Qual espumante servir no Réveillon? Guia fácil para acertar
Do Champagne ao espumante português, saiba como escolher a garrafa ideal para o Réveillon
O estouro da rolha de um vinho espumante ou champanhe é um idioma universal para anunciar a virada de ano. Se o francês Champagne domina o imaginário festivo e Itália e Espanha têm o seu lugar garantido nas festas, Portugal constrói, taça a taça, uma tradição de bolhas competitivas que unem frescor e história.
Mas, como escolher o espumante do Réveillon? Head sommelier do Vila Vita Park, o brasileiro Augusto Brumatti recomenda atenção ao público da festa. “Um Brut é sempre uma escolha segura: seco, fresco, versátil, acompanha do aperitivo à sobremesa”, diz. Aí estão os espumantes do método tradicional. “Têm bolhas finas, textura cremosa e notas de brioche e frutos secos, perfeitos para celebrações elegantes”.

Para festas mais descontraídas, com serviço volante e dança, ele sugere os leves, frutados e vibrantes, como Prosecco ou Pet Nat, feito pelo método ancestral, que resulta em menos borbulhas e aparência levemente turva. “Um bom espumante traduz o clima da festa. Não precisa ser o mais caro, mas o que desperta alegria no primeiro gole”.
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Mas, atenção: nem todo espumante precisa esperar o brinde da meia-noite. “Comece a comemoração com algo leve e seco, como Brut Nature ou Blanc de Blancs, que combina com ostras, camarão, salmão defumado ou queijos de cabra”, aponta Brumatti.
Para o jantar, algo estruturado, como um Extra Brut ou um Champagne Vintage. “Trazem corpo e notas de frutos secos e brioche, que casam com bacalhau assado, peru ou até carnes vermelhas”. Na sobremesa, a doçura pode voltar à taça — ou ao copo. “Um Demi-Sec acompanha bem tarte de amêndoas, pavlova, panetone ou tartes de frutas”.

Brumatti resume as diferenças entre os espumantes mais famosos do mundo. “O Champagne, francês, é luxo e história. O método tradicional nasceu lá, e as bolhas finas e persistentes tornaram-se símbolo de celebração e prestígio”, explica.
O espanhol Cava é, por assim dizer, mais democrático. “Feito também pelo método tradicional, com uvas como Macabeo, Parellada e Xarello, tem preços mais acessíveis”.
Já o Prosecco, italiano, é sinônimo de leveza. “Feito em tanques, mantém aromas florais e frutados, bolhas alegres e descontração. É o vinho das festas e dos coquetéis”.
Entre tradições e descobertas, o sommelier reforça o essencial: “O espumante é o vinho da alegria. Não há festa sem ele. Mas, acima de tudo, é uma bebida que convida a olhar para o novo com leveza — e isso é o ideal para um Ano Novo”.
O potencial português
Segundo Brumatti, Portugal tem regiões com enorme potencial, e duas se destacam: Távora-Varosa e Bairrada. “Na Bairrada, o clima atlântico e os solos argilosos e calcários dão aos espumantes corpo, mineralidade e uma acidez vibrante”, explica.
A região, versátil, combina castas autóctones (uvas nativas de determinada região), como Baga e Arinto com variedades internacionais, como Chardonnay e Pinot Noir.
A Bairrada tem produtores que rivalizam com os melhores do mundo, como Caves São João, Quinta das Bágeiras, Caves da Montanha e Campolargo. “E há uma nova geração incrível: Vadio, de Luís Patrão, Giz, de Luís Gomes, e claro, a sempre criativa Filipa Pato”, diz o sommelier brasileiro.

A Bairrada tem registros de 1890 na produção de espumantes. “Cem anos depois, começamos a popularizar a baga, uma casta autóctone que produz um rosé único”, diz o enólogo Luis Pato, pai de Filipa. Outras uvas populares da região são a Bical, a Sercial e a Maria Gomes, além das “importadas” da França: Chardonnay e Pinot Noir.
Os vinhos de Távora-Varosa dão show de elegância. “As vinhas em altitude e os solos graníticos e arenosos produzem uvas de acidez alta e perfil delicado. São espumantes frescos e com um toque de mineralidade”, diz Brumatti. As uvas mais usadas são Malvasia Fina, Sercial, Gouveio e Bical.
A região abriga nomes históricos como Murganheira e Raposeira, mas também produtores que desafiam o padrão, como Marcus Henn, que já fez espumantes a partir de Riesling, algo raro em Portugal.
Essa reportagem foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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