Marcelo Rebelo de Sousa defende entrada de imigrantes para reconstrução pós-Kristin
Presidente diz que falta de mão de obra é hoje o principal entrave à recuperação das zonas devastadas pela tempestade
O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu, esta quarta-feira (4), a criação de um mecanismo específico para permitir a entrada de trabalhadores imigrantes em Portugal, como resposta à escassez de mão de obra necessária para reconstruir as áreas atingidas pela tempestade Kristin, que assolou o país há cerca de uma semana.
Marcelo abordou o tema durante uma visita a uma empresa localizada em Soure, inaugurada no início de janeiro e fortemente afetada pelo temporal poucos dias depois.
Falta de trabalhadores trava obras no terreno
No domingo, o primeiro-ministro anunciou um pacote de apoio direcionado às famílias e empresas lesadas pela tempestade. No entanto, segundo o chefe de Estado, as próprias vítimas têm alertado que a ausência de trabalhadores está a dificultar o avanço das obras de recuperação.
“Tem de se encontrar uma solução. Acho que o Governo vai pensar em abrir uma via, um canal de entrada de mão-de-obra especialmente vocacionada para este tipo de desafio”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhando que a questão não passa por vontade política, mas pela urgência de resolver “um problema”.
O Presidente acrescentou que a preocupação tem sido recorrente nos contactos que tem mantido com diferentes setores. “Um dos problemas levantado por vários empresários e setores afetados, até instituições como os bombeiros, foi dizerem-me que tudo isto é muito bonito, mas é preciso haver mão de obra para o fazer”, disse.
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Apoios dependem da rapidez na execução
Questionado sobre se o pacote de medidas apresentado pelo Governo será suficiente para dar resposta às necessidades no terreno, Marcelo voltou a enfatizar que o impacto dependerá sobretudo da forma como as medidas forem executadas e dos recursos envolvidos.
“É importante que a máquina funcione bem e depois que haja rapidez” na resposta, frisou.
O dia do presidente começou no posto de comando de Ourém, onde falou com moradores que procuravam materiais de construção para reparar as suas habitações. Entre eles estava Florinda Verdasca, de 83 anos, que afirmou não se lembrar de “uma tempestade com a força” de Kristin.
Energia ainda por repor em Soure
Depois de Ourém, Marcelo Rebelo de Sousa seguiu para Pedrógão Grande e encerrou o dia em Soure.
Durante uma reunião do Serviço Municipal de Proteção Civil, o presidente da Câmara de Soure, Rui Fernandes, descreveu o processo de reposição da eletricidade como “uma luta poste a poste”. No encontro estiveram presentes Marcelo Rebelo de Sousa, o secretário de Estado Rui Rocha e vários responsáveis locais.
Na Proteção Civil, o presidente da República atualizou-se sobre a situação na região, que enfrentou mais um dia difícil devido à chuva. Marcelo visitou diferentes pontos junto ao rio e admitiu aos jornalistas que, provavelmente, dentro de poucas horas aquela zona “será outro mundo”.
flavio@revistaentrerios.sapo.pt
*Com informações da Agência Lusa
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