Santo Antônio, o tataravô do Tinder
Quem não gosta de junho em Portugal, bom sujeito não é. Ah, junho, com o sol fazendo hora-extra até depois das nove da noite, é um convite para deixar a preguiça para mais tarde. Vai ser feliz, criatura!
É mês de festa em todos os cantos, tipo o carnaval no Brasil. Junho é quando o português se fantasia de brasileiro e dança a céu aberto, como se não houvesse amanhã.
Agora, cá entre nós, que me perdoe São João e não me leve a mal São Pedro, mas em matéria de popularidade não há quem supere Santo Antônio, de longe o primeiro no ranking do amor, o mais popular entre os santos populares do país, padroeiro de Lisboa e de Portugal. E com toda a justiça.
Santo Antônio é o santo dos milagres mundanos, aqueles que fazem a diferença na vida das pessoas, o santo dos assuntos da paixão e do amor, reconstituindo a virgindade de donzelas em apuros, unindo as caras-metades.
Santo Antônio é uma espécie de tataravô do Tinder, clica lá no coraçãozinho e garante o match perfeito, valei-me Santo Antônio, padroeiro dos crushes!
Para o casalzinho apaixonado é de lei, são dois jantares à luz de velas, dois presentes por ano – embora Santo Antônio nunca tenha esticado o salário de ninguém.
Se ainda não parou para pensar, é por causa de Santo Antônio que junho é o mês dos namorados no Brasil e não em fevereiro, como acontece em quase todo mundo, embora, vamos combinar, encaixar o Dia dos Namorados em pleno furdunço do carnaval brasileiro, justamente quando é cada um por si e ninguém é de ninguém, seria milagre para São Valentim nenhum botar defeito.
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O que Santo Antônio não ia adivinhar é que por causa dele o calendário sentimental do imigrante brasileiro em Portugal entrou em parafuso. Na prática, o brasileiro e a brasileira na terrinha têm de lidar não com um, mas com dois Dias dos Namorados por ano, para o bem e para o mal.
Para o casalzinho apaixonado é de lei, são dois jantares à luz de velas, dois presentes por ano – embora Santo Antônio nunca tenha esticado o salário de ninguém. Pior é o drama de quem está com a vida amorosa mais parada do que a fila da Aima, pois são dois Dias dos Namorados sozinho da silva, sem ninguém para aquecer.
Ninguém merece, Santo Antônio, agora é contigo, dá teus pulos aí e vê se resolve os perrengues dessa gente bronzeada.
*O autor fez promessa ao Santo Antônio para conseguir uma namorada
Esta crônica é parte da primeira edição da revista EntreRios, distribuída nas principais bancas de Portugal. Você também pode assinar e receber a publicação no conforto da sua casa, além de ler a publicação completa.
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