Migração portuguesa ao Brasil pós-revolução de 1974 ajudou Ventura a vencer entre eleitores no exterior, diz analista
Assim como no primeiro turno, André Ventura foi o vencedor por ampla margem de votos nos consulados portugueses no Brasil
Apesar da vitória por uma larga margem de votos no segundo turno das eleições presidenciais, os eleitores portugueses que votaram no Brasil foram mais favoráveis à André Ventura, assim como já tinha acontecido no primeiro turno. Além dos portugueses, estão aptos para votar os brasileiros com dupla cidadania.
Ao todo, nos votos do Brasil, André Ventura obteve 58,73% (4.269 votos) contra 41,27% de António José Seguro (3.000 votos), além de seis votos em branco e 33 nulos. Dos 303.670 dos portugueses cadastrados para votar apenas 7.308 deles compareceram às urnas.
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Porto Alegre foi a única cidade brasileira em que Seguro foi vencedor, com 54%. Nas demais capitais com votações, São Paulo (58,58% x 41,42%), Belo Horizonte (57,52% x 42,48%), Rio de Janeiro (53,66% x 46,34%), Belém (73,89% x 26,11%), Fortaleza (64,98% x 35,02%), Recife (60,34% x 39,66%), Salvador (51,27% x 48,73%) e Brasília (51,02% x 48,98%) André Ventura liderou na votação. Em Brasília a diferença foi de apenas 11 votos.
Riccardo Marchi, investigador do ISCTE-IUL, afirma que o fenômeno é presente para portugueses que vivem em países como França, Suíça e Brasil e ressalta que no país sul-americano isso se dá por dois motivos principais.
O primeiro é que muitos dos portugueses que hoje vivem no Brasil se mudaram no período pós-revolução de 1974 que acabou com a ditadura do país europeu.
“Existe uma população consistente que está no país desde a transição democrática, que possui uma preferência pelos partidos de direita e que se estabeleceu no Brasil ao longo das últimas décadas”, destaca.
Segundo ele, essa população também foi bastante favorável ao governo Bolsonaro, também de extrema-direita, e que já declarou ser aliado de André Ventura em diversas oportunidades.
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“Essa é uma comunidade com perfil mais próxima ao Chega, assim como também há uma comunidade significativa de apoiadores do partido em Portugal que deu a vitória a Bolsonaro em 2018. Apesar do discurso anti-imigração, o Chega sempre teve uma relação favorável com parte da comunidade brasileira. Existe uma proximidade com os evangélicos, mas eles não são os únicos”, analisa.
No primeiro turno, André Ventura também já tinha sido o mais votado no Brasil, com 48,81% dos votos (2.726) no Brasil contra 21,90% (1.223) de Seguro. O candidato do Chega também venceu em todas as capitais com exceção de Porto Alegre.
renan@revistaentrerios.sapo.pt
Lisboa
Jornalista com graduação pela PUCPR, MBA em Rádio e TV pela Universidade Tuiuti do Paraná e mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa. Atuou como repórter da Gazeta do Povo nas editorias de economia, negócios e política e no portal TechTudo, além de experiência em veículos esportivos e especializados em tecnologia.
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