Manoel Carlos – O mestre do folhetim e autor que marcou gerações da TV brasileira
Criador de novelas clássicas e das inesquecíveis personagens Helenas, “Maneco” deixa um legado eterno na dramaturgia nacional
Morreu no último sábado (10), aos 92 anos, o autor Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, um dos maiores talentos da teledramaturgia brasileira. Carinhosamente conhecido como “Maneco”, ele foi responsável por novelas que se tornaram clássicos da televisão, como Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas e Páginas da Vida. A morte foi confirmada pela produtora Boa Palavra, detentora dos direitos autorais do escritor, em comunicado oficial que destacou a importância e o afeto em torno de sua trajetória.

Manoel Carlos estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, no Rio de Janeiro, onde realizava tratamento contra a doença de Parkinson, que compromete os sistemas motor e cognitivo. Nascido em São Paulo, em 14 de março de 1933, iniciou a carreira artística no teatro, como ator, na década de 1950. Poucos anos depois, estreou como autor de novelas na TV Paulista e construiu uma trajetória sólida passando por emissoras como Tupi, Record, Manchete, Band e, principalmente, a TV Globo.

Foi na Globo que Maneco alcançou reconhecimento nacional e consolidou seu estilo inconfundível. Estreou no canal em 1978 e, a partir dos anos 1980, tornou-se presença constante no horário nobre, assinando sucessos que retratavam conflitos familiares, relações amorosas e dilemas cotidianos com profundidade emocional. Sua marca registrada foi a criação de protagonistas chamadas Helena e interpretadas por grandes atrizes como Regina Duarte, Vera Fischer, Christiane Torloni, Taís Araújo e Julia Lemmertz.
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Além das novelas, Manoel Carlos também deixou contribuições importantes em séries e minisséries, como Malu Mulher, Presença de Anita e Maysa: Quando Fala o Coração. Era paulistano mas fez do Rio de Janeiro o cenário recorrente de suas histórias, ajudando a eternizar a cidade na dramaturgia nacional. Com personagens femininas fortes e narrativas sensíveis, Maneco se despede deixando uma obra que atravessa gerações e permanece viva na memória do público brasileiro.
Jornalista com pós graduação em Marketing Digital. Atuou na TV Globo, Band, SBT, Record, TV Brasil e nas rádios Globo e CBN. Em Portugal apresentou telejornal para países lusófonos, na Banda TV. Foi repórter e colunista de cultura da Revista Brasil JÁ e atualmente assina a editoria de cultura da EntreRios.
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