Portugal está entre os países da Europa onde mais se passa frio dentro de casa
Grande parte das habitações é antiga, mal isolada e sem aquecimento central
O inverno chega e, para muitas famílias, não é só o casaco que falta. Falta calor dentro de casa. Em Portugal, onde a eletricidade está entre as mais caras da Europa e grande parte das habitações é antiga, mal isolada e sem aquecimento central, enfrentar o frio virou parte da rotina.
Paredes geladas, janelas sem vidro duplo, umidade constante e aquecedores ligados que não dão conta do recado. Em muitas casas, a temperatura interna chega a ser mais baixa do que a externa. O resultado vai além do desconforto: problemas respiratórios, doenças crônicas e uma sensação permanente de vulnerabilidade.
Segundo dados do Eurostat, mais de 41 milhões de pessoas na União Europeia não conseguem arcar com o custo de manter suas casas devidamente aquecidas.
Portugal aparece em posição preocupante nesse cenário. Em 2024, o país foi o 4º da União Europeia com maior percentual de pessoas incapazes de aquecer adequadamente a própria casa: 14,5% da população.
Apesar de representar uma melhora em relação a 2023 — quando esse número era de 20,8%, uma queda de 5,9 pontos percentuais — o problema continua longe de ser resolvido.

A média da União Europeia ficou em 9,2%, também com leve melhora em relação ao ano anterior. Ainda assim, milhões seguem enfrentando o frio dentro de casa. Os países com as taxas mais altas de pessoas em situação de pobreza energética são: Bulgária e Grécia: 19,0% Lituânia: 18,0% Espanha: 17,5% e Portugal: 14,5%
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A habitação é um direito social, mas, na prática, dezenas de milhões de europeus vivem em casas frias. Em Portugal, o inverno não é só uma estação: é um desafio diário, enfrentado com cobertores extras, roupas dentro de casa e escolhas difíceis em pagar a conta de luz alta.
redes@revistaentrerios.sapo.pt
Jornalista com pós graduação em Marketing Digital. Atuou na TV Globo, Band, SBT, Record, TV Brasil e nas rádios Globo e CBN. Em Portugal apresentou telejornal para países lusófonos, na Banda TV. Foi repórter e colunista de cultura da Revista Brasil JÁ e atualmente assina a editoria de cultura da EntreRios.
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