Gilsons faz show nesta quinta (17) em Cascais; confira entrevista
O trio celebra sete anos de estrada, feat com a fadista Raquel Tavares, turnê europeia e anuncia que estará de volta a Portugal em 2026: "Vir pra cá é só alegria"
Com raízes profundas na música brasileira e um olhar atento para novas conexões, o trio Gilsons — formado por Francisco, José e João Gil — volta a Portugal para mais um festival de verão, carregando no repertório não só os sucessos que os tornaram referência de uma nova MPB, mas também novidades que aproximam ainda mais o grupo do público lusófono. Eles se apresentam nesta quinta (17) no Ageas Cool Jazz, em Cascais.
Em conversa exclusiva, os músicos falam sobre o lançamento de uma nova versão da faixa Devagarinho, agora em parceria com a fadista Raquel Tavares, além da preparação para uma extensa turnê europeia, com 19 shows agendados a partir de setembro.
A entrevista também passa por temas como a relação afetiva com a música, os bastidores do álbum Pra Gente Acordar, gravado ao vivo em Salvador, e a emoção de anunciar, para 2026, apresentações nos emblemáticos Coliseus de Lisboa e Porto, palcos já marcados pela trajetória do patriarca Gilberto Gil.
Com leveza, humor e afeto, os Gilsons mostram que estão prontos para novas pontes musicais, sem perder a essência familiar e poética que os trouxe até aqui. Francisco, José e João Gil: sete anos de Gilsons.
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Mais um festival, mais um verão aqui em Portugal, e o público está ansioso pelo show.
A gente fica muito amarradão toda vez que vem para Portugal, porque temos uma recepção muito específica aqui. Então, é uma construção que vem em paralelo a essa forma de sermos recebidos aqui que é diferente dos outros lugares. Essa aproximação com a língua… A gente fica muito feliz de ter essa estrada já tão bonita. Vir para cá é só alegria.
E tem novidade, que é o feat com a fadista Raquel Tavares.
Pois é, a gente está abrindo essa porta por aqui. Nunca fizemos um lançamento específico pra cá com uma artista daqui. Então, estamos relançando “Devagarinho”, que é uma música que temos muito carinho e que foi muito importante pra gente na construção da nossa música lá no Brasil.
E agora estamos com essa música abrindo portas aqui em Portugal. A gente espera que seja um sucesso, que as pessoas curtam ouvir nas rádios e se identifiquem. Tem a questão da língua, dos sotaques é muito interessante. A gente vê os portugueses se relacionando. É muito bacana.
E foi uma gravação à distância, né?
Sim! Não tivemos a oportunidade ainda de estar com ela, porque foi tudo feito à distância, e a gente está ansioso por esse encontro, na verdade. De conhecê-la. Nós trocamos bastante virtualmente. Muitas coisas acontecem assim hoje em dia.
Inclusive, várias parcerias nossas surgiram assim, através da internet. Agora queremos conhecê-la pessoalmente e, quem sabe, até performar, cantar juntos essa música.
O que vocês conhecem da música portuguesa?
Não chega tanta música portuguesa no Brasil, mas tem o Amaro, que a gente gosta muito, e a Carminho. Tem alguns artistas que acabam chegando com mais força no Brasil e que a gente também acaba absorvendo. O Amaro está até mais dentro da nossa cena, porque gravou com uma galera nossa — inclusive com a nossa sobrinha, Flor (Gil).
Conhecemos poucas coisas, mas poderia ter uma conexão maior, eu acho. Poderia existir uma conexão maior, de chegar mais música portuguesa pra nós, como eu acho que chegam as brasileiras aqui.
Essa caminhada internacional… Vocês fizeram Estados Unidos e se preparam agora, em setembro, para uma turnê de 19 shows pela Europa. Animados?
É cansativo (risos). A gente já passou por experiências parecidas. Essa coisa da turnê é sempre um momento de aventura, e a gente embarca nessa. No final das contas, é um grande privilégio pra nós, que estamos construindo nosso nome na música. É um sonho. Quando a gente tá começando, parece algo distante, e, mais uma vez, estamos indo para fazer mais uma turnê europeia por lugares bem legais, bem imponentes.

Por falar em lugares legais. Em 2026 vocês voltam a Portugal, e nos Coliseus (Lisboa e Porto). Nesse palco emblemático já trilhado por Gilberto Gil.
Na verdade, já tocamos com os Gilsons, mas foi em festival (Super Bock), e foi interessante porque era um festival com vários palcos, e o público tinha um ingresso que podia circular pela rua.
Não era necessariamente num lugar fechado. Mas agora voltaremos com o nosso show específico, pela primeira vez, e vai ser a primeira vez que a gente vai estar vendendo ingresso. Então, estamos super empolgados. É um privilégio poder voltar a essas duas casas tão importantes e emblemáticas.
Saindo do internacional e voltando para o Brasil. Vocês gravaram em Salvador, na Concha Acústica, o álbum Pra Gente Acordar. Contem um pouco desse momento.
A gente acabou determinando esse lançamento que também ocorreu depois de um tempinho de termos feito o show e a gravação na Concha Acústica. Mas o lançamento dele acabou coexistindo com esse momento em que estamos entrando no estúdio pra fazer coisa nova mesmo já tendo trabalhado bastante esse disco.
Esse ciclo, no final das contas, é o ciclo do Pra Gente Acordar, nosso primeiro disco, e que foi o trabalho que a gente teve a oportunidade de trazer para essas turnês internacionais que fizemos. Já estamos pensando em coisa nova pra próxima turnê. Por exemplo, aqui na Europa, a gente está pensando num show diferente talvez com coisas desse disco novo, mesmo sem tê-lo lançado ainda, já estamos pensando em trazer elementos dele. Estamos começando a pensar.
O DVD, então, foi um momento importante e com a cara de vocês?
Esse DVD Pra Gente Acordar foi muito especial porque a Concha Acústica é um pouco o retrato desse disco, e nós acabamos prestando essa homenagem. Como a Bahia presenteia a gente, tentamos retribuir um pouco com esse trabalho. O calor do público de Salvador é o retrato do que a gente vive. E aí foi uma ocasião perfeita pra encerrar esse ciclo. O material está nas plataformas e vai ter em vinil.

Uma referência musical (que não vale ser o Gilberto Gil)?
Francisco: Novos Baianos.
José: É tanta gente que é difícil dizer um. Posso citar o Caetano (Veloso).
João: É complexo ser uma única figura que represente tanta coisa. Na verdade, são muitos artistas que a gente gosta por diversos motivos e qualidades. Acho a Luedji Luna.
O que vocês estão ouvindo no Spotify de vocês?
Francisco começou com uma lista, que logo foi completada por José e João Gil.
Saiu disco pra caramba! Muita coisa. O novo da Marina Sena é muito bom. Os dois discos da Luedji Luna, Lagoon, Julia Mestre… O da Dora Morelenbaum é mais antigo, e é bom demais. O Afim, do Zé Ibarra. Tem muita coisa interessante.
Jornalista com pós graduação em Marketing Digital. Atuou na TV Globo, Band, SBT, Record, TV Brasil e nas rádios Globo e CBN. Em Portugal apresentou telejornal para países lusófonos, na Banda TV. Foi repórter e colunista de cultura da Revista Brasil JÁ e atualmente assina a editoria de cultura da EntreRios.
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