Viagem

Turismo regenerativo: como apoiar aldeias afetadas pelos incêndios em Portugal

A ideia é que cada viagem deixe uma contribuição positiva: seja consumindo produtos locais, participando de ações de reflorestação ou valorizando manifestações culturais

Aldeia de Montanha de Folgosinho/Crédito: Reprodução Instagram
Aldeia de Montanha de Folgosinho. Crédito: Reprodução/Instagram.

As chamas que durante 11 dias lavraram no Piódão, concelho de Arganil, consumiram mais de 64 mil hectares de floresta, transformando-se no maior incêndio já registrado em Portugal. Só em 2025, quase 250 mil hectares foram destruídos pelo fogo — um número muito superior aos 137 mil do ano passado.

Os incêndios, concentrados sobretudo no mês de agosto, atingiram principalmente as regiões do Centro e do Norte, deixando aldeias em alerta, famílias desalojadas e vastas áreas naturais reduzidas a cinzas.

Diante desse cenário, o turismo pode ter um papel fundamental na recuperação. Surge aqui o conceito de turismo regenerativo, um modelo que vai além da sustentabilidade tradicional. Mais do que apenas minimizar impactos, ele busca devolver vida aos territórios, apoiando comunidades, estimulando a economia local, regenerando o meio ambiente e fortalecendo tradições.

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A ideia é que cada viagem deixe uma contribuição positiva: seja consumindo produtos locais, participando de ações de reflorestação ou valorizando manifestações culturais que correm risco de desaparecer.

Como o viajante pode ajudar aldeias após os incêndios

Visite os destinos afetados (mas com atenção)

Antes de viajar, é essencial verificar se a área já foi liberada pelas autoridades para receber turistas. Caso o local ainda esteja em recuperação, não cancele a reserva: remarque a estadia para uma data futura. Isso garante que o alojamento continue a ter receita e que a sua contribuição chegue quando a comunidade estiver pronta para receber.

Consuma produtos locais

Levar para casa mel da serra, queijos artesanais, vinho da região ou artesanato tradicional é uma forma direta de apoiar famílias que dependem dessas atividades para sobreviver.

Divulgue nas redes sociais

Compartilhar fotos, histórias e recomendações dessas aldeias ajuda a dar visibilidade aos territórios e pode atrair outros visitantes.

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Participe de festivais e eventos culturais

Muitas aldeias mantêm festas e celebrações mesmo depois dos incêndios, como forma de resistência e afirmação cultural. Estar presente é um gesto de apoio à continuidade dessas tradições. Do dia 28 a 30 de agosto, Alvoco das Várzeas, por exemplo, realizará um arraial social para “celebrar a vida” após os dias difíceis. Haverá almoço de confraternização, atividades, cinema ao ar livre e concertos.

Envolva-se em projetos de recuperação

Algumas comunidades organizam mutirões de reflorestamento, reconstrução de trilhas ou restauro de espaços coletivos. Turistas podem participar como voluntários ou contribuir financeiramente.

Renata Telles

Lisboa

Jornalista com 17 anos de experiência, pós-graduada em social media e mestre em Turismo e Comunicação pela Universidade de Lisboa. Com passagem na Caras, Cosmopolitan, Women’s Health, Vogue, UOL e Yahoo. Hoje, escreve para a EntreRios, National Geographic Portugal e Glamour Brasil.

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