Venezuela ONU

Operação militar americana na Venezuela gera crise internacional

Enquanto Maduro será julgado nos EUA, hoje ONU se reúne de emergência a pedido da Venezuela, com o apoio da Colômbia e Irã para avaliar politicas de Trump

Conselho Segurança ONU, Arquivo Agência Lusa, Foto Nuno Veiga

Após bombardear a Venezuela e sequestrar o presidente Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou anexar a Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca, e sugeriu uma ação militar contra o governo da Colômbia, de Gustavo Petro.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reagiu após as declarações de Trump,  lembrando que a Dinamarca faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e está coberta pela garantia de segurança da aliança militar, que é encabeçada pelos próprios EUA, “Já temos um acordo de defesa entre o Reino e os Estados Unidos, que concede aos EUA amplo acesso à Groenlândia. E nós, por parte do Reino, investimos significativamente em segurança no Ártico”, por isso apelou ao fim das ameaças.

Em uma rede social, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também disse que a ameaça é inaceitável, “Quando o presidente dos Estados Unidos fala “precisamos da Groenlândia” e nos liga com a Venezuela e intervenção militar, não é só errado. Isto é tão desrespeitoso. Nosso país não é objeto de retórica de superpotência”, comentou.

Em entrevista à revista The Atlantic, Trump afirmou, nesse domingo (4), que Washington “precisa” da Groenlândia para a segurança nacional. “Precisamos da Groenlândia para nossa segurança nacional. Se você olhar para Groenlândia, olhar para cima e para baixo da costa, tem navios russos e chineses por todas as partes”, afirmou o chefe da Casa Branca.

As ameaças para anexar o território no extremo-norte do continente americano vêm desde que Trump assumiu o governo, em janeiro de 2025.

A nova ameaça desse domingo foi rejeitada por outros chefes de Estado europeus, como dos vizinhos Finlândia, Noruega e Suécia.

Colômbia

Além da Groenlândia, Trump ameaçou também de uma ação militar na Colômbia, do presidente esquerdista Gustavo Petro, crítico das políticas da Casa Branca para a América Latina. O presidente dos EUA disse que uma ação militar contra o governo Petro, “A Colômbia também está muito doente, administrada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA”, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, disse Trump a jornalistas.

O presidente da Colômbia rejeitou as acusações do presidente estadunidense.   “Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas”.

ONU

Conselho de Segurança da ONU reúne-se hoje de emergência para discutir a situação.

A reunião foi pedida por autoridades da Venezuela para abordar o que designaram de “agressão criminosa” dos Estados Unidos. Países como o Irã e a Colômbia apoiaram o pedido venezuelano.

A reunião acontece no mesmo dia em que Maduro e a sua mulher Cilia Flores, detidos em Nova Iorque, irão a tribunal pelas 17 horas de Portugal.

Maduro é acusado pelos EUA de crimes de narcoterrorismo e posse de armas.

Hoje em Portugal realizam-se manifestações de protesto pela operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela.

A comunidade internacional está dividida  entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos e saudações pela queda de Maduro. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a ação militar de Washington poderá ter “implicações preocupantes” para a região.

Horas após o ataque, ainda no sábado, Trump, anunciou que serão os Estados Unidos a governar o país até se concluir uma transição de poder e admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.

Já no domingo, Delcy Rodríguez, “vice” de Nicolás Maduro, foi confirmada presidente interina e  Trump ameaçou-a dizendo que “pagará mais caro do que Maduro” se “não fizer o que deve”.

Com Agência Brasil e Agência Lusa

Lisboa

Licenciou-se em Relações Internacionais na Universidade Técnica de Lisboa e fez mestrado em Jornalismo Internacional na Puc – São Paulo, entre outras formações.
Iniciou a sua carreira na TV SIC Notícias e foi correspondente Internacional da TVI no Brasil e outros países da América Latina.
Trabalhou na TV Globo Portugal no magazine cultural “Cá Estamos” e desenvolveu projectos dedicados ao canal em Portugal. É ainda autora de três livros.

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