Geral

Nova Lei de Estrangeiros aprovada: o que muda para os imigrantes em Portugal

Mudanças definem prazos de residência, exigências de integração e limitam vistos de procura de trabalho

Alterações afetam a vida de milhares de imigrantes em Portugal. Crédito: António Pedro Santos/Lusa.

O Parlamento português aprovou nesta terça-feira (30) a nova versão da Lei de Estrangeiros, depois de ajustes feitos pelo Governo à primeira proposta, que havia sido rejeitada pelo Tribunal Constitucional.

As alterações ocorrem em meio a críticas sobre restrições ao reagrupamento familiar e medidas de integração, bem como dúvidas do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o alcance das regras.

Agora, o diploma passa para Rebelo de Sousa, que tem oito dias para apreciação. Em seguida, precisa ser publicado no Diário da República e só assim entra em vigor.

Prazos de residência para reagrupamento familiar

A principal mudança aprovada refere-se ao tempo mínimo de residência exigido para que estrangeiros possam trazer familiares para Portugal.

A lei atual não impõe nenhum prazo: desde que o cidadão tenha autorização de residência válida, ele pode solicitar o reagrupamento familiar de cônjuges, filhos ou outros familiares, inclusive aqueles que começaram a coabitar apenas após sua chegada ao país.

Na primeira proposta do Governo, havia a intenção de exigir dois anos de residência mínima para todos os casos, exceto para menores. Essa exigência gerou críticas e acabou sendo rejeitada pelo Tribunal Constitucional.

Na versão aprovada, o prazo mínimo de residência foi retirado para casais com filhos menores, enquanto cônjuges ou equiparados precisam comprovar apenas um ano de residência e coabitação antes da entrada em Portugal.

Para outros familiares, o prazo de dois anos continua a vigorar, desde que coabitem com o residente ou dele dependam.

Validade de casamentos e uniões de facto

Todos os casamentos ou uniões de facto — relação estável e pública entre duas pessoas que vivem juntas como se fossem casadas, sem, contudo, terem formalizado a união através do casamento civil — devem ser válidos e reconhecidos pela lei portuguesa, e os requerentes precisam ter pelo menos 18 anos.

A lei agora prevê que, em casos excepcionais, o prazo de residência pode ser dispensado ou reduzido pelo membro do Governo responsável pela área das migrações, considerando laços familiares, integração em Portugal e princípios de dignidade humana e proporcionalidade.

LEIA TAMBÉM: Aima promete eliminar pendências ainda em 2025

Alojamento e meios de subsistência

O requisito de comprovação de alojamento adequado e meios de subsistência suficientes permanece inalterado.

Embora a primeira proposta vinculasse essa exigência a propriedades próprias ou alugadas com condições de salubridade e segurança, a versão final manteve regras semelhantes às da legislação atual, exigindo apenas a capacidade de sustento sem depender de apoio social.

Medidas de integração

As medidas de integração também foram detalhadas. Agora, apenas os familiares devem cumprir formação em língua portuguesa, princípios constitucionais e frequência escolar obrigatória, reguladas por decreto.

A renovação das autorizações de residência dependerá da comprovação do cumprimento dessas medidas, salvo por motivos não imputáveis ao familiar ou por razões humanitárias.

Prazos administrativos da Aima

A Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima) terá nove meses para decidir sobre pedidos de reagrupamento familiar, com possibilidade de prorrogação apenas em casos excepcionais.

Essa prorrogação não se aplica a casos de menores ou cônjuges em determinadas condições.

Acesso à justiça

O uso da intimação — mecanismo legal que permite aos imigrantes defender direitos de forma célere — foi modificado.

Agora, pode ser solicitado sempre que houver ameaça grave imediata a direitos, sem necessidade de comprovar irreversibilidade do prejuízo, garantindo maior acesso à justiça.

Vistos para procura de trabalho e cidadãos da CPLP

Os vistos de procura de trabalho foram restringidos a profissionais altamente qualificados.

Além disso, ficou definido que cidadãos da CPLP devem obter visto de residência e passar por verificação de segurança pelo Sistema de Segurança Interna.

Antes, havia a esperança por parte da comunidade brasileira de poder solicitar autorização de residência após entrar em Portugal, mesmo com o fim da manifestação de interesse, mecanismo encerrado ano passado.

O Governo manteve exceções para “vistos gold”, profissionais altamente qualificados e titulares do Cartão Azul da União Europeia. Casais com filhos menores também foram contemplados com dispensa de prazo mínimo de residência.

Porto

Editor do site da EntreRios. Jornalista pela Universidade Federal de Pernambuco e mestrando em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto. Com passagem pela TV Jornal, Jornal do Commercio e BRASIL JÁ.

ROTEIRO DE VIAGEM
7 lugares escondidos em Portugal que você precisa conhecer
Dia das Mulheres
Entre Brasil e Portugal, chef Mirna Gomes fala sobre cozinha e os desa...
Eventos
Cascais divulga principais eventos e festas de 2026
Dia das Mulheres
De medalhista olímpica a empreendedora: brasileira impulsiona beach te...
Agricultura
Ministério da Agricultura atualiza regras sobre alimentos e produtos p...
Business
Grupo português especializado em varejo escolhe o Brasil para nova fas...
SHOW
Michael Jackson "volta" aos palcos em Portugal e com membros da equipe...
Consulado
Consulado-Geral do Brasil em Lisboa realizou uma média de 14,6 atendim...

Leia também

7 lugares escondidos em Portugal que você precisa conhecer

Entre Brasil e Portugal, chef Mirna Gomes fala sobre cozinha e os desafios de ser mulher e imigrante na gastronomia

Cascais divulga principais eventos e festas de 2026

De medalhista olímpica a empreendedora: brasileira impulsiona beach tennis em Cascais

Ministério da Agricultura atualiza regras sobre alimentos e produtos permitidos para levar na bagagem para o Brasil

Grupo português especializado em varejo escolhe o Brasil para nova fase de expansão internacional