Crise Europa EUA

Desejo de Trump pela Gronelândia causa preocupação na Europa

Depois da intervenção na Venezuela, o presidente americano voltou a insistir na aquisição do território da Dinamarca, criando tensão diplomática com a Europa

Gronelândia; Créditos; Imagem de Bernd Hildebrandt por Pixabay

A intenção do Presidente dos EUA, Donald Trump de adquirir a Gronelândia, admitindo usar força militar, voltou a provocar tensão diplomática com a Europa num contexto agravado pela intervenção norte-americana na Venezuela.

Território autónomo do Reino da Dinamarca, situado entre os oceanos Atlântico e Ártico, a Gronelândia tem cerca de um quarto da sua superfície coberta de gelo, uma população de aproximadamente 56.000 habitantes e recursos minerais estratégicos.

O interesse de Trump pela Gronelândia já vem do seu primeiro mandato, quando, em agosto de 2019, afirmou publicamente a intenção de comprar o território, proposta rejeitada  pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que afirmou que “a Gronelândia não está à venda”.

Já no seu segundo mandato, Trump declarou, em dezembro de 2024, que a “propriedade e o controlo” da ilha constituem uma “necessidade absoluta” para a segurança nacional dos Estados Unidos, posição reiterada nos últimos dias pela Casa Branca, que admitiu não excluir o uso das forças armadas e manifestou também disponibilidade para uma compra.

Segundo o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, os assessores de Trump estão a preparar um plano atualizado para encontrar uma via que permita adquirir o território, declaração que voltou a alarmar governos europeus.

Copenhaga reagiu convocando repetidamente representantes diplomáticos norte-americanos e exigindo respeito pela integridade territorial do reino, posição apoiada pela Comissão Europeia e por vários chefes de Governo europeus, que sublinharam que a soberania da Dinamarca é essencial para a União Europeia.

O primeiro-ministro da Gronelândia, Múte B. Egede, apelou à calma, reiterando que o futuro do território cabe exclusivamente aos groenlandeses, embora tenha manifestado abertura para reforçar a cooperação económica com Washington.

Uma sondagem divulgada em janeiro de 2025 indicou que 85% da população da Gronelândia se opõe a uma eventual saída da Dinamarca, contra apenas 6% favoráveis à anexação aos Estados Unidos.

Atualmente, os Estados Unidos mantêm uma presença militar permanente na Gronelândia, devido a acordos assinados durante a Segunda Guerra Mundial e da instalação da estratégica base aérea de Thule, um dos pilares do sistema de defesa no Ártico durante a Guerra Fria.

LEIA TAMBÉM: Operação militar americana na Venezuela gera crise internacional

INTERESSE AMERICANO PELA ILHA JÁ VEM DO SÉCULO 19

O interesse norte-americano pela ilha não é novo e remonta ao século XIX, tendo sido formalizado em 1946, quando o então Presidente Harry Truman ofereceu 100 milhões de dólares à Dinamarca pela Gronelândia, proposta rejeitada por Copenhaga.

A ambição em relação à Gronelândia insere-se numa longa tradição expansionista norte-americana, iniciada no século XIX, com a compra da Luisiana à França, em 1803, que duplicou a dimensão territorial dos Estados Unidos.

Com Agência Lusa

 

Lisboa

Licenciou-se em Relações Internacionais na Universidade Técnica de Lisboa e fez mestrado em Jornalismo Internacional na Puc – São Paulo, entre outras formações.
Iniciou a sua carreira na TV SIC Notícias e foi correspondente Internacional da TVI no Brasil e outros países da América Latina.
Trabalhou na TV Globo Portugal no magazine cultural “Cá Estamos” e desenvolveu projectos dedicados ao canal em Portugal. É ainda autora de três livros.

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