Produção de brasileiros coloca Nisa no radar do vinho alentejano
Primeiro rótulo da Casa Landeiro combina mínima intervenção, tradição portuguesa e a história pessoal de casal brasileiro
A recém-fundada Casa Landeiro, criada em 2024 por Luiz e Graziela Landeiro em Nisa, no Alto Alentejo, apresentou oficialmente o seu vinho de estreia: Para Nisa Tinto 2024.
O rótulo, que nasce da primeira vindima e segue princípios de mínima intervenção, revelou um tinto encorpado, equilibrado e fiel ao terroir local.

Produzido a partir de vinhas de sequeiro, colheita manual e intervenções limitadas na viticultura, o vinho reflete uma filosofia centrada no respeito pela terra, pelos ciclos naturais e pela identidade da região.
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Segundo Landeiro, a escolha de Nisa não foi apenas técnica foi, sobretudo, emocional. A localização, próxima ao rio Tejo e marcada por um microclima distinto do restante Alentejo, despertou a atenção pelas oportunidades que oferece num cenário de mudanças climáticas e crescente escassez hídrica: “Nisa não tem tradição de vinho, mas tem um potencial incrível”, afirma.

A decisão de se instalar ali também foi influenciada pela busca pessoal de Landeiro por suas origens galego-portuguesas, um processo de reconexão familiar que durou anos e o levou a viajar, pesquisar e, por fim, criar um projeto que unisse terra, tradição e o nome da família.
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A propriedade de 30 hectares — 14 deles já com vinha — está sendo recuperada para sustentar uma produção sustentável, que inclui práticas como o uso de ovelhas para controlar a vegetação, evitando herbicidas. Para esta primeira edição, foram produzidas 3.500 garrafas, com preço previsto de 11,99 euros no varejo e 7,95 euros para distribuição.
O “Para Nisa” é pensado como vinho de entrada da casa, mas novas referências já estão a caminho: a partir de 2026, a Casa Landeiro planeja lançar um segundo tinto mais elaborado, além de iniciar o replantio para produção futura de vinhos brancos.

Jornalista com pós graduação em Marketing Digital. Atuou na TV Globo, Band, SBT, Record, TV Brasil e nas rádios Globo e CBN. Em Portugal apresentou telejornal para países lusófonos, na Banda TV. Foi repórter e colunista de cultura da Revista Brasil JÁ e atualmente assina a editoria de cultura da EntreRios.
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