ATIVISMO

Grammy 2026: artistas fazem discursos em apoio aos imigrantes durante a premiação

Premiação em Los Angeles consolida o palco como espaço de ativismo, com críticas às políticas migratórias dos EUA

Bad Bunny levou o principal prêmio da noite e discursou sobre imigração. Crédito: Reprodução Instagram

A 68ª edição do Grammy Awards, realizada neste domingo (1º) na Crypto.com Arena, em Los Angeles, mostrou que a principal premiação da indústria musical internacional vai além da celebração artística. Em uma noite marcada por disputas acirradas, performances aguardadas e lançamentos que dominaram o último ano, os discursos de vitória transformaram o evento em um espaço de posicionamento político, especialmente em defesa de comunidades imigrantes nos Estados Unidos.

Antes da cerimônia televisionada, a Academia de Artes e Ciências da Gravação transmitiu a pré-premiação em seu canal oficial no YouTube, onde foram anunciados os vencedores de diversas categorias.

Um dos momentos mais emblemáticos veio com a vitória de Kehlani na categoria Melhor Canção de R&B. Ao receber o prêmio, a cantora usou o discurso para criticar o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), denunciando as ações da agência e reforçando o tom político que atravessaria o restante da noite.

À medida que os principais prêmios eram anunciados, o ativismo deixou de ser pontual e passou a estruturar a narrativa do evento. Diferentes artistas recorreram ao palco para reafirmar a defesa dos direitos de imigrantes, ampliando o alcance simbólico da cerimônia em um contexto de endurecimento das políticas migratórias e de intensificação das tensões sociais no país.

LEIA MAIS: Caetano, Bethânia e Bad Bunny ganham o Grammy 2026

Confira alguns discursos da noite: 

Bad Bunny. Crédito: Reprodução Instagram
Bad Bunny. Crédito: Reprodução Instagram Grammy

Bad Bunny, ao vencer na categoria Melhor Álbum de Música Urbana

“Antes de dizer obrigado, ou agradecer a Deus, eu quero dizer: fora com o ICE. Não somos selvagens, não somos animais, não somos aliens…  somos seres humanos e somos americanos. Quero falar com as pessoas que eu sei que estão assistindo: não propaguem o ódio. Eu estava pensando que, às vezes, a gente acaba se deixando contaminar — não sei dizer isso em inglês — e o ódio fica ainda mais forte quando respondemos a ele com mais ódio. A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor. Então, por favor, precisamos ser diferentes. Se formos lutar, que seja com amor. Em vez de odiá-los, devemos amar os nossos, a nossa gente, nossa família. É isso que precisamos fazer. Com amor … não se esqueçam disso. Obrigado” 

Em outro momento Bad Bunny, ao vencer na categoria Álbum do Ano, finalizou: 

“Quero dedicar este prêmio a todas as pessoas que precisaram sair de casa, da sua terra-mãe, do seu país, para seguir seus sonhos; a todos que tiveram que deixar alguém para trás e seguir em frente com força. Este prêmio é de vocês. Obrigado por tanto amor. A vocês e a todos os latinos do mundo, e também aos artistas que vieram antes e mereciam estar aqui hoje”. 

Kehlani, ao vencer na categoria Melhor Canção de R&B

Kehlani. Crédito: Reprodução Instagram Grammy

“Somos mais fortes em números para nos posicionar contra todas as injustiças que estão acontecendo no mundo agora. Espero que todo mundo se sinta inspirado a se unir como uma comunidade de artistas e se manifestar sobre o que está acontecendo. Vou deixar por isso mesmo  e dizer: f*da-se a ICE”. 

Olivia Dean, ao vencer como Artista Revelação

Olivia Dean. Crédito: Reprodução Instagram Grammy

“Eu estou aqui como neta de imigrantes e não estaria aqui se não fosse a luta deles. Na verdade, tudo isso é resultado dessa caminhada. Essas pessoas precisam ser celebradas. Sozinhos, a gente não é nada; precisamos apoiar uns aos outros. Obrigada”

Billie Eilish, ao vencer Canção do Ano

Billie Eilish. Crédito: Reprodução Instagram Grammy

“Ninguém é ilegal em uma terra que foi roubada no passado. É difícil até saber exatamente o que dizer ou fazer agora, mas eu sinto esperança nesta sala. E é com essa esperança que a gente precisa continuar lutando, se manifestando e protestando. Nossas vozes importam, as pessoas importam e é isso que não podemos esquecer. Muito obrigada”. 

Com isso, o Grammy 2026 reafirmou seu papel como termômetro cultural de seu tempo. Entre estatuetas, discursos e gestos públicos, a premiação revelou uma indústria cada vez mais consciente de sua visibilidade global  e disposta a usar esse espaço não apenas para consagrar músicas. 

jordan@revistaentrerios.sapo.pt

Jornalista com pós graduação em Marketing Digital. Atuou na TV Globo, Band, SBT, Record, TV Brasil e nas rádios Globo e CBN. Em Portugal apresentou telejornal para países lusófonos, na Banda TV. Foi repórter e colunista de cultura da Revista Brasil JÁ e atualmente assina a editoria de cultura da EntreRios.

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