Economia

Lula é homenageado na França e reforça laços bilaterais em visita de Estado

Presidente brasileiro assina acordos com Macron, recebe honrarias históricas e pede avanço em pacto entre União Europeia e Mercosul

Lula pediu apoio a Macron para um acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Crédito: Fabio Charles Pozzebom/Agência Brasil.

A visita de Estado do presidente Lula à França marca um dos momentos mais simbólicos e estratégicos da política externa brasileira em 2025.

Em Paris desde quarta-feira (4), Lula cumpre uma agenda intensa que une diplomacia, economia, cultura e cooperação internacional, com foco em aprofundar as relações bilaterais e reforçar a imagem do Brasil como ator global relevante.

Com encontros com o presidente francês Emmanuel Macron, empresários e representantes da comunidade brasileira, o presidente brasileiro também foi homenageado por instituições históricas e defendeu o fortalecimento do multilateralismo como resposta a questões contemporâneas.

Acordos e parcerias estratégicas

O ponto central da visita foi o encontro com Emmanuel Macron, na quinta-feira (5), quando foram assinados 20 acordos bilaterais em áreas como vacinas, segurança pública, educação e ciência e tecnologia. Segundo Lula, o diálogo com Macron também incluiu temas da agenda global.

“Vou ter reunião com o presidente Macron e discutir assuntos de interesses globais. Certamente, vamos discutir a guerra da Rússia e da Ucrânia, o massacre do exército de Israel à Faixa de Gaza, o acordo União Europeia-Mercosul. Vamos discutir coisas na área da defesa, porque nós temos uma parceria na área do submarino nuclear”, afirmou Lula antes de embarcar.

Há 13 anos, o governo brasileiro não realiza uma visita de um chefe de Estado à França. Crédito: Ricardo Stuckert/Agência Brasil.

Durante a coletiva conjunta em Paris, o presidente reforçou a cobrança por avanços no acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

“Quero lhe comunicar que não deixarei a presidência do Mercosul sem concluir o acordo com a União Europeia”, declarou, dirigindo-se diretamente a Macron. “Portanto, meu caro, abra o seu coração para a possibilidade de fazer esse acordo com o nosso querido Mercosul.”

Foi ainda na quinta-feira que a Torre Eiffel foi iluminada com as cores verde, amarela e azul, em referência ao encontro entre o presidente Lula e Macron, em Paris.

Torre Eiffel iluminada com as cores do Brasil. Crédito: Guillaume Bontemps/Prefeitura de Paris.

Homenagem inédita na Academia Francesa

Lula se tornou o 20º chefe de Estado a ser homenageado oficialmente pela Academia Francesa — e o segundo brasileiro, depois de Dom Pedro II, em 1872. A cerimônia foi marcada pela reflexão sobre o papel do multilateralismo no mundo atual.

“Considero essa deferência um reconhecimento ao Brasil e ao povo brasileiro, que recebemos com muita gratidão e orgulho”, escreveu o presidente nas redes sociais.

No discurso à Academia, Lula destacou: “O multilateralismo foi decisivo no processo de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na afirmação de direitos humanos, na promoção do livre comércio, na proteção do meio ambiente e na solução de diversos conflitos mundo afora. Infelizmente, estamos nos esquecendo dessas lições.”

Presidente diz que deferência é uma homenagem ao Brasil. Crédito: Ricardo Stuckert/PR.

Ele ainda afirmou que é preciso “aperfeiçoar as democracias no âmbito interno dos países e o multilateralismo no plano externo”.

E concluiu: “São as duas faces de uma mesma visão de mundo, baseada no diálogo e no respeito à pluralidade.”

Encontro com a comunidade brasileira

Após a cerimônia, Lula reuniu-se com membros da comunidade brasileira na França, na Prefeitura de Paris. Diante da prefeita Anne Hidalgo, ele relembrou sua origem e trajetória política:

“Eu fiquei orgulhoso porque eu sou um cidadão que não sou acadêmico, não tenho diploma universitário, eu tenho um curso primário e um curso técnico feito no Senai, no Brasil. Sou torneiro mecânico de profissão e fico orgulhoso de ter trazido uma palavra para enriquecer o dicionário francês, que é a palavra multilateralismo. Multilateral todo mundo sabia o que era, mas multilateralismo não, o ‘ismo’ foi nós que colocamos nessa palavra.”

Em tom pessoal e político, o presidente destacou conquistas dos seus governos, defendeu a democracia brasileira e reiterou sua legitimidade política: “Eu sou o único brasileiro que tenho três mandatos na Presidência da República eleito diretamente pelo povo. Isso me traz muito orgulho para andar o mundo brigando contra a desigualdade”.

A prefeita Anne Hidalgo chamou Lula de “lenda viva de um país lendário” e o homenageou por sua trajetória em defesa dos mais vulneráveis.

“Eles não tinham voz e o senhor decidiu falar em nome deles para que finalmente eles fossem ouvidos”, disse.

Próximas etapas da agenda

A agenda de Lula na França segue intensa até o início da próxima semana. Nesta sexta-feira (6), ele recebe o título de doutor honoris causa da Universidade Paris 8 e visita a exposição sobre o ano do Brasil na França, no Grand Palais.

No sábado, segue a Toulon, onde volta a se encontrar com Macron para tratar do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (ProSub).

No domingo (8), participa de evento em Mônaco sobre economia azul e, na segunda (9), segue para Nice, onde representará o Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, ao lado de ao menos 60 chefes de Estado. Também está prevista uma visita à sede da Interpol, em Lyon.

De volta ao Brasil, Lula será anfitrião da Cúpula Brasil-Caribe, no dia 13 de junho. Depois, pode embarcar para o Canadá para participar da cúpula do G7, entre os dias 15 e 17 — embora ainda avalie a participação devido à sobrecarga da agenda internacional.

*Com informações da Agência Brasil

Porto

Editor do site da EntreRios. Jornalista pela Universidade Federal de Pernambuco e mestrando em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto. Com passagem pela TV Jornal, Jornal do Commercio e BRASIL JÁ.

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