Economia

UE e Mercosul: acordo histórico enfrenta últimos obstáculos

Após 25 anos de negociações, proposta é apresentada em Bruxelas; resistências agrícolas, ambientais e políticas ainda ameaçam a aprovação

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante sessão Plenária dos Presidentes dos Estados Parte do MERCOSUL e Estados Associados. Foto: Ricardo Stuckert/PR / Agência Brasil

Depois de quase três décadas de negociações, a Comissão Europeia apresentou oficialmente, nesta quarta-feira (3), o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, para apreciação do Parlamento Europeu e dos governos nacionais. A iniciativa, impulsionada no fim do ano passado, é considerada a maior já firmada pela UE em termos de redução tarifária, reacendendo as esperanças de um avanço estratégico nas relações comerciais entre os blocos.

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O desfecho, no entanto, ainda é incerto. Para entrar em vigor, o acordo precisa do aval do Parlamento Europeu e de, pelo menos, 15 dos 27 países-membros do bloco, representando 65% da população da UE.

França e Polônia, grandes produtores agrícolas, seguem firmes na oposição. O argumento central é que a importação de commodities sul-americanas, sobretudo a carne bovina, não atenderia aos rigorosos padrões de segurança alimentar e ambientais da UE. Agricultores desses países têm realizado protestos, reforçando a preocupação com a concorrência desleal em setores como carne bovina, aves e açúcar.

Além da pressão agrícola, organizações ambientais — entre elas a Friends of the Earth — classificaram o tratado como “destruidor do clima”. Grupos verdes e parte da extrema-direita no Parlamento Europeu também prometeram resistência, o que pode comprometer a votação. Críticos apontam ainda que as cláusulas ambientais do acordo carecem de sanções efetivas e poderiam enfraquecer os compromissos climáticos já assumidos pela UE.

Defensores como Alemanha e Espanha enxergam no Mercosul um mercado estratégico para a exportação de carros, máquinas e produtos químicos, além de uma fonte confiável de minerais críticos, como o lítio para baterias — insumo vital para a transição energética europeia e cuja dependência da China preocupa o bloco.

Do ponto de vista econômico, o acordo prevê a eliminação de tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul e 91% das da UE, em um período de 10 a 15 anos. Estima-se que os benefícios ultrapassem 4 bilhões de euros anuais, consolidando-o como o maior tratado comercial da história da União Europeia. Além disso, produtos tradicionais da Europa, como queijos, vinhos e presuntos, ganhariam maior espaço no mercado sul-americano com tarifas reduzidas.

O Brasil, que ocupa a presidência rotativa do Mercosul, tem pressa em consolidar o pacto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a intenção de fechar o acordo ainda este ano, enquanto o vice-presidente, Geraldo Alckmin, destacou que o tratado simboliza integração, geração de empregos e fortalecimento econômico regional.

O acordo final surge em um contexto de busca europeia por diversificação comercial, após as tarifas impostas pelo então presidente norte-americano Donald Trump e diante da crescente influência da China.

Assim, a disputa promete intensificar o debate político em Bruxelas. Se, de um lado, o tratado é celebrado como um marco histórico de integração e crescimento sustentável, de outro, enfrenta resistência interna, alimentada pelas pressões do setor agrícola e por preocupações ambientais.

Com informações da Agência Brasil

 

Jornalista com mestrado em Comunicação Social pela Uerj e mais de 15 anos de experiência em redação e edição de reportagens. Já atuou no jornal “O Globo”, é sócia do #Colabora – Jornalismo Sustentável e repórter da edição brasileira do portal Fashion Network. Na EntreRios, é repórter com foco em comportamento e lifestyle.

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