Estudantes brasileiros de escolas públicas participam de intercâmbio histórico em Portugal
Projeto educacional promove reflexão crítica sobre a formação da identidade brasileira e aproxima jovens de diferentes culturas
Com grupos que embarcaram nos dias 5 e 15 de novembro, 125 estudantes de escolas públicas da Bahia, Pernambuco, Paraná e São Paulo participaram, em Lisboa, da 9ª edição do projeto Era Uma Vez… Brasil, que promoveu uma imersão de dez dias dedicada à compreensão histórica das conexões entre as heranças africanas, indígenas e europeias na formação da identidade brasileira.
A viagem marcou a etapa final de um processo pedagógico desenvolvido ao longo de todo o ano letivo no Brasil, envolvendo pesquisas, debates, produção audiovisual e criação de histórias em quadrinhos.
O objetivo foi recontar a história do país sob uma perspectiva não tradicional, valorizando a contribuição dos povos africanos e indígenas na construção da sociedade brasileira e destacando figuras protagonistas frequentemente invisibilizadas.
O grupo da Bahia foi composto por 24 estudantes e quatro professores, representando Salvador, Camaçari, Jacobina e Mata de São João.
Também participaram da edição estudantes de outras onze cidades brasileiras: Areiópolis, Brodowski, Lençóis Paulista, Macatuba, Paraguaçu Paulista, Quatá, Ribeirão Preto e Serrana, em São Paulo; Recife e Belo Jardim, em Pernambuco; e Paranaguá, no Paraná. Para a maioria dos jovens, esta foi a primeira experiência internacional.
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A etapa em Portugal encerrou o ciclo formativo que discutiu o tema Quem conta a nossa história? A participação indígena e afro-brasileira na formação do Brasil. Ao longo do ano, os estudantes produziram 28 curtas-metragens e um livro com 100 HQs.
Esses materiais foram apresentados durante a viagem em escolas públicas portuguesas, onde também se discutiram as diferenças sociais entre Brasil e Portugal, os métodos de ensino e as distintas percepções sobre o processo colonial.

Segundo Marici Vila, representante do projeto, o intercâmbio é um momento decisivo dentro da metodologia de estudo:
“A convivência entre jovens portugueses, cabo-verdianos, moçambicanos e brasileiros é muito rica, porque eles podem apresentar suas visões e análises sobre a história. É um momento de desconstrução e de construção de novos olhares para um mundo melhor”.
Marici ressaltou ainda a importância de expor os estudantes portugueses a perspectivas que ultrapassem o ponto de vista do país colonizador, ampliando a compreensão sobre os efeitos da colonização na história global.
Durante a viagem, o grupo percorreu importantes pontos históricos e culturais de Lisboa e região. Palácios, castelos, monumentos e museus foram apresentados por guias portugueses, permitindo que os jovens contrastassem diferentes interpretações históricas — especialmente no que se refere à escravidão, ao comércio atlântico e à expansão marítima europeia.
A estudante Maria Júlia Brandão da Silva, 14 anos, de Ribeirão Preto (SP), relatou: “A minha experiência com o Era Uma Vez Brasil foi muito legal. Nas escolas, conheci pessoas incríveis e pude debater diferenças sociais entre Brasil e Portugal. Também convivi com estudantes de outros estados, como a Bahia, o que ampliou minha conexão e minha troca cultural”.
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Outra participante, Isabela Martins, também de 14 anos e de Ribeirão Preto, destacou o impacto das visitas e discussões: “Estou achando muito interessante ver como os portugueses enxergam a colonização. Eles aprendem que foi somente uma colonização, sem todas as consequências que a gente estuda no Brasil. Gostei bastante das conversas na escola e das visitas aos museus e palácios, que nos transportam para aquela época e ajudam a entender como isso tudo afetou a colonização”.
Criado há nove anos, o Era Uma Vez… Brasil já beneficiou mais de 22,6 mil adolescentes de mais de 500 escolas públicas em 35 municípios de seis estados brasileiros.
Jornalista com mestrado em Comunicação Social pela Uerj e mais de 15 anos de experiência em redação e edição de reportagens. Já atuou no jornal “O Globo”, é sócia do #Colabora – Jornalismo Sustentável e repórter da edição brasileira do portal Fashion Network. Na EntreRios, é repórter com foco em comportamento e lifestyle.
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