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O que aconteceu no Rio de Janeiro? Entenda a megaoperação policial

Com mais de 120 mortos, a Operação Contenção é considerada a mais letal da história do Rio; moradores denunciam chacina

Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção. Crédito: Tomaz Silva /Agência Brasil.

Pelo menos 121 pessoas morreram nesta terça-feira (28) durante a Operação Contenção, uma das maiores ações policiais já realizadas no Rio de Janeiro. A ofensiva mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias civil e militar, com apoio do Ministério Público, para combater a expansão do Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade.

Segundo as autoridades, o objetivo era cumprir 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão contra líderes da facção, tanto do Rio quanto de outros estados. Durante o confronto, os criminosos usaram drones para lançar granadase ergueram barricadas para impedir o avanço das forças de segurança.

“É assim que a polícia do Rio de Janeiro é recebida por criminosos: com bombas lançadas por drones. Esse é o tamanho do desafio que enfrentamos. Não é mais crime comum, é narcoterrorismo”, escreveu o governador Cláudio Castro nas redes sociais.

Líder do Comando Vermelho entre os mortos

Entre as vítimas está Edgard Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho.

A operação também deixou quatro policiais mortos — dois da Polícia Civil e dois do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Até o fim da noite, mais de 100 pessoas haviam sido presas, cinco delas feridas e sob custódia. Foram apreendidos 75 armas de fogo, além de granadas, pistolas e motocicletas.

“Estamos a atuar com a máxima força e de forma integrada para deixar claro que o poder é do Estado”, afirmou o governador. “Os verdadeiros donos desses territórios são os cidadãos de bem, os trabalhadores”.

Rio viveu dia de caos e medo

Durante os confrontos, 35 ruas foram bloqueadas por criminosos em diferentes pontos da cidade, com veículos, barricadas e objetos incendiados.

Segundo a Agência Brasil, 45 escolas e cinco clínicas precisaram suspender as atividades, e 12 linhas de autocarrosdesviaram seus trajetos.

O caos também atingiu o transporte público: mais de 200 linhas de ônibus tiveram itinerários interrompidos ou alterados, e 71 veículos foram usados como barricadas. Às 13h48, a prefeitura elevou o nível de alerta da cidade, mas, na madrugada seguinte, o Centro de Operações e Resiliência (COR) informou o retorno ao estágio 1, indicando normalidade.

Moradores denunciam mais de 100 mortos

Na manhã desta quarta-feira (29), moradores do Complexo da Penha retiraram cerca de 60 corpos de uma área de mata e os reuniram na Praça São Lucas. Segundo os relatos, essas vítimas não fazem parte da contagem oficial de 64 mortos — 60 suspeitos e quatro policiais.

A quantidade total de mortos foi atualizada para 121 à noite pela Polícia Civil. Esses números englobam os quatro policiais e os suspeitos, segundo repercutido pelo UOL.

O ativista Raul Santiago, morador do complexo, fez uma transmissão ao vivo denunciando o que chamou de “chacina que entra para a história do Rio de Janeiro, do Brasil e marca com muita tristeza a realidade do país”.

De acordo com a Agência Brasil, os corpos foram expostos a pedido dos familiares e depois cobertos com lençóis, enquanto aguardavam a remoção pelo Instituto Médico-Legal (IML). O Corpo de Bombeiros iniciou a retirada ainda pela manhã.

*Com informações da Agência Lusa e Agência Brasil.

Porto

Editor do site da EntreRios. Jornalista pela Universidade Federal de Pernambuco e mestrando em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto. Com passagem pela TV Jornal, Jornal do Commercio e BRASIL JÁ.

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