Exposição sobre Burle Marx chega a Lisboa e revela legado do paisagista
Mostra dedicada ao maior paisagista brasileiro permanece no MAC/CCB até o dia até 5 de abril de 2026
Lisboa recebe, a partir desta quarta-feira (26), a exposição “Lugar de Estar: O Legado Burle Marx”, no MAC/CCB, que reúne mais de 70 anos de criação do paisagista brasileiro Roberto Burle Marx (1909–1994) e propõe um olhar sobre sua influência na construção de paisagens urbanas, no debate ambiental e na relação entre arte, natureza e cidade.
Com 22 projetos públicos como ponto de partida, a mostra destaca sua contribuição para o imaginário moderno de cidades como Brasília e Rio de Janeiro, além de sua atuação como botânico, ambientalista e defensor incansável de biomas como a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica.
Desenhos, estudos, fotografias e documentos históricos organizam-se em cinco núcleos temáticos que revelam a amplitude da pesquisa e prática do paulistano.
O trabalho coletivo por trás dos grandes jardins
Para Isabela Ono, diretora do Instituto Burle Marx, o eixo central da exposição é o caráter coletivo do legado do paisagista:
“Ele tinha uma inteligência muito grande de aglutinar pessoas, de plantar sementes que perpetuam gerações”, afirma.

Isabela ressalta que grandes obras, como o Parque do Flamengo e o Palácio Capanema, só foram possíveis graças a equipes numerosas que Burle Marx inspirava e orientava.
Para ela, valorizar essa dimensão é também reafirmar a visão democrática do artista, que via nos jardins — públicos ou privados — espaços de bem viver capazes de transformar indivíduos e comunidades.
LEIA TAMBÉM: Ju Bock leva arte têxtil brasileira a Lisboa com “Tramas em Movimento”
A diretora também relembra a relação afetiva entre Burle Marx e seu pai, Haruyoshi Ono, seu parceiro profissional por três décadas: “Ele dizia que meu pai era o filho que não teve”, conta.
Segundo Isabela, essa convivência diária moldou gerações de paisagistas e permanece como motor do trabalho do Instituto, cuja missão é inspirar futuros mais verdes e cidades mais justas:
“O que fazemos hoje é continuar espalhando as sementes que ele plantou”, diz.
Brasil e Portugal conectados pelo paisagismo
A chegada da exposição a Lisboa marca ainda um diálogo histórico entre Brasil e Portugal. Depois de sua primeira apresentação no MAM Rio — em meio às comemorações dos 60 anos do Parque do Flamengo e ao anúncio de sua nova fase de revitalização —, a mostra ganha novo sentido no MAC/CCB, onde ecoa a influência da pedra portuguesa na obra de Burle Marx.

Projetos como o calçadão de Copacabana, com cinco quilômetros de desenho contínuo em mosaico, revelam como o artista reinterpretou essa tradição lusa e estabeleceu pontes criativas entre os dois países.
A exposição pode ser visitada de terça a domingo, das 10h às 18h30 (com última entrada às 18h). Às segundas-feiras, o museu permanece fechado. A entrada é gratuita para residentes em Portugal aos domingos, até às 14h.
Os bilhetes custam 15 euros e dão acesso a todas as exposições de arte e arquitetura contemporânea, com descontos disponíveis.
Jornalista com pós graduação em Marketing Digital. Atuou na TV Globo, Band, SBT, Record, TV Brasil e nas rádios Globo e CBN. Em Portugal apresentou telejornal para países lusófonos, na Banda TV. Foi repórter e colunista de cultura da Revista Brasil JÁ e atualmente assina a editoria de cultura da EntreRios.
- Últimas Notícias