Joias roubadas, milhões desviados e saída da presidente, entenda a crise no Louvre em Paris
Presidente do Museu do Louvre deixa cargo e abre nova fase após crise de segurança
A presidente do Museu do Louvre, Laurence des Cars, deixou o comando do Museu do Louvre em meio aos desdobramentos do roubo milionário de joias registrado em outubro. O Palácio do Eliseu informou que a renúncia foi aceita como um “ato de responsabilidade” em um momento considerado estratégico para restaurar a confiança e garantir estabilidade administrativa ao museu mais visitado do mundo.
“O chefe de Estado aceitou a renúncia, saudando um ato de responsabilidade em um momento em que o maior museu do mundo precisa de tranquilidade e de um novo impulso para realizar grandes projetos de segurança e modernização, assim como o projeto Louvre – Novo Renascimento“, afirmou a Presidência em comunicado.

Primeira mulher a dirigir o Louvre, Laurence estava no cargo desde 2021 e vinha conduzindo uma agenda voltada à modernização, diversidade e aproximação com novos públicos, após passagem pelo Museu de Orsay. A saída ocorre em um contexto de pressão por reforço na segurança e reestruturação interna, especialmente diante do projeto Louvre – Novo Renascimento, que prevê investimentos em infraestrutura e atualização dos sistemas de proteção do acervo.
A crise
Desde 19 de outubro de 2025, o Museu do Louvre enfrenta uma das fases mais turbulentas de sua história recente. O roubo de joias históricas da Galeria de Apolo, ocorrido cerca de 30 minutos após a abertura ao público, expôs fragilidades na segurança do museu mais visitado do mundo, que abriga mais de 33 mil obras, entre elas a icônica Mona Lisa.

Criminosos utilizaram um caminhão e uma escada mecânica para acessar o primeiro andar, quebraram uma janela sem blindagem e arrombaram vitrines de alta segurança, levando oito peças da coleção real francesa. Uma nona joia a coroa da imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III, foi abandonada e encontrada danificada.
LEIA MAIS: Mudança na cidadania italiana deve levar mais casos aos tribunais, diz especialista
A crise se aprofundou nos meses seguintes com novos episódios que afetaram a credibilidade da instituição. Problemas estruturais, como vazamentos de água, greves de funcionários e, mais recentemente, a revelação de um esquema de fraude na venda de ingressos envolvendo também o Palácio de Versalhes, ampliaram a pressão sobre a gestão.

LEIA MAIS: “Exploratorius” estreia em Lisboa com crítica às imagens coloniais
Em 13 de fevereiro, nove pessoas foram detidas sob suspeita de participação no esquema, que teria causado prejuízo superior a 10 milhões de euros, segundo o Ministério Público de Paris. O conjunto de ocorrências colocou o Louvre no centro de um debate nacional sobre segurança, governança e modernização de suas operações.
jordan@revistaentrerios.sapo.pt
Jornalista com pós graduação em Marketing Digital. Atuou na TV Globo, Band, SBT, Record, TV Brasil e nas rádios Globo e CBN. Em Portugal apresentou telejornal para países lusófonos, na Banda TV. Foi repórter e colunista de cultura da Revista Brasil JÁ e atualmente assina a editoria de cultura da EntreRios.
- Últimas Notícias