Seguro e Ventura duelam sobre imigração no último debate presidencial
Seguro mais moderado, Ventura disruptivo, Portugal será um país totalmente diferente se ganhar o socialista ou o candidato de direita radical
No último e único debate antes das eleições presidenciais marcadas para 8 de fevereiro, os dois candidatos que avançaram ao segundo turno, António José Seguro e André Ventura, confrontaram visões sobre os poderes do presidente da República, economia, saúde e imigração, num embate marcado por fortes divergências.
Imigração no centro do confronto
Ao abordar a imigração, António José Seguro defendeu uma política de entrada regulada e controlada. Enquanto não é possível alterar o perfil de desenvolvimento e crescimento econômico no atual modelo, admitiu que “nós precisamos de imigração”. O candidato presidencial refere ainda que a imigração é relevante devido às contribuições dos imigrantes para a Segurança Social, mas também para o “rejuvenescimento da nossa base demográfica”.
Questionado sobre a regularização extraordinária de meio milhão de migrantes em Espanha, Seguro admitiu promulgar medidas análogas, se necessário, sublinhando a importância da imigração no país.
Seguro acusou Ventura de promover “divisão e medo” na sociedade portuguesa com as suas posições mais radicalizadas, ao que o líder do Chega respondeu reforçando as suas criticas já antigas da, segundo ele, entrada desordenada de imigrantes: “não podemos ter entrada de gente de qualquer maneira”. Além disso, sublinhou que o presidente da República poderia vetar a regularização de imigrantes.
Acusações cruzadas e choque de narrativas
Ventura ainda responsabilizou o Partido Socialista — ao qual associa Seguro, apesar de o candidato concorrer como independente — pela saída de cerca de 30% dos jovens portugueses do país. Defendeu que a necessidade de imigração decorre do fato de “pagarmos mal aos nossos” e alertou para riscos de “substituição civilizacional”, além de apontar impactos negativos na habitação e no Serviço Nacional de Saúde.
Seguro, por sua vez, acusou Ventura de explorar o medo e a radicalização, defendendo uma abordagem baseada no diálogo e na coesão social.
Visões opostas para a Presidência
Ao longo do debate, Ventura tentou colar Seguro às políticas dos últimos governos, afirmando que sua eleição significaria manter tudo como está. Segundo ele, o país precisa de um “abanão” democrático.
Seguro respondeu dizendo que quer “ser o presidente de todos os portugueses” e prometeu oferecer “experiência, moderação” e compromisso institucional com o Governo para construir “um país moderno e justo, onde ninguém fica para trás”.
Ventura, por outro lado, afirmou que pretende ser disruptivo e “a voz dos que não têm voz”, defendendo uma ruptura com o que chama de ciclo de pobreza, alta carga tributária e falta de oportunidades.
No domingo, dia 8, os eleitores decidirão quem será o próximo presidente da República portuguesa. Até lá, os dois candidatos seguem em campanha pelo país.
Lisboa
Licenciou-se em Relações Internacionais na Universidade Técnica de Lisboa e fez mestrado em Jornalismo Internacional na Puc – São Paulo, entre outras formações.
Iniciou a sua carreira na TV SIC Notícias e foi correspondente Internacional da TVI no Brasil e outros países da América Latina.
Trabalhou na TV Globo Portugal no magazine cultural “Cá Estamos” e desenvolveu projectos dedicados ao canal em Portugal. É ainda autora de três livros.
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