Portugal permite operações americanas a partir das Lajes; Espanha nega uso das suas bases para fins militares
O Governo espanhol não autorizou o uso das suas duas bases para uso militar, em Portugal na Base das Lages as movimentações de aviões americanas continuam intensas
É um tema recorrente em Portugal: Para que fins é utilizada a Base das Lajes nos Açores? Por estes dias, a base localizada na ilha Terceira mantém um movimento fora do normal de aeronaves norte-americanas, e coincidente com o ataque dos Estados Unidos da América (EUA) e Israel ao Irã, em 28 de fevereiro.
Não há informações oficiais, mas algumas aeronaves poderão estar reabastecendo aviões militares norte-americanos que se desloquem entre os Estados Unidos e o Oriente Médio ou no percurso inverso.
Desde o dia 18 de fevereiro se intensificou o movimento de aeronaves norte-americanas na Base das Lajes. Há uma semana, ainda antes do ataque ao Irã, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, disse que o Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos previa “autorizações tácitas” para o uso da Base das Lajes.
Já o Embaixador do Irã em Portugal afirmou que Portugal, ao “permitir que os americanos usem a base das Lajes, está sendo cúmplices das ações diretas contra o Irã. Majud Tafreshi falou em entrevista à SIC onde disse que se Portugal se está se juntando a essa agressão tem a sua própria responsabilidade”
Posição Espanhola
Já a Espanha recusou a utilização de bases militares no país pelos Estados Unidos (EUA) nos ataques ao Irã. Os norte-americanos já tiveram de deslocar os aviões para outros países europeus, disse a ministra da Defesa, Margarita Robles, em declarações a jornalistas: “Nas bases que há em Morón e em Rota não se prestou nenhum tipo de assistência, absolutamente nenhuma, a esta atuação, a estes ataques”.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Jose Manuel Albares, afirmou que a Espanha “não vai ceder as suas bases” para o ataque ao Irã.
Os EUA usam duas bases militares espanholas, em Rota e Morón, ambas no sul do país, mas a ministra da Defesa sublinhou que o acordo com os norte-americanos para a utilização das bases “tem de funcionar dentro do quadro da legalidade internacional” e, “neste momento”, Israel e EUA “estão a atuar unilateralmente, sem o apoio de uma resolução internacional” para os ataques ao Irã.
“Apostamos claramente pelas soluções diplomáticas”, acrescentou Margarita Robles, que sublinhou que o Governo espanhol defende que “o povo iraniano tem o direito a libertar-se”, mas “a violência, os conflitos, as mortes, nunca vão ser a solução de nenhum problema”.
Segundo meios de comunicação social espanhóis, os aviões norte-americanos que estavam nas suas bases foram levados para a Alemanha, Reino Unido e outros países europeus.
Em paralelo, o MNE espanhol revelou segunda-feira (2) que chamou o embaixador do Irã em Madri, Reza Zabib, para condenar os ataques “injustificados” a países do Oriente Médio e ao Chipre, um membro da União Europeia.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irã para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerã respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região do Oriente Médio, em Chipre e em alvos israelitas.
susana@revistaentrerios.sapo.pt
Lisboa
Licenciou-se em Relações Internacionais na Universidade Técnica de Lisboa e fez mestrado em Jornalismo Internacional na Puc – São Paulo, entre outras formações.
Iniciou a sua carreira na TV SIC Notícias e foi correspondente Internacional da TVI no Brasil e outros países da América Latina.
Trabalhou na TV Globo Portugal no magazine cultural “Cá Estamos” e desenvolveu projectos dedicados ao canal em Portugal. É ainda autora de três livros.
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