Portugal entra em prontidão nível 3 por neve e mar agitado com tempestade Ingrid
Proteção Civil eleva alerta em quase todo o país, prevê isolamento de aldeias, cortes de estradas e pede à população que evite deslocações
A Proteção Civil colocou praticamente todo o território continental português em estado de prontidão especial de nível 3, entre esta quinta (22) e sábado (24), devido aos efeitos esperados da depressão Ingrid, que deverá trazer neve e forte agitação marítima. O nível de alerta está em vigor desde as 16h desta quinta-feira e as 23h59 de sábado.
Segundo a Lusa, em conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, no concelho de Oeiras, o comandante nacional, Mário Silvestre, explicou que, “à exceção do Alentejo Central e do Baixo Alentejo, todo o país” ficará abrangido por este grau de prontidão, numa escala que varia entre 1 e 4, sendo 4 o mais elevado.
Segundo o responsável, a decisão implica um reforço de 75% dos meios disponíveis no Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS). Mário Silvestre alertou ainda que a forte agitação marítima “pode provocar galgamentos costeiros”.
Recomendações e cuidados
Com base nas previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o comandante citou a existência de “riscos potenciais significativos” nas zonas onde se prevê queda de neve, admitindo a possibilidade de algumas aldeias e localidades ficarem isoladas. Essa situação poderá afetar não só o quotidiano das populações, mas também “a capacidade de salvamento”.
Entre as recomendações deixadas, destaca-se o apelo para que a população evite “ao máximo a circulação nas vias rodoviárias”. Os Serviços Municipais de Proteção Civil foram alertados para realizarem uma “avaliação pontual da oportunidade de encerramento de escolas, creches e serviços não essenciais”, reduzindo a necessidade de deslocações.
Foi também sublinhada a importância de avaliar a realização de espetáculos e eventos ao ar livre durante o período de vigência dos avisos do IPMA, procurando novamente minimizar a circulação, sobretudo nas zonas mais afetadas.
O presidente da ANEPC, José Manuel Moura, reforçou o apelo à colaboração dos cidadãos, pedindo que evitem deslocar-se à orla costeira “para ver as ondas” resultantes da agitação marítima ou às zonas de serra “para ver a neve”.
“Quando temos agitação marítima com algum significado, acabamos por ver uma adesão da população à orla costeira para observar as ondas, e é precisamente o contrário do que pretendemos”, alertou. O mesmo aviso foi deixado para quem pondera “subir às serras para ver a neve”.
“Muitos vão encontrar estradas cortadas ou encerradas, pelo que não valerá a pena adotar esse tipo de comportamento. Estas são atitudes de segurança que contribuem para que, no final, não tenhamos vítimas a registar”, acrescentou.
De acordo com o responsável, serão enviadas cerca de 10 milhões de mensagens SMS à população com orientações de autoproteção.
Nuno Lopes, do IPMA, explicou que o risco de isolamento de localidades resulta da previsão de neve a cotas mais baixas do que o habitual, citando exemplos como Viseu, Fundão, Mêda e o distrito de Coimbra, onde poderá ocorrer “acumulação significativa de neve”. O cenário poderá ainda repetir-se na serra de Montejunto, no distrito de Lisboa, e na serra de Monchique, no Algarve.
“Isto significa que a neve pode surgir em locais onde não existe tradição de lidar com este tipo de situação”, explicou.
Já a Guarda Nacional Republicana (GNR), segundo o coronel Vítor Lima, colocou 34 equipas da Unidade de Emergência e Proteção e Socorro em prevenção imediata até ao fim do período de alerta.
Desde quarta-feira, a GNR ativou um conjunto de medidas de prevenção e mitigação, incluindo a mobilização das chamadas viaturas todo-o-terreno para responder em zonas de difícil acesso, com recurso a correntes de neve nos pneus.
Foram também estabelecidos contatos com concessionárias de autoestradas e com a Infraestruturas de Portugal, para garantir uma avaliação “o mais precoce possível” da situação e assegurar o conhecimento dos meios disponíveis, como espalhadores de sal e limpa-neves.
Segundo o IPMA, os distritos de Braga, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu estarão sob aviso vermelho devido à neve a partir das 00h de sexta-feira. O aviso, o mais grave numa escala de três, deverá manter-se pelo menos até às 9h de sábado, devido à possibilidade de queda de neve acima dos 600 a 800 metros, com acumulações entre 20 e 30 centímetros acima dos 800 metros e risco de formação de gelo.
Está ainda prevista uma descida pontual da cota de neve até os 400 metros no final da tarde de sexta-feira, com acumulações até cinco centímetros acima dos 600 metros e entre 20 e 30 centímetros acima dos 800 metros até à manhã de sábado. O instituto alerta para possíveis perturbações graves na circulação rodoviária.
Depressão Ingrid
Estes fenômenos resultam da passagem da depressão Ingrid por Portugal continental, cujos efeitos começaram a ser sentidos na tarde desta quinta, levando o IPMA a emitir vários avisos de chuva, vento, neve e agitação marítima.
Ainda devido à neve, os distritos de Coimbra, Aveiro, Castelo Branco, Guarda e Bragança estão sob aviso laranja, o segundo mais grave, alguns já a partir das 21h desta quinta-feira.
Durante a tarde e o início da noite desta quinta-feira, são esperados períodos de chuva, por vezes intensa, sobretudo no litoral a norte de Sines e no interior centro e sul. Prevê-se também vento forte, com rajadas no litoral, especialmente a sul do Cabo Mondego, e nas terras altas do Centro e Sul, onde a intensidade será maior na sexta-feira e no sábado.
*Com informações da Agência Lusa
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