Solidariedade

Natal solidário mobiliza brasileiros e portugueses; saiba como ajudar

Há várias pessoas e instituições que estimulam e precisam de solidariedade para socorrer os vulneráveis no Natal. Saiba como ser voluntário

Tatiana coordena o projeto Colo de mãe. Crédito: Divulgação.

Quando o inverno europeu começa a apertar, a vulnerabilidade social se torna mais evidente. Com a chegada do Natal, cresce também a mobilização de instituições e voluntários que buscam levar um pouco de calor humano e material a quem mais precisa.

“Mais do que doar roupas, cobertores e cabazes (cestas básicas), o que entregamos é dignidade, respeito e esperança”, diz a advogada paulistana Paula Bastos. Ela é voluntária em diversos projetos e líder do comitê social do grupo Mulheres do Brasil – Núcleo Lisboa.

“A ideia é ir além de ações primárias de assistência. Queremos dar ferramentas para que essas pessoas transformem suas vidas”, resume ela. “Estar longe da família, em um país novo, torna-nos mais sensíveis. E, quando nos unimos para fazer o bem, criamos um sentimento de comunidade e coesão social”, completa.

Entre as ações das quais Paula participa está a montagem de uma “loja social” na região de Cascais, onde famílias podem pegar roupas e calçados. As peças são angariadas por voluntárias. “Doação não é descarte. Adultos e crianças merecem roupas e calçados em boas condições. Queremos que as pessoas sintam que alguém se importa com elas”, explica. O gesto colaborativo demanda parcerias, estratégia e logística.

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O Brasil escreveu um capítulo na história da solidariedade a partir de 1993, quando o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou o Natal sem Fome, por meio da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida.

O combate à fome ganhou apoio de artistas, empresas, escolas, igrejas e comunidades. Milhões de toneladas foram doadas. O ritmo se reduziu nos anos 2000, mas a partir de 2017 a campanha retomou fôlego.

Brasil e Portugal têm tradição em caridade, em grande parte pela religiosidade, mas ainda há muito a ser feito. É o que aponta o World Giving Index, elaborado anualmente pela britânica Charities Aid Foundation (CAF) para medir o percentual de doação – em relação à renda – de 140 países.

Os dois mais ricos de língua portuguesa evoluíram no quesito em 2025, mas continuam longe dos mais generosos: o Brasil em 48º lugar, e Portugal em 97º (ver ranking ao fim da matéria).

Há 18 anos envolvida com voluntariado, a paulista Tatiana De Simone coordena o projeto Colo de mãe, voltado para gestantes e mulheres com dificuldade em sustentar seus bebês.

“Portugal tem muita necessidade. Principalmente entre os estrangeiros e refugiados”, afirma. É no porão de casa que Tatiana recebe e organiza as doações, com o cuidado de quem conhece o nome e a história por trás de cada pedido.

Com o Natal se aproximando, a triagem do Colo de Mãe ganha sentido especial. “Já vou separando os melhores brinquedos, as coisas mais novas”, explica ela, que também atua junto à Associação Gaivotas da Torre, em Cascais, e ao Centro Social da Cova da Moura, comunidade carente da Grande Lisboa.

O chef Pedro atua na Associação vida e paz. Crédito: Divulgação.

Foi na cozinha que o chef pernambucano Pedro Sobrinho encontrou sua forma de servir. Desde 2023, ele atua na Associação Vida e Paz, uma das mais conhecidas de Lisboa, e organiza uma ceia natalina para pessoas que estão sem abrigo.

“A gente trabalha com dedicação, carinho e amor para ajudar o próximo. O alimento, ali, é mais do que sustento, é presença”. A edição deste ano será em 19, 20 e 21 de dezembro, na Cantina da Cidade Universitária de Lisboa, com refeições, roupas, atividades culturais e encaminhamento para serviços de saúde.

A portuguesa Sandra Lopes há dois anos inscreveu-se como voluntária na Refood, que recolhe comida de restaurantes, hotéis, mercados e eventos para distribuir a quem precisa. Quando o Natal se aproxima, o núcleo coleta dinheiro para montar cestas.

“É um momento muito esperado. Sei que é muito pouco o que faço, dadas as dimensões da pobreza, mas sinto que esse pequeno nicho de pessoas é muito bem acolhido por nós. Há sempre uma palavra de conforto, além da comida”.

A portuguesa Sandra Lopes há dois anos inscreveu-se como voluntária na Refood. Crédito: Divulgação.

Como ajudar

Refood

Projeto de combate ao desperdício alimentar. Voluntários ajudam na coleta, triagem e entrega dos alimentos.

https://www.re-food.org

Assistência Médica Internacional – AMI

Apoia pessoas sem abrigo e famílias vulneráveis, com alimentos e apoio social básico no Natal.

https://ami.org.pt/missao/cabazes-de-natal/

Comunidade Vida e Paz

Promove a Ceia de Natal com alimentação, assistência básica, saúde, higiene e espaço de acolhimento.

Doações pelo MB WAY 912 340 222 ou por transferência bancária (IBAN): PT50 0036 0000 9910 5505 0519 6

https://donativos.cvidaepaz.pt/

CTT – Pai Natal Solidário

Conecta crianças de instituições sociais a “padrinhos” que compram os presentes. Basta escolher uma cartinha no site, comprar o presente e entregar em uma Loja CTT.

https://www.ctt.pt/painatalsolidario

Grupo Mulheres do Brasil – Núcleo Lisboa

Voluntárias que desenvolvem e apoiam projetos voltados para mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade. Aceita doações, parcerias e voluntariado.

Instagram: @grupomulheresdobrasillisboa

Colo de Mãe

Rede de apoio que auxilia gestantes e mães no início da maternidade, fornecendo itens como fraldas e enxoval.

Contato para doações ou voluntariado: +351 929 076 232

Ranking

O World Giving Index, elaborado anualmente pela organização britânica Charities Aid Foundation (CAF), mede o nível de generosidade em mais de 140 países.

2024

1º – Indonésia

2º – Quênia

3º – Singapura

86º – Brasil

121º – Portugal

2025 (% da renda doada)

1º – Nigéria (2,83%)

2º – Egito (2,45%)

3º – Gana (2,19%)

48º – Brasil (0,93%)

97º – Portugal (0,45%)

Essa reportagem foi publicada originalmente na revista EntreRios.

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Fernanda Baldioti
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