Mau tempo em Portugal: guia prático para se proteger durante cheias e tempestades
Chuvas intensas já provocaram milhares de ocorrências. Saiba como agir, evitar riscos e seguir as recomendações oficiais durante o agravamento do tempo
Portugal continental vive dias de forte instabilidade meteorológica, com chuva persistente, vento, agitação marítima e risco elevado de cheias e derrocadas. Só até às 22h30 de segunda-feira (2), a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou 1.420 ocorrências relacionadas com o mau tempo, sobretudo nas regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo.
Desde 27 de janeiro, o número total de ocorrências ultrapassa as 11.800, incluindo quedas de árvores e estruturas, inundações e movimentos de massa, com maior impacto nos distritos de Leiria, Coimbra e Santarém. Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo, cinco das quais diretamente associadas à passagem da depressão Kristin.
Perante o agravamento das condições meteorológicas, a ANEPC, a Polícia de Segurança Pública (PSP), a Guarda Nacional Republicana (GNR), a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) apelam à adoção de comportamentos preventivos por parte da população.
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Com a chegada da depressão Leonardo a partir da tarde de terça-feira (3) e previsões de chuva por vezes forte até sábado (7), as autoridades reforçam os apelos à adoção de comportamentos preventivos.
As recomendações que se seguem reúnem orientações oficiais da Proteção Civil, PSP, GNR, DGS e APA para reduzir riscos durante períodos de chuva intensa, cheias e instabilidade meteorológica.
Evite deslocações desnecessárias
As autoridades recomendam que as deslocações só ocorram quando forem estritamente necessárias, sobretudo nos períodos de maior intensidade da precipitação. Sempre que possível, deve acompanhar a informação oficial sobre vias condicionadas ou interditadas.
Não atravesse zonas inundadas
A travessia de zonas inundadas, túneis ou vias com lençóis de água representa um risco elevado, tanto a pé como de carro, e deve ser evitada.
Suspenda atividades no mar e em rios
As atividades marítimas e os esportes náuticos devem ser suspensos durante este período devido à forte agitação marítima e ao risco de arrastamento.
Evite zonas costeiras e linhas de água
Não caminhe em pontões, molhes, praias, zonas costeiras ou ribeirinhas. Deve também manter distância de linhas de água, leitos de cheia e zonas sujeitas a transbordo.
Atenção ao estacionamento
Evite estacionar em zonas que habitualmente inundam, em locais baixos como caves, garagens ou parques subterrâneos, e debaixo de árvores, postes ou estruturas instáveis.
Mantenha distância de estruturas perigosas
Deve manter distância de árvores, cabos elétricos, postes ou estruturas danificadas e sinalizar situações de perigo às autoridades competentes.
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Trabalhos em altura exigem cuidados redobrados
Subidas a telhados ou outros trabalhos em altura só devem ser realizados com condições de segurança adequadas, devido ao risco acrescido durante o mau tempo.
Use sistemas de aquecimento com segurança
Lareiras, salamandras e outros sistemas de aquecimento devem ter ventilação adequada, chaminés limpas e as brasas totalmente extintas antes de dormir.
Geradores só no exterior
Os geradores devem ser utilizados exclusivamente no exterior das habitações, a pelo menos seis metros de portas, janelas e sistemas de ventilação, para evitar a acumulação de gases tóxicos.
Atenção aos gases e ao vento
O tubo de escape do gerador deve estar orientado para longe das casas e de locais com pessoas. O vento deve ajudar a dispersar os gases, reduzindo o risco de intoxicação.
Reconheça sinais de intoxicação
Tonturas, dores de cabeça, náuseas ou sonolência podem indicar intoxicação por monóxido de carbono. Perante estes sintomas, deve sair imediatamente do local e ligar para o 112.
Em caso de inundação
Se houver inundação, desligue a eletricidade e o gás, sempre que for seguro fazê-lo. Evite o contato com água potencialmente contaminada e proteja feridas com cuidados adequados.
Após contato com água de cheias
Se uma pessoa engolir ou inalar água das inundações, deve estar atenta a sintomas como falta de ar, tosse persistente, dor no peito ou confusão, procurando ajuda médica urgente se surgirem.
Traumatismos na cabeça são emergência
Após quedas ou impactos na cabeça, deve ligar para o 112 ou recorrer a uma urgência se houver perda de consciência, confusão, vômitos repetidos, dor intensa, alterações da fala ou sonolência anormal.
Siga sempre as orientações oficiais
É fundamental respeitar rigorosamente a sinalização rodoviária, as indicações das autoridades e acompanhar os avisos meteorológicos e comunicações oficiais.
A Proteção Civil mantém os meios posicionados no terreno para responder à subida dos rios e a novas ocorrências. O Governo decretou situação de calamidade para dezenas de concelhos e anunciou um pacote de apoios até 2,5 bilhões de euros para responder aos estragos provocados pelo temporal.
flavio@revistaentrerios.sapo.pt
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