Restaurantes brasileiros em Cascais: sabores do Brasil que conquistam Portugal
Descubra restaurantes brasileiros em Cascais que unem receitas autênticas, ingredientes amazônicos e toques portugueses à beira-mar
A região de Cascais, a 30 minutos de Lisboa, é uma das zonas com grande concentração de brasileiros em Portugal. De acordo com a Câmara Municipal (o equivalente à prefeitura), 7,4% da população local — o que corresponde a 15 mil habitantes — veio do Brasil. Por isso, não surpreende que a região chame a atenção de empreendedores do setor de restaurantes e bares da mesma nacionalidade.
O Palaphita fez sucesso por 16 anos na Zona Sul carioca com seu conceito amazônico. Há oito, cruzou o oceano para se instalar na Casa da Guia, um espaço multifacetado criado pelo arquiteto brasileiro Cláudio Wanderley, no Estoril. A natureza que rodeia as mesas segue o padrão do Palaphita Kitch, que encantou frequentadores à beira da estonteante vista da Lagoa Rodrigo de Freitas.
De acordo com a chef Natacha Fink, a aposta em ingredientes amazônicos permanece, mas agora dialoga com a portugalidade. “De início, procuramos mesclar ingrediente português com produto amazônico”, explica. “Deu certo e, hoje, há pratos nos quais o protagonismo é da culinária amazonense. Isso foi acontecendo de forma natural, conforme a aceitação e curiosidade do público”.

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É o caso da mandioca, presente não apenas no uso da matéria-prima em si, como também de seus derivados, como o tucupi — o suco da mandioca brava — ou a farinha do Rio Uareni, formada por pequenas esferas peneiradas e que faz parte do Bacalhau Tupiniquim. “Fizemos uma espécie de pirarucu de casaca, um prato de peixe desfiado, mas substituímos pelo bacalhau, que tem a mesma textura quando salgado”, explica. Este é o prato do verão.
O nome Palaphita é uma homenagem ao modelo arquitetônico do Norte do Brasil, com casas suspensas para enfrentar as cheias intermitentes dos rios. A madeira também faz parte do mobiliário da casa. “Cuidamos muito para integrar o nosso espaço em sintonia com a natureza que nos cerca. Isso soma muito ao nosso conceito”, finaliza.
Do Rio de Janeiro para Cascais, também chegou o bistrô Guimas, há dois anos, sob o comando de Domingas Mascarenhas, filha do cofundador do Guimas carioca, Chico Mascarenhas.
O restaurante, fundado há 43 anos e ainda ativo no bairro da Gávea, é frequentado por famosos, entre eles Luana Piovani (veja a entrevista exclusiva dada à EntreRios) e Marcelo Anthony (veja a entrevista exclusiva dada à EntreRios), que residem em Portugal. Domingas conta que muitos portugueses que já viveram no Rio “matam a saudade” no ponto de Cascais.
“Fizemos uma decoração parecida, com a mesma atmosfera, e a carta repete alguns clássicos, como o picadinho de carne, servido com um molho demi-glace bem untuoso”, explica.

A brasileiríssima Moquequinha Guimas, com peixe, camarão e lula, arroz de coentro e farofa de dendê, também desperta o apetite dos comensais. “Além do público brasileiro, o prato também atrai portugueses e estrangeiros que se
encantam com os sabores”.
Na unidade de Cascais, há novidades como as tigelinhas servidas na louça de cerâmica portuguesa, apresentadas na versão Da Terra, com cogumelos, e Do Mar, com camarões ou lulas grelhadas.
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O chef Nelson Soares, que tem o seu Sult, em Botafogo, na lista dos Bib Gourmand do Michelin, trouxe o conceito da casa carioca ao centro histórico de Cascais. Mas, na versão cascalense do restaurante italiano, com massas produzidas na própria cozinha, não faltam ingredientes portugueses. “É uma culinária italiana que, em alguns momentos, faz um link com a portuguesa — em produtos ou inspirações em receitas”, diz Soares.

É o caso, por exemplo, do pappardelle com ragu de bochechas de porco preto, um dos tesouros portugueses cuja produção se concentra especialmente no Alentejo.
Outro prato emblemático da casa é o arancini de alheira. Na versão do Sult, o tradicional bolinho de risoto típico da culinária italiana ganha a parceria da alheira, um embutido português feito com pão e mistura de carnes, típico da região de Trás-os-Montes, no Norte de Portugal.
Como o restaurante está ao lado do mar, não faltam também preparos como o risoto de polvo, que leva o toque italiano da ‘nduja, um embutido típico da região da Calábria, feito de carne de porco e conhecido pela picância.
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A Cria Padaria Artesanal, há oito anos em Portugal, investe no filão dos pães de fermentação natural e começou com a proposta de fornecer os produtos para o setor de restaurantes e bares. De acordo com Fernanda Novais, à frente do negócio ao lado do marido, Júlio Vaz, a Cria virou loja de fábrica um pouco antes da pandemia — e essa ação mudou o rumo das coisas.
“Durante o confinamento, éramos considerados um serviço essencial e focamos nas vendas diretas. E foi uma delícia voltar a trabalhar com o cliente final”.
Com produtos cuidadosamente confeccionados por Vaz, a padaria conquistou especialmente turistas e estrangeiros que vivem em Cascais. “No início, quando descobriram que éramos brasileiros, pediram pelo pão francês, que não faz parte da carta por não ser um pão de fermentação longa”, diverte-se ele.
A loja, que era concentrada em pães, passou a servir também pequenas refeições, acompanhadas de cafés especiais. O destaque fica por conta das tostas — como os portugueses chamam os sanduíches, como misto e queijo quente.
Os ingredientes usados no recheio fazem parte dos adicionais vendidos em uma pequena mercearia dentro da padaria, que também oferece uma seleção de vinhos especiais.
Essa reportagem foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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