O que o Super Mundial de Clubes revela e ensina sobre o futebol brasileiro
Mundial de Clubes 2025 mostra lacuna entre clubes brasileiros e europeus em estrutura, orçamento e profissionalismo, apesar do talento nacional
Vencido pelos ingleses do Chelsea — que, para surpresa de todos, na final bateram sem esforço o poderoso e favorito PSG —, o novo Mundial de Clubes da Fifa testou não apenas os elencos, mas o grau de profissionalização dos clubes que disputam a elite do futebol global. Pela primeira vez com 32 participantes, o torneio foi um retrato da distância que separa tradição e estrutura.
Com quatro representantes — Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo —, o Brasil teve presença expressiva no torneio, mas encerrou sua participação sem nenhum finalista. Mais do que performance, o Mundial escancarou diferenças estruturais e orçamentárias.
Enquanto os europeus operam com calendário racionalizado, receitas bilionárias e comissões técnicas longevas, os clubes brasileiros convivem com trocas frequentes de treinadores e orçamentos tímidos quando comparados aos dos grandes do Velho Continente. A intensidade do jogo, a capacidade de adaptação tática e a regularidade mental demonstradas por times como PSG, Chelsea e Real Madrid deixam clara a lacuna.
O Brasil segue como um dos maiores celeiros de talentos do mundo, mas transformar esse potencial em capacidade de brigar de igual para igual com os maiores do mundo exige algo ainda em falta por aqui: projeto.
O melhor resultado do quarteto foi a inesperada vitória do Botafogo sobre o poderoso PSG, atual campeão europeu e que, apesar da derrota na finalíssima, é o time que no momento pratica o melhor futebol de clubes do mundo.
Mas o Fogão caiu logo na sequência do torneio, ao perder na prorrogaçao para o Palmeiras com um gol do atacante Paulinho, depois de uma partida apagada e sem inspiração. O time paulista e o Flamengo não deram vexame.
Mas exceção à vitória rubro-negra sobre o campeão Chelsea, não chegaram a empolgar. O Palmeiras deixou os Estados Unidos como único dos quatro brasileiros a não vencer um rival europeu. Caiu diante dos ingleses campeões nas quartas-de-final. O Flamengo voltou para casa ainda antes, ao perder por 4 x 2 para o poderoso Bayern de Munique nas oitavas.
A campanha do Fluminense foi a mais surpreendente. Com elenco reduzido, alguns talentos individuais e um técnico, Renato Gaúcho, que alia experiência e malandragem, mostrou que é possível competir com dignidade, mesmo sem as maiores receitas. Foi até a semifinal sendo eliminado pelo mesmo Chelsea que perdeu do Flamengo e bateu o Palmeiras.
O Mundial de 2025 não foi uma tragédia para os brasileiros, mas tampouco motivo de comemoração. Serve como um espelho e reflexão. O futebol mudou, e se quisermos voltar a disputar títulos com os melhores do planeta, será preciso fazer mais do que formar craques: será preciso ter estrutura, seriedade e profissionalismo.
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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