CPLP terá concursos focados em diversidade de gênero e país
Editais devem começar a ser publicados entre setembro e outubro, com vagas nas áreas de cultura, comunicação e gestão
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) está prestes a iniciar um novo ciclo institucional com a promessa de novas contratações. A partir do segundo semestre de 2025, a organização sediada em Lisboa pretende lançar concursos públicos para contratação de novos profissionais em áreas estratégicas como cultura, comunicação e gestão.
“A CPLP está bem desfalcada de pessoal”, afirma Juliano Féres Nascimento, embaixador do Brasil junto à CPLP, em entrevista exclusiva à EntreRios.
Segundo ele, ao menos oito vagas devem ser preenchidas até 2026. Os concursos serão abertos a cidadãos dos nove países-membros da comunidade, com critérios que buscam garantir equilíbrio de gênero e representatividade nacional. “Queremos uma diversidade também de nacionalidade”, afirmou. “Não posso ter quatro diretores brasileiros. Eu quero um brasileiro, um angolano, um cabo-verdiano, um português…”.

A expectativa é que os primeiros editais sejam lançados entre setembro e outubro. O diplomata explicou que o processo será público e transparente, com o apoio da imprensa para garantir ampla divulgação.
SAIBA MAIS: Consulado do Brasil inicia ciclo de palestras voltadas a mulheres empreendedoras
O novo ciclo coincide com a chegada de uma nova secretária executiva à liderança da CPLP, a diplomata e antiga ministra angolana Maria de Fátima Jardim. Ela sucede ao timorense Zacarias da Costa, que completou dois mandatos (desde 2021) no cargo.
Trata-se da terceira mulher a ocupar o cargo. A primeira delas foi a brasileira Dulce Pereira (2000-2002); a segunda assumiu 17 anos depois: Maria do Carmo Trovoada Pires de Carvalho Silveira, de São Tomé e Príncipe (2017-2019).

Para o embaixador, a mudança deve trazer uma nova dinâmica à organização. Ele acredita que a nova liderança será importante para implementar os projetos previstos e conduzir os concursos com foco em diversidade e fortalecimento institucional.
Embora as mulheres representem a maioria do quadro técnico atual da CPLP, o embaixador alertou para a ausência delas nos cargos de chefia.
“Tem coisa de vinte e poucos funcionários, tem dezoito mulheres, mas nos cargos de direção não tem nenhuma mulher. O esforço agora é para que a gente tenha mais mulheres em cargos de chefia, de direção.”
A sede da CPLP fica em Lisboa, capital de Portugal.
Criada em 1996, a comunidade reúne nove países que compartilham a língua portuguesa como idioma oficial: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
O objetivo principal da organização é aprofundar a amizade e a cooperação político-diplomática entre os seus membros.
Lisboa
Jornalista formada pelo Centro Universitário de Belo Horizonte e mestre em Jornalismo pela Universidade Nova de Lisboa. Atuou no jornal Estado de Minas, na Rede 98 e colaborou com a Folha de S.Paulo. Em Portugal, foi repórter da revista Brasil Já. Atualmente, é repórter e coordena as redes sociais da EntreRios.
- Últimas Notícias