Radar Cultural: a arte têxtil de Sonia Gomes chega a Lisboa
Da costura à arte contemporânea, Sonia Gomes expõe em Lisboa sua poética de tecidos e resistência
A artista afro-brasileira Sonia Gomes, nascida em Caetanópolis, Minas Gerais, é um dos grandes nomes da nossa arte contemporânea. Ela transforma tecidos usados e materiais esquecidos em obras repletas de memória, afeto e resistência. Na primeira exposição individual em Lisboa, chamada Torcer, amarrar e pender, Sonia apresenta uma arte feita com tecidos — ou pedaços deles. Mais do que formas orgânicas, as obras falam sobre histórias, vidas e tradições que se entrelaçam.
Sonia começou a carreira artística nos anos 1990, enquanto trabalhava como advogada. Na época, o manuseio de tecidos era visto como artesanato — e não arte. Ela conta que isso também estava relacionado ao preconceito racial. “No Brasil, negro faz artesanato; branco faz arte. Eu resolvi continuar fazendo o que acreditava. As pessoas chamariam como quisessem”.

O tempo trouxe reconhecimento, e suas obras foram exibidas em espaços como o Museu de Arte de São Paulo (Masp), a Pinacoteca de São Paulo, a Pace Gallery de Nova York e o Museum Frieder Burda, na Alemanha, além de mostras na Itália, Dinamarca, Reino Unido, Coreia do Sul e Estados Unidos.
Sonia credita seu sucesso à persistência e escolhas assertivas. “Foi a teimosia. Porque o papel do artista é um ato de resistência”. Ela afirma que continuou fazendo arte sem permitir que opiniões externas interferissem em seu trabalho.

“Eu acho que essa é a minha verdade. Fazer o que quero, na hora em que quero, sem me preocupar com o que os outros vão achar. Eu nunca me imaginei no lugar em que estou hoje; meu plano era apenas sobreviver do que eu fazia, só isso”, afirma a artista que, aos 77 anos, vive e trabalha em São Paulo, onde tem seu ateliê e esteve pela primeira vez em Portugal. No entanto, ela foi muito além da sobrevivência e, hoje, é um orgulho para o país.
Torcer, amarrar e pender, de Sonia Gomes, está na Galeria Kunsthalle Lissabon (Rua Sobral Cid, 9E, Lisboa).
Shows e espetáculos
Seu Jorge

Reconhecido pela voz marcante e composições icônicas, Seu Jorge se apresenta nos dias 9, 14 e 16 de agosto em Portugal. O show, com mistura de samba e soul, será dia 9 em Alcobaça, 14 na Arena do Porto e, dia 16, no Hipódromo Manuel Possolo, em Cascais.
• Bilhetes em blueticket.meo.pt.
Cia Barbixas

A Cia Barbixas de Humor traz o espetáculo Improvável de volta a Portugal. O grupo brasileiro, formado por Anderson Bizzocchi, Elidio Sanna e Daniel Nascimento, se une a Mário Bomba e Telmo Ramalho, que farão participações especiais nas apresentações. A companhia estará em três cidades: Braga, no Fórum Braga, dia 4 de setembro; Porto, no Teatro Sá da Bandeira, nos dias 6 e 7 de setembro; e Lisboa, na Aula Magna, nos dias 10 e 11 de setembro.
• Bilhetes em ticketline.sapo.pt.
Luan Santana

O artista brasileiro chega a Lisboa com Luan Ao Vivo na Lua para quatro apresentações: dias 21, 22, 23 e 24 de agosto no MEO Arena. O show promete transportar o público para uma experiência sensorial ao reunir tecnologia, música e arte.
• Bilhetes em bol.pt.
Livros
A nuvem no olhar
João de Melo

A obra reúne dez histórias distintas e propõe diversas abordagens sociais. Nelas, encontramos relações intrafamiliares, caricaturas de políticas e quadros do cotidiano, como a simples história da viagem de um casal em lua de mel. Destaque para O tríptico dos barcos, o conto mais longo — que pode ser considerado uma novela curta — que nos oferece uma perspectiva de três elementos de uma família lisboeta sobre o fim do ciclo colonial africano e a evolução do processo português posterior à descolonização.
• Dom Quixote – 232 páginas – 19 euros.
Educação da tristeza
Valter Hugo Mãe

“A saudade cresce para ser uma festa em redor de quem amamos. Porque a dor deve descer para níveis mínimos, e nós precisamos usar o que existiu como alegria repartida pela eternidade. Nossas pessoas eternas devem significar alegria.” Nestes textos, Valter Hugo Mãe revela um retrato íntimo da tristeza que não se quer vencedora. Ao contrário, trata-se de uma tristeza educada, que não desaparece, tornando-se respeitosa com a necessidade de sobreviver e de continuar a lembrar.
• Porto Editora – 192 páginas – 16 euros.
António Variações, uma biografia
Helena Morais Soares e Bruno Horta

António Variações foi fugaz como um cometa: viveu na música profissional por apenas quatro anos e meio e morreu em 1984, aos 39 anos, de problemas pulmonares relacionados à Aids. Contudo, à medida que o tempo passa, mais viva se torna a lenda. O artista viveu sozinho, à sua maneira, incompreendido, exigente, exótico e louco. Foi até o fim o mesmo jovem que chegou a Lisboa sem nada, que falava baixinho e tinha vergonha de tudo. Quando conseguiu o reconhecimento com que tanto sonhou, quando todos na rua o cumprimentavam e sua música alcançava sucesso nas rádios, a vida acabou para ele.
• Suma de Letras – 152 páginas – 14 euros.
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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