Quem é o atleta que pode trazer a primeira medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno para o Brasil
Lucas Pinheiro Braathen é o líder do ranking na modalidade slalom e namora a atriz brasileira Isadora Cruz
O Brasil nunca figurou entre os favoritos nos Jogos Olímpicos de Inverno. Desta vez, porém, o cenário é outro. A edição que começa nesta sexta-feira (6), em Milão, tem um protagonista bem definido: Lucas Pinheiro Braathen, esquiador alpino que carrega a expectativa inédita de levar o país ao primeiro pódio na competição.
Lucas nasceu em Oslo, na Noruega, tem 25 anos e cresceu entre dois mundos. Filho de pai norueguês e mãe brasileira, ele conheceu o Brasil ainda pequeno, quando a mãe, Alessandra, voltou para São Paulo após a separação. A vida acabou seguindo outro rumo, e Lucas retornou à Noruega para viver com o pai, mas o vínculo com o Brasil nunca se perdeu.
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O português foi sua primeira língua, as férias sempre tiveram endereço brazuca e o futebol ocupou o lugar de primeira paixão. Antes de encarar pistas geladas, ele corria atrás da bola nas ruas, inspirado por nomes como Ronaldinho e Cristiano Ronaldo.

O esqui entrou na vida de Lucas quase por insistência do pai, que trabalhava em diferentes estações da Noruega. A princípio, o esporte não empolgou. A virada veio aos oito anos, quando ele viu um grupo de esquiadores descer a montanha em alta velocidade. Dali em diante, não parou mais. O talento o levou rapidamente ao topo do esqui alpino mundial, com destaque para o slalom, a prova mais técnica da modalidade. Pela Noruega, conquistou títulos importantes, incluindo a Taça do Mundo de slalom em 2023, e se consolidou como um dos grandes nomes da geração.
Conflito com a federação norueguesa
A carreira, no entanto, sofreu uma ruptura pouco depois do auge. Um conflito com a federação norueguesa fez Lucas anunciar uma pausa no esporte. Ele falava em liberdade, em buscar espaço para outras paixões como música, arte e moda, áreas nas quais sempre se expressou sem receios.

A ausência durou menos do que parecia. Na temporada seguinte, Lucas voltou às pistas, agora defendendo o país da mãe. A escolha pelo Brasil não surgiu como gesto simbólico, mas como decisão pessoal e esportiva. Competir por um país sem tradição no esqui de alto nível representava um novo começo.
Os resultados vieram rápido. Em Levi, na Finlândia, Lucas se tornou o primeiro brasileiro a vencer uma etapa da Copa do Mundo de esqui alpino. Somou outros pódios na temporada e chegou aos Jogos de Milão entre os líderes do ranking mundial do slalom e também bem colocado no combinado, que reúne as quatro disciplinas do esqui alpino. Pela primeira vez desde a estreia olímpica brasileira no inverno, em 1992, a possibilidade de medalha deixou de ser apenas discurso otimista.
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Fora das pistas, Lucas chama atenção por um estilo que foge do padrão do esporte. As cores, as roupas e a postura contrastam com a sobriedade comum do esqui. Ele atribui essa identidade ao Brasil, país que moldou sua personalidade tanto quanto a Noruega moldou sua técnica. A música brasileira também acompanha os dias de competição. Antes das provas, costuma ouvir Jorge Ben Jor. Torcedor do São Paulo, mantém hábitos simples quando chega ao Brasil: pão de queijo, guaraná e churrasco no primeiro jantar.
Romance com atriz brasileira
A vida pessoal também o aproxima ainda mais do país. Lucas namora a atriz brasileira Isadora Cruz, com quem divide parte da rotina fora das competições. Os dois estão juntos desde junho de 2025. Entre treinos, viagens e eventos, o esquiador constrói uma imagem que mistura esporte, cultura e identidade, algo raro em um cenário historicamente fechado.

Em Milão, Lucas Pinheiro Braathen leva a chance de escrever uma página inédita para o esporte brasileiro, em um território onde o país nunca subiu ao pódio.
Se a medalha vier, será a prova de que, mesmo longe do gelo, o Brasil também pode conquistar o seu espaço na neve.
renata@revistaentrerios.sapo.pt
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