Doces de Natal em Portugal: clássicos que não podem faltar
Saiba quais as sobremesas que não podem faltar na mesa dos portugueses na Ceia de Natal e no Réveillon
Doces portugueses não faltam — difícil mesmo é escolher quais não podem faltar na mesa de Natal e de réveillon. A boa notícia é que, se não der para provar todos em poucos dias, há tempo: durante todo o mês de dezembro e também em janeiro, essas iguarias continuam presentes em pastelarias, supermercados e nas casas portuguesas.
Muitas dessas receitas são seculares. Atravessaram gerações, foram transmitidas de pais para filhos e permanecem como parte essencial das celebrações de fim de ano em Portugal.
A seguir, reunimos alguns dos doces de Natal mais tradicionais, presença quase obrigatória nas mesas portuguesas.
Doçaria e simbolismo natalino
Na tradição cristã, o Natal sempre esteve associado à ideia de abundância, celebrada após um ano de trabalho árduo. Os doces típicos dessa época nasceram da combinação entre a doçaria conventual, as tradições agrícolas e sazonais, influências europeias do século XIX e o saber doméstico passado de geração em geração.
Confeccionar fritos, por exemplo, era um gesto festivo. O óleo era caro e, por isso, as frituras ficavam reservadas apenas para dias especiais. Os sonhos, macios e leves, simbolizam prosperidade e crescimento espiritual, valores associados à celebração natalina.
Além dos fritos, os chamados “luxos culinários” da época incluem ingredientes como mel, especiarias (especialmente canela), ovos, abóbora, batata-doce e grão-de-bico — base do recheio das azevias —, além de frutos secos, laranja e limão, usados tanto nas massas quanto nas aromatizações.

O bolo-rei e suas variações
Ao contrário de muitos doces conventuais e fritos, o bolo-rei não é originalmente português. Chegou ao país no século XIX, inspirado no francês Gâteau des Rois. Foi popularizado pela Confeitaria Nacional, em Lisboa, e rapidamente se transformou em símbolo do Natal em Portugal.
Já o bolo-rainha é uma versão mais recente, criada nas décadas de 1980 e 1990 para quem não aprecia frutas cristalizadas. A massa é semelhante à de outros doces conventuais e até à pâte à choux francesa, evidenciando como as influências culinárias circulavam pela Europa.

Como são feitos os doces de Natal portugueses
Fritos tradicionais
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Rabanadas / Fatias douradas – pão embebido em leite e ovo, frito e polvilhado com açúcar e canela
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Sonhos – massa frita leve, envolta em açúcar e canela
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Filhós / Filhoses – massa fina frita, geralmente em forma de rodelas
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Azevias – pastéis fritos recheados de grão-de-bico ou batata-doce
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Coscorões – massa frita estaladiça, decorada e polvilhada com açúcar e canela

Bolos e doces de forno
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Bolo-rei – com frutas cristalizadas e frutos secos
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Bolo-rainha – sem frutas cristalizadas, rico em frutos secos
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Pão de ló – especialmente os de Ovar ou Alfeizerão, úmidos e muito apreciados no Natal
Doçaria conventual
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Lampreia de ovos – doce moldado em forma de lampreia
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Trouxas de ovos / Barrigas de freira – sobremesas ricas em gemas e açúcar
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Aletria – massa fina cozida em leite, açúcar e canela
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Arroz doce – comum ao longo do ano, mas quase obrigatório no Natal

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Lisboa
Licenciou-se em Relações Internacionais na Universidade Técnica de Lisboa e fez mestrado em Jornalismo Internacional na Puc – São Paulo, entre outras formações.
Iniciou a sua carreira na TV SIC Notícias e foi correspondente Internacional da TVI no Brasil e outros países da América Latina.
Trabalhou na TV Globo Portugal no magazine cultural “Cá Estamos” e desenvolveu projectos dedicados ao canal em Portugal. É ainda autora de três livros.
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