho” ou roadmap, em inglês, que significam planos de ação com etapas, metas e prazos concretos, definindo quem fará o que e com quais recursos visando um objetivo comum.

“Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapas do caminho para, de forma justa e planejada, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos”, afirmou Lula durante a Cúpula dos Líderes.

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Desde a COP28, em Dubai, os países concordaram que é preciso fazer uma transição para o fim da utilização dos combustíveis fósseis, mas as definições concretas sobre como isso acontecerá ainda seguem indefinidas.

Na COP29, ficou acordado que os países desenvolvidos se comprometeriam a investir ao menos US$300 bilhões ao ano até 2035 para ajudar países em desenvolvimento a buscarem alternativas para a descarbonização.

O valor ficou abaixo do desejado pelos países em desenvolvimento que demandavam o valor de US$1,3 trilhão ao ano até 2035. As formas sobre como esse financiamento deve acontecer também não ficaram claras. A grande esperança é que a COP30 possa apresentar avanços nesse sentido, mas o avanço de ações concretas é vista com ceticismo e cautela por especialistas.

Especialistas alertam para desafios e contradições

Especialistas alertam que, embora a COP30 seja vista como um marco importante, ainda há contradições e incertezas quanto à sua capacidade de gerar resultados concretos.

A advogada Isabela Morbach, fundadora da CCS Brasil e sócia do Costa Rodrigues Advogados, observa que o comprometimento dos países “está sempre presente durante as COPs”, mas o grande obstáculo continua sendo a origem dos recursos para financiar os projetos de descarbonização. Para ela, é essencial “agir e estabelecer ações claras”, o que permitirá identificar quais países estão realmente dispostos a investir na transição climática.

Na mesma linha, Paulo Castro, partner da área de Advisory da BDO, destaca que a COP30 “representa uma oportunidade estratégica para reforçar a cooperação internacional na transição para uma economia de baixo carbono”, mas alerta para a necessidade de cautela quanto ao que poderá ser efetivamente entregue.

Já Pedro Sereno, integrante de uma rede de jovens delegados pelo clima e membro da delegação portuguesa na COP, ressalta que o evento ocorre em um contexto geopolítico “complexo e fragmentado”, marcado por sinais crescentes de desregulação.

Ele aponta que a ausência de líderes dos Estados Unidos e da China enfraquece o peso político da conferência e que “a aprovação de novos poços de petróleo na foz do Amazonas passa uma mensagem paradoxal àquele que devia ser o espírito do evento”.

Sereno se refere à autorização do Ibama para a perfuração de um poço exploratório de petróleo em águas profundas do Amapá, a 500 quilômetros da foz do rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa, na Margem Equatorial brasileira, a poucos dias do início do evento.

Brasil quer liderar a transição climática

Há a expectativa que o Brasil se coloque como ator relevante nesse cenário, liderando diversas iniciativas para que os compromissos se tornem ações práticas, como já aconteceu com o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) na semana passada.

Em meio a polêmicas e indefinições, a abertura oficial da COP30 acontece nessa segunda-feira (10). Os organizadores seguem sendo otimistas.

“Eu acredito que a gente vai ter quase que a totalidade das partes da ONU presente aqui em Belém. Cada dia esse número que está em negociação diminui e o número de confirmações aumenta. Então isso nos dá uma tranquilidade de saber que vamos ajeitar todo mundo”, afirma o secretário extraordinário da COP30, Valter Correia.

Lisboa

Jornalista com graduação pela PUCPR, MBA em Rádio e TV pela Universidade Tuiuti do Paraná e mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa. Atuou como repórter da Gazeta do Povo nas editorias de economia, negócios e política e no portal TechTudo, além de experiência em veículos esportivos e especializados em tecnologia.

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