O Neymar de 2026 pode repetir o Messi de 2022?
Em boa forma e concentrado no jogo, Neymar pode ser decisivo para qualquer treinador
Neymar não é Messi. Nem em títulos, nem em regularidade, nem em carreira.
Mas há algo de simbólico — e talvez também motivador — em olhar para o argentino e saber que, aos 35 anos, ele foi o protagonista máximo da Argentina campeã do mundo na Copa de 2022.
Em 2026, na Copa dos Estados Unidos, Neymar, ainda o maior jogador brasileiro em atividade, chegará ao que deve ser seu último Mundial. E mais jovem do que o argentino era no Catar, quatro anos antes.
A história, portanto, ainda está em aberto. E, se o maior desafio do brasileiro é físico, há uma esperança no horizonte.
Na segunda-feira, 4 de agosto, mesmo dia em que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, decretou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro — do qual Neymar é apoiador declarado —, o craque marcou dois gols na vitória do Santos contra o Juventude, em jogo do Campeonato Brasileiro.
A última vez que havia saído de campo com dois gols marcados foi em setembro de 2023, na vitória por 5 x 1 contra a Bolívia, pelas Eliminatórias da Copa.
E ainda mais relevante do que isso foi o fato de que, pela primeira vez desde agosto de 2022, ele completou uma sequência de cinco jogos consecutivos atuando por 90 minutos — algo raro nos últimos anos.
Antes, a última vez que Neymar disputou cinco partidas completas foi ainda pelo Paris Saint-Germain.
Depois disso, vieram a Copa do Mundo do Catar, a lesão no tornozelo e um ciclo interminável de cirurgias, recuperações, festas, posts, filhos, controvérsias e contratempos.
Uma longa travessia que durou quase dois anos. No Brasil, ainda paira uma desconfiança — compreensível — sobre seu retorno à Seleção.
Mas Carlo Ancelotti, um técnico multicampeão acostumado a lidar com estrelas de primeira grandeza como ele, parece disposto a bancar a aposta. Tanto que enviou o coordenador executivo de Seleções, Rodrigo Caetano, e o gerente técnico, Juan Santos — ex-zagueiro da Seleção Brasileira e de clubes como Flamengo e Roma — para acompanhar a performance do craque in loco contra o Juventude.
E parece que gostaram do que viram.
Neymar, bem fisicamente e focado no campo — não em reels, stories, neymarzetes e festas, o que claramente tem interferido em seu desempenho no gramado —, é um trunfo para qualquer treinador.
Basta ele querer! E nem será por muito tempo. Caso seja o “cara” do Hexa nos Estados Unidos, no ano que vem, poderá se dedicar à agitada vida fora dos campos com um assento reservado na galeria dos grandes ídolos da história do futebol brasileiro, ao lado de lendas como Pelé, Garrincha, Romário e Ronaldo Fenômeno. Convenhamos, em ótima companhia.
Resta saber se vai ocupar esse lugar ou seguirá sendo o eterno “menino Ney”. A escolha é sua, Neymar!
Esta coluna é parte da quarta edição da revista EntreRios, distribuída nas principais bancas de Portugal. Você também pode assinar e receber a publicação no conforto da sua casa, além de ler a publicação completa.
Lisboa
Licenciou-se em Relações Internacionais na Universidade Técnica de Lisboa e fez mestrado em Jornalismo Internacional na Puc – São Paulo, entre outras formações.
Iniciou a sua carreira na TV SIC Notícias e foi correspondente Internacional da TVI no Brasil e outros países da América Latina.
Trabalhou na TV Globo Portugal no magazine cultural “Cá Estamos” e desenvolveu projectos dedicados ao canal em Portugal. É ainda autora de três livros.
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