Douro transborda e alerta de cheias sobe para vermelho
Subida inédita do caudal inundou margens do Porto e de Gaia, interditou a navegação no rio e levou à ativação de medidas municipais de emergência
A madrugada de chuvas fez com que o rio Douro transbordasse durante a as primeiros horas desta sexta-feira (6), ocupando as margens do Porto e de Vila Nova de Gaia, o que levou a Capitania do Douro a elevar o alerta de iminência de cheias de laranja para vermelho, interditando a navegação e acionando medidas restritivas previstas nos planos municipais de intervenção.
Com a alteração do nível de alerta, a navegação no rio passou a estar interditada, sendo permitida apenas em regime excepcional, por motivos de segurança.
“Alteramos o laranja para vermelho, o que significa que passamos para a probabilidade de estarmos na iminência da ocorrência de cheias. Significa que algumas zonas que ainda não tinham sido atingidas pela água começaram a ser atingidas com outro significado e também permite a outros agentes tomarem determinadas medidas”, explicou o comandante adjunto da Capitania do Douro, Pedro Cervaens, em declaração à Lusa.
Água atingiu zona das esplanadas
O transbordo do rio Douro fez com que a água avançasse sobre as margens ribeirinhas do Porto e de Gaia, atingindo a zona das esplanadas, embora sem registo de danos significativos. O ponto de situação foi feito por volta das 6h45 pelo comandante adjunto da Capitania do Douro.
Cervaens explicou que a subida do caudal está diretamente relacionada com a chuva intensa registada no interior norte de Portugal e em Espanha.
“Hoje o rio subiu até os 6,15 metros de cota no Cais dos Banhos [zona de referência]. É a primeira vez que atinge esta cota tão alta. Portanto, já passou ali o cais da Ribeira [Porto] e Afurada [Gaia]. Está perto das esplanadas, mas não temos informação de qualquer ocorrência assim de significado”, afirmou.
Segundo o responsável, não há, até ao momento, conhecimento de “situações complicadas”, lembrando que os acessos às zonas ribeirinhas já tinham sido condicionados e que os bens tinham sido previamente acautelados.
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Descargas históricas em Crestuma
A evolução da situação nas próximas horas permanece sob vigilância, uma vez que o aumento do nível da água resulta de descargas muito elevadas nas barragens.
“Vamos ver agora as próximas horas e os próximos dias como é que isto se mantém, porque a cota subiu desta forma devido ao aumento muito significativo das descargas. Já ultrapassamos, na barragem de Crestuma, os 7 mil metros cúbicos por segundo pela primeira vez também”, indicou Cervaens.
O comandante adjunto sublinhou ainda que, apesar de o litoral não ter registado precipitação tão intensa, o volume de chuva no interior do país e na Espanha contribuiu para o aumento do caudal do Douro e dos seus afluentes.
“Estão a debitar mais e, por isso, há muita água que aporta ao caudal. As barragens não têm outra hipótese se não debitar água”, concluiu.
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Avisos meteorológicos e impacto do mau tempo
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a costa norte da Madeira e o Porto Santo mantêm o aviso laranja até às 15h de hoje, enquanto nos distritos de Viana do Castelo, Porto e Beja o alerta estará em vigor até o meio-dia de sábado.
Portugal está sendo afetado pela passagem da depressão Leonardo, que tem provocado chuva persistente e, por vezes, forte. Desde a semana passada, a passagem das depressões Kristin e Leonardo já causou a morte de 12 pessoas no país, além de centenas de feridos e desalojados.
Entre os principais danos registados estão a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, bem como cortes no fornecimento de energia, água e comunicações. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
Perante a gravidade da situação, o Governo decretou o estado de calamidade até domingo em 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio no valor de até 2,5 bilhões de euros.
flavio@revistaentrerios.sapo.pt
*Com informações da Agência Lusa
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