FUTEBOL

Na guerra entre leilistas x terraflamistas quem perde é o futebol brasileiro

Leila Pereira reage à postura do Flamengo e expõe mais uma vez a divisão que trava a criação de uma liga no Brasil

O Brasil terá quatro representantes na disputa, que se inicia em 14 de junho com a partida entre Al Ahly, do Egito, e Inter Miami, de Messi: Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo
Em meio à crise da Crefisa, Leila Pereira critica dirigentes do Flamengo e reacende o impasse histórico sobre a criação de uma liga unificada no futebol brasileiro. Crédito: Pexels.

Enquanto vê sua financeira, a Crefisa, ter contratos suspensos pelo INSS por suspeita de irregularidades, a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, encarnou Nelson Rodrigues ao criar um termo que pode entrar para o dicionário futebolístico brasileiro. Ao questionar a postura do Flamengo — que quer aumentar sua fatia na divisão de receitas da Libra, uma das duas “ligas” de clubes do futebol brasileiro —, a cartola chamou os dirigentes rubro-negros de terraflamistas.

A expressão faz referência aos que negam a ciência e acreditam no falso mito de que a Terra é plana. Leila está indignada com o presidente do clube da Gávea, Luiz Eduardo Baptista, o BAP, que, segundo ela, age como se o sistema solar girasse em torno do Flamengo, ao tentar romper um contrato assinado na gestão de seu antecessor, Rodolfo Landim.

O novo termo carrega uma velha divergência. Desde a criação da Copa União, em 1987, os grandes clubes brasileiros batem cabeça quando o assunto é a criação de uma liga nos moldes da inglesa Premier League ou da espanhola La Liga. Todas as tentativas de consenso fracassaram. A mais recente originou os dois blocos atuais: a Libra — da qual fazem parte Flamengo e Palmeiras — e a Liga Forte União, que reúne, entre outros, Corinthians, Fluminense e Cruzeiro.

No início das conversas, chegou-se a imaginar que a sonhada parceria entre os clubes das Séries A e B finalmente sairia do papel. Mas, em pouco tempo, a ilusão virou pó, e o futebol brasileiro voltou ao seu velho hábito: dividir-se.

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O que poderia representar uma revolução — com os clubes assumindo a organização dos principais campeonatos nacionais — se transformou em uma mera disputa por quem recebe mais dinheiro pela venda dos direitos de transmissão de seus jogos para as emissoras de TV e plataformas de streaming.

Na Europa, as principais ligas organizam os campeonatos: da tabela de jogos à escala de arbitragem. As confederações nacionais cuidam apenas das seleções. Sem acordo, por aqui segue a desunião, a vaidade e a guerra entre leilistas e terraflamistas.

Quem perde com isso é o futebol brasileiro, refém de campeonatos desorganizados, arbitragens ruins e clubes que, se unidos, teriam mais força para negociar contratos de TV e publicidade mais justos e rentáveis. Em resumo, um 7 x 1 sem fim.

Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.

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