O Web Summit da IA: aproveite para desaprender e recomeçar tudo
No maior evento de tecnologia do mundo, Lisboa vira palco da revolução da inteligência artificial e mostra o protagonismo de Brasil e Portugal na inovação
Alguns eventos servem para atualizar tendências. Outros, para transformar. O Web Summit 2025, aberto ontem em Lisboa, é desse segundo tipo. Quem vai a uma feira dessas dimensões — seja empreendedor, estudante ou curioso — passa a olhar para o futuro do trabalho e dos negócios com lentes nunca dantes navegadas. A IA (Inteligência Artificial), que está no ar que se respira no Parque das Nações, não é mais uma promessa. É o novo chão sob nossos pés.
O ministro Adjunto e da Reforma do Estado português, Gonçalo Matias, na cerimônia de abertura, resumiu o espírito disruptivo do encontro ao dizer que “Portugal tem todas as condições para se tornar um líder mundial em Inteligência Artificial”.
A declaração soa um pouco exagerada, mas reflete o sentimento geral do ecossistema do Summit: estamos diante de uma virada histórica e ninguém quer ficar de fora. As inscrições para protagonistas estão abertas.
Um mundo reprogramado
Com mais de 70 mil participantes, 2.500 startups e mil investidores de 160 países, o Web Summit 2025 transforma Lisboa, nesta semana, no epicentro da tecnologia. E tudo o que se pensa e se deseja por aqui é descobrir como usar IA — ou AI — para reinventar negócios, profissões e até a forma de pensar.
O empreendedor que antes se perguntava “quando vou usar IA?” passa a encarar outra questão: “o que acontece se eu não usar?”. Talvez não seja necessário — mas ajuda — perambular entre os pavilhões da Feira Internacional de Lisboa e do MEO Arena para encontrar a resposta: você vai ficar tão parado quanto aquela pessoa que rejeitou o celular por apego às fichas de orelhões e cabines telefônicas. Ou seja, quem não perder a ojeriza à tecnologia pode ir dando tchauzinho.
Exemplos da revolução
Basta olhar para algumas ideias apresentadas no evento para perceber o salto. Uma startup brasileira desenvolve “agentes de IA” que conversam com clientes, vendem e resolvem dúvidas. É o atendimento digital ganhando empatia e eficiência humanas.
Outra, portuguesa, usa IA para prever movimento em restaurantes, ajustar equipe e estoque automaticamente. Menos desperdício, mais lucro e melhor experiência para o cliente.
Há também uma que analisa câmeras em tempo real para detectar comportamentos suspeitos e melhorar a segurança pública. Muda tudo.

A IA não é mais laboratório: é ferramenta diária que decide, antecipa, aprende e, cada vez mais, substitui o improviso humano pela precisão algorítmica.
E o melhor: grande parte dessas soluções nasce em economias emergentes, onde a criatividade costuma valer mais do que o orçamento.
Chance de ouro em nossos países
Brasil e Portugal nunca conseguiram sair das beiradas da revolução industrial. Agora, na era digital e cognitiva, países assim ganham uma chance de alterar o mapa das civilizações avançadas, rumo ao centro. O Brasil apresentou mais de 300 startups em Lisboa. Portugal, por sua vez, aposta em programas nacionais de inovação, como o Road 2 Web Summit, que apoiou 115 startups — mais de um terço delas lideradas por mulheres.

O sucesso de uma nação agora não depende de matéria-prima ou fábrica, mas sim de talento e imaginação. O novo mundo pós-industrial está aberto a quem sabe construir com código, dados e ideias.
O jornalista Vicente Nunes, do Público Brasil, destacou uma declaração do presidente executivo do Web Summit, Pady Cosgrave, segundo a qual o PIX brasileiro é a “maior surpresa” dos últimos anos e o mundo deve voltar “todos os olhos para o PIX”, o sistema eletrônico de pagamentos e transferências de recursos criado pelo Banco Central do Brasil.
Para Cosgrave, o PIX é um fato extraordinário, ao ponto de inspirar a ira do homem mais poderoso do mundo. Donald Trump incluiu a forma de pagamento entre os motivos para a sobretaxa dos produtos brasileiros, pelo prejuízo que causa às bandeiras de cartão de crédito americanas.
Esquecer para aprender
A Inteligência Artificial está redefinindo o que significa empreender, aprender e até sonhar. O velho manual dos negócios — aquele baseado em hierarquia, intuição e rotina — não serve mais.
Agora é tempo de observar, experimentar e reaprender a cada nova atualização de software. Como disse um dos organizadores do evento: “este não é apenas o maior Web Summit de sempre, é o mais importante, porque o mundo da tecnologia está mudando diante dos nossos olhos”.
E se o mundo está mudando, o melhor lugar para começar de novo é aqui: no cruzamento entre Lisboa e o futuro.
Como a transparência também é, ou deveria ser, uma tendência do mundo novo, é preciso dizer que este artigo teve uma mãozinha de um app de inteligência artificial. Seria impossível correr atrás de cada informação entre os trocentos stands e pavilhões do Summit. Mesmo recorrendo à IA, os joelhos chegam ao fim do dia no Web Summit precisando de AI — no caso, o velho anti-inflamatório.

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