Novas Vozes do Fado: Bia Caboz une o gênero ao techno, sertanejo e às batidas de umbanda
Aos 28 anos, a cantora portuguesa fala sobre sua ligação com o Brasil e diz não ter medo de críticas: "O mais importante é fazer o fado seguir em frente"
Bia Caboz, de 28 anos, traz o espírito experimental e provocador da nova geração do fado. A madeirense começou a cantar aos 18 e logo percebeu que o seu caminho seria o da fusão.
Criou o projeto “É Fado?”, que une o gênero a estilos como techno, rap e sertanejo. Ganhou fama com a faixa “Sentir Saudade”, em parceria com o DJ Kura, mas já gravou até com Roberta Miranda uma versão do sucesso “Cabecinha no Ombro”.
“A música brasileira sempre esteve presente na minha vida. Cresci ouvindo a minha mãe cantar sertanejo e realizei um dos meus maiores sonhos: desfilar na Sapucaí, no Rio de Janeiro. O samba, a batucada, o enredo, o forró, a sanfona, a viola caipira… tudo isso ocupa em mim um lugar de nostalgia e emoção”, diz.
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A cantora desafia os limites do que se entende por fado. “Comecei a tocar viola muito cedo, por volta dos 6 anos, mas foi entre os 10 e os 12 que agarrei de verdade e nunca mais larguei”, lembra.
“Cantei os meus primeiros dois fados — “Vou Dar de Beber à Dor” e “Senhor Vinho” — e percebi que havia ali qualquer coisa de especial”.

A paixão veio sem influência direta da família, mas acabou por resgatar memórias afetivas.
“Quando nasci, a minha mãe e as minhas tias já não ouviam tanto fado, ouviam mais sertanejo, música brasileira. Mas ao me ouvirem, vinham à tona memórias delas próprias, e isso criava um encontro bonito”, explica ela, que viveu dois anos no Rio de Janeiro e chegou a gravar a música “Vai Vaguear” com batidas de umbanda.
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Bia tem levado o fado a lugares inesperados — e a jovens que, muitas vezes, nunca tiveram contato com o gênero. “Sempre soube que, para além do fado tradicional, queria falar com pessoas que normalmente não o ouviam”.
O primeiro grande passo foi quando o ‘Valorant’, um jogo eletrônico mundialmente famoso, lançou um mapa de Portugal e convidou Bia para fazer a música. “Propus um fado tradicional — guitarra, viola e baixo — para um jogo de guerra. O impacto foi imediato: milhares de jovens começaram a pesquisar sobre o estilo musical”.

A mistura com o eletrônico em “Sentir Saudade” fez com que ela expandisse os horizontes do gênero. “Foi positivo e surpreendente perceber que, mais forte do que qualquer resistência, muitos fizeram questão de me elogiar”.
Bia não tem medo de críticas. “Acredito que o mais importante é fazer o fado seguir em frente, mesmo que não seja sempre pela via tradicional. Cada vez que a palavra ‘fado’ chega a um lugar novo, abre-se uma porta para alguém descobrir ou regressar às casas de fado”.
Essa matéria foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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